Dibea é alvo de ação por superlotação e falhas na proteção de animais em Florianópolis

MPSC pede que plano de proteção animal seja reelaborado e atividades de denúncias contra maus-tratos sejam retomadas pela Diretoria

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DIBEA é alvo de ação por superlotação e falhas na proteção de animais em Florianópolis

Em resposta, Dibea afirma que Hospital Veterinário público deve cumprir com todos os pedidos do MPSC (Foto: MPSC, Divulgação)

Diante da superlotação atual, o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) entrou com uma ação judicial contra a Diretoria de Bem-Estar Animal (Dibea) de Florianópolis, nesta quarta-feira (23). Na ação, a promotoria pede que o município elabore e execute um plano de reestruturação da política municipal de proteção animal, e retome as atividades de apuração de denúncias de maus-tratos a animais, inclusive com atendimento às requisições formais encaminhadas pelo Ministério Público e pela Polícia Civil.

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O processo foi protocolado após o MPSC verificar omissões do poder público municipal na gestão da Dibea. Segundo o promotor de Justiça, Luciano Trierweiller Naschenweng, durante a tramitação da investigação, movida pelo MPSC, o Conselho Regional de Medicina Veterinária realizou uma vistoria na Dibea e identificou problemas graves estruturais, sanitários, veterinários e administrativos.

Problemas identificados e pedidos à Justiça

De acordo com o promotor, a estrutura atual da Dibea não cumpre o papel de política pública permanente, funcionando de forma improvisada, sem condições mínimas de atender com dignidade os animais acolhidos, tampouco de dar respostas efetivas à sociedade quanto às denúncias de maus-tratos.

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— Dos problemas identificados durante a vistoria, é importante destacar a superlotação de animais, animais em gaiolas pequenas, confinados sem luz natural e com forte odor de urina e fezes, ausência de gerador de energia, medicamentos vencidos e falta de insumos básicos, além do represamento de mais de 5 mil boletins de ocorrência de maus-tratos sem apuração — relata Naschenweng.

Entre os pedidos feitos à Justiça, o MPSC exige que a administração municipal inclua recursos suficientes no orçamento público para custear a execução do plano e as ações de curto, médio e longo prazo. Além disso, o plano de reestruturação deve esclarecer novos métodos de diagnóstico detalhado, metas, cronograma, orçamento, equipe técnica e mecanismos de fiscalização.

 — Como medidas estruturantes, a ação pública busca a reforma completa da unidade da Dibea, separação adequada de ambientes para cães e gatos, equipamentos cirúrgicos e clínicos, estoque regular de medicamentos, fornecimento de EPIs e insumos de higiene, contratação de pessoal para limpeza e cuidados, videomonitoramento e estrutura para dias de calor e chuva, conforme normas do Conselho Federal de Medicina Veterinária — concluiu. 

A promotoria também requer que a unidade conte com médico-veterinário formalmente nomeado como responsável técnico (RT), com escala de atendimento contínua inclusive aos finais de semana e feriados, garantindo que nenhum animal fique sem assistência.

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Veja fotos de cães na Dibea

O que diz a prefeitura de Florianópolis

Em nota ao NSC Total, a Diretoria de Bem-Estar Animal de Florianópolis informou que a licitação do primeiro Hospital Veterinário público de Florianópolis foi lançada pela administração municipal para ampliar atendimentos gratuitos para garantia de saúde, bem-estar animal e saúde pública, o que deve cumprir com todos os pedidos técnicos do MPSC. (Confira a nota na íntegra abaixo).

A Diretoria de Bem-Estar Animal de Florianópolis informa que trabalha com foco na proteção dos animais e resgata com frequência cães, gatos e cavalos em situação de maus tratos ou abandono, em conjunto com a Polícia Civil de Santa Catarina. O órgão está lotado, já que o número de resgates necessários é maior do que a quantidade de adotantes interessados que chegam até a instituição. A Dibea realiza campanhas frequentes de adoção para encontrar novas famílias para os animais.

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Nos finais de semana, um veterinário plantonista atende as necessidades dos acolhidos. Os animais ficam em gaiolas, temporariamente, quando aguardam atendimento ou passam por cuidados médico-veterinários específicos. A Prefeitura contratou na semana retrasada um espaço extra, para que nenhum cão permaneça em gaiolas, além da reestruturação dos canis internos.

Quatro novos veterinários começaram recentemente e seis estagiários estão em contratação para integrar a equipe. Vale destacar ainda que, recentemente, a licitação do primeiro Hospital Veterinário público de Florianópolis foi lançada pela administração municipal para ampliar atendimentos gratuitos para garantia de saúde, bem-estar animal e saúde pública, o que acarretará no cumprimento de todos os pedidos técnicos do MPSC.

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Hospital Veterinário Público de Florianópolis

Na sexta-feira (18), a prefeitura de Florianópolis lançou um edital que prevê a contratação de uma organização social que vai gerenciar e operacionalizar o Hospital Veterinário público catarinense. Além disso, a vencedora do Chamamento Público auxiliará nas atividades da Diretoria de Bem-Estar Animal (Dibea), que fica na SC-401, onde também deve funcionar a unidade de atendimento aos animais.

A criação do hospital é justificada pela “demanda excedente da Dibea, a necessidade de ampliar a capacidade de atendimento e serviços, o aumento de animais errantes sem controle sanitário, e os problemas de saúde pública (zoonoses) e segurança humana decorrentes”. Além disso, há uma necessidade de mais profissionais veterinários, atendimento 24 horas, vacinação e castração de animais abandonados, e assistência para tutores em vulnerabilidade social.

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*Sob supervisão de Giovanna Pacheco

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