Nathália Melo, candidata a vice-governadora de SC pela UP, defende participação popular nas decisões e fim da escala 6×1

Nathália Melo é candidata a vice-governadora na chapa com Laís Chaud, também da UP

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foto nathalia up

Nathália Tarses Gomes de Melo (UP) tem 34 anos (Foto: Divulgação)

Nathália Melo, do partido Unidade Popular (UP), é a candidata a vice-governadora de Santa Catarina na chapa com Laís Chaud nas Eleições 2026. Em entrevista ao NSC Total, ela citou que, caso eleita, pretende ajudar a governar o Estado a partir da perspectiva de uma mulher negra que batalha diariamente por mais dignidade e igualdade.

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Tentando um cargo eletivo pela primeira vez, Nathália é diarista, mas já trabalhou como vendedora e maquiadora. Coordenadora da Frente Negra Revolucionária e integrante do Movimento de Mulheres Olga Benário, defende pautas como o fim da escala 6×1 e o combate ao racismo e à violência de gênero.

O quê da sua trajetória pública ou privada o credencia para assumir a vice-governadoria e um eventual governo?

O que me credencia é que eu já faço, na luta, o que o governo se recusa a fazer. Sou mulher negra, faxineira, diarista, ex-vendedora de comércio e shopping, maquiadora. Mas não fui escolhida só por ser trabalhadora, fui escolhida porque luto como trabalhadora. Sou coordenadora da Frente Negra Revolucionária, onde organizo trabalhadores negros pela sua libertação do racismo. Componho o Movimento de Mulheres Olga Benário, onde organizamos mulheres que sofrem assédio, despejo e violência para ocuparem seu espaço e exigirem seus direitos.

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Estive nas ocupações de shopping pelo fim da escala 6×1, porque sei o que é não ter um domingo com a família. Estive nas mobilizações de mulheres que ocupam espaços para dizer que não aceitam mais feminicídio. Essa é minha escola de governo: organizar o povo para conquistar o que é seu.

Por que a senhora resolveu colocar seu nome na disputa para o cargo de vice-governadora? Quais foram as motivações?

As mulheres já chefiam milhões de lares nesse país, nós resolvemos tudo, seguramos tudo nas costas, e mesmo assim nossas vidas continuam sendo descartáveis. Em Santa Catarina foram 51 feminicídios consumados em 2024 e 52 em 2025, uma mulher assassinada por semana por ser mulher. Nós estamos cansadas dessa realidade cruel. Estamos cansadas de apenas sobreviver: queremos viver e governar.

A nossa motivação é construir uma saída concreta para isso. A UP escolheu meu nome porque a Unidade Popular é hoje o partido que tem o maior número de candidaturas de mulheres — das nossas 17 candidaturas a governos estaduais, 12 são mulheres. Nossa chapa à presidência também é de duas mulheres trabalhadoras, Samara Martins e Raquel Brício.

Me sinto muito honrada de ser uma dessas mulheres, junto com a Laís, para assumir o programa revolucionário da Unidade Popular e construir uma saída concreta para a cruel realidade que vive a mulher em Santa Catarina.

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O que a senhora agrega eleitoral e politicamente à chapa que nenhum outro nome agregaria?

Na UP todo militante pode ser uma boa opção para governar, porque somos todos trabalhadores forjados na luta, mas a escolha do meu nome para compor com a Laís tem um significado político muito preciso.

A UP escolheu colocar no centro da disputa o que os outros partidos escondem: a mulher negra e trabalhadora que não só vive a exploração, mas que luta contra ela. É essa experiência de luta concreta que eu agrego à chapa da Laís.

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Qual será o seu papel na prática, na rotina de governo, caso a sua chapa seja eleita em 4 de outubro?

Meu papel, ao lado da Laís, será governar com o povo. Vice para nós não é cargo decorativo e não é retaguarda de gabinete. O nosso governo vai romper com essa lógica de que quatro ou cinco técnicos decidem tudo trancados no Centro Administrativo.

Meu papel será convocar o povo catarinense a opinar e construir a política do dia a dia. Vamos criar os Conselhos Populares em cada região do estado, onde o povo trabalhador vai decidir sobre o orçamento, sobre onde o dinheiro vai ser investido, sobre quais melhorias precisam ser feitas no bairro, na comunidade, na escola, na saúde.

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Vamos rodar toda Santa Catarina para garantir que nenhuma obra, nenhuma política para as mulheres, nenhuma decisão sobre transporte, creche ou moradia seja feita sem a participação direta do povo que mais precisa. Governar, para nós, é dar o poder para o povo exercer o poder.

Quais são as áreas prioritárias que a senhora vê que o próximo governador deve focar?

Tem que focar na vida de quem segura esse estado: as mulheres trabalhadoras.

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  1. Vida digna para as mulheres: creche pública integral já, com horário que atenda a vida da trabalhadora. Restaurante, lavanderia e moradia popular. E política de combate ao racismo e à violência contra a mulher com estrutura real: casas-abrigo, Delegacias da Mulher 24h e emprego para que a mulher possa sair do ciclo de violência;
  2. Trabalho com direitos: chega de trabalho sem carteira, de bico e de humilhação. Vamos construir as frentes emergenciais de trabalho gerar emprego com carteira assinada e salário digno;
  3. Serviços públicos 100% públicos: saúde e educação de qualidade, sem terceirização e sem OS. Quem limpa o hospital tem que ter os mesmos direitos de quem opera nele.

Já discutiu com a sua candidata a governadora a possibilidade de assumir alguma secretaria ou algum cargo do governo?

Nossa discussão nunca foi sobre cargo, foi sobre programa e sobre tarefa. Na Unidade Popular, nós não disputamos espaço pessoal, nós cumprimos disciplina partidária.

Se for necessário e o partido entender que minha contribuição será melhor em uma secretaria estratégica para as mulheres, para a igualdade racial ou para o trabalho, cumprirei a tarefa. Mas não estou entrando no governo atrás de secretaria. Estou entrando para garantir que SC tenha um governo do povo pobre.

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Historicamente, alguns vices rompem com governadores em vários estados por divergências. Quais as garantias ao eleitor de que a chapa permanecerá unida por 4 anos?

Essa pergunta mostra exatamente a diferença entre a política burguesa e a nossa. Na política burguesa, o vice rompe porque são dois projetos individuais disputando poder e dinheiro. É normal que se traiam.

Nós da Unidade Popular não somos um ajuntamento de dois nomes, somos um projeto coletivo. Nossa chapa é formada por duas mulheres trabalhadoras, disciplinadas a um mesmo programa, a um mesmo partido. A garantia da nossa unidade não é pessoal, é política.

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É o fato de que das 17 candidaturas da UP a governo, 12 são mulheres. É o fato de que nossa referência nacional são duas mulheres trabalhadoras. Nós não vamos romper porque nós não governamos para nós mesmas, nós governamos para as mulheres que são assassinadas toda semana em Santa Catarina e que precisam de uma resposta revolucionária e urgente!

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