Às vésperas das Eleições 2026, Santa Catarina ganhou 71 mil eleitores entre 30 e 69 anos, faixa etária que mais vai às urnas segundo o Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC). De acordo com a Corte, o aumento dos votantes nessas idades desde a última eleição em 2024 é a “chave” para avaliar o engajamento dos catarinenses no pleito.
A Justiça Eleitoral divulgou, nesta semana, dados para apontar alguns fatores que podem aumentar ou reduzir a ida da população às urnas. Um dos principais indicadores é o perfil de idade dos eleitores. O levantamento mostrou que, em Santa Catarina, o grupo mais jovem, de 18 a 29 anos, é a faixa etária de voto obrigatório que menos participou das últimas eleições. Em 2024, 61 mil pessoas deste grupo deixaram de votar. A quantidade de votantes nas demais faixas etárias não foi detalhada.
Outro grupo que menos participa das eleições é o de pessoas analfabetas, que corresponde a 1% do eleitorado catarinense em 2026 e que tem a menor taxa de comparecimento às urnas. Segundo o TRE-SC, em 2024, apenas metade dos eleitores analfabetos participaram da votação.
Já no recorte de raça, os votantes pretos e pardos apresentaram maior abstenção na eleição de 2024. No entanto, o tribunal ressalta que apenas um a cada 10 eleitores catarinenses informou cor/raça à Justiça eleitoral.
Outros fatores influenciam a adesão dos catarinenses às eleições
Segundo o TRE-SC, o aumento da abstenção nas eleições envolve mais que o perfil do eleitorado. A qualidade da mobilidade urbana e a distância dos locais de votação também podem desencorajar a ida às urnas.
Para os eleitores cujo voto é obrigatório, a abstenção sem justificativa deixa a sua situação eleitoral irregular, gerando impedimentos de participação em programas sociais do governo e em licitações, inscrição em concursos, posse em cargo público, contratação para cargo comissionado em órgão público, emissão de passaporte, regularização de CPF e matrícula em instituições de ensino, entre outros. Em 2024, 21% dos eleitores deixaram de ir às urnas no Estado.
“Após três eleições sem votar, o título de eleitor é cancelado“, diz o desembargador do TRE-SC e diretor da Escola Judiciária Eleitoral de Santa Catarina (EJESC), Sérgio Francisco Carlos.
Ele salienta a importância de políticas públicas para aumentar a adesão da população às eleições e facilitar a ida às urnas:
A participação deixa a democracia mais altiva.
Número de votantes idosos e adolescentes crescem em SC
Por outro lado, o desembargador destacou que os jovens de 16 e 17 anos têm reagido positivamente às campanhas e ações da Justiça Eleitoral catarinense. Segundo o magistrado, a participação desse grupo vem crescendo desde as eleições de 2018.
De 2024 para cá, por exemplo, 4 mil adolescentes ingressaram ao eleitorado de Santa Catarina. Vale destacar que o voto é facultativo antes dos 18 anos.
A faixa dos eleitores com 70 anos ou mais, cujo voto também é facultativo, corresponde atualmente a 10% do eleitorado catarinense. O grupo teve um aumento de 73 mil eleitores desde 2024 e, com o envelhecimento populacional, deve se tornar cada vez maior.
Sendo assim, o desembargador comemora a adesão desse público nas eleições, mas destaca que fatores como saúde, mobilidade urbana e desestímulo político podem limitar a participação dos idosos no processo democrático:
A Justiça Eleitoral ressalta que age sobre esses aspectos para facilitar ao máximo o voto. Os eleitores de 60 anos ou mais têm prioridade nas filas das seções eleitorais, e aqueles com 80 ou mais, prioridade especial, que significa ser atendido antes dos que têm entre 60 e 79 na mesma fila.
Além disso, é garantido o direito para qualquer pessoa com mobilidade reduzida de entrar na cabine de votação acompanhado por alguém de confiança.





