Um pedido de Jair Renan Bolsonaro (PL), o filho “04” do ex-presidente da república Jair Bolsonaro, gerou troca de farpas entre ele e outro vereador na Câmara de Balneário Camboriú. O parlamentar pediu que os colegas abonassem uma falta dele à sessão da semana passada alegando “questões pessoais” (visita ao pai). Por 10 votos a cinco, teve a solicitação rejeitada.
Tudo começou quando a Casa teve de votar, durante o encontro de terça-feira (22), o pedido de requerimento de Jair Renan. No texto, ele justificou a ausência por questão de ordem pessoal.
Na prática ele queria a aplicação do artigo 37 do Regimento Interno, que prevê que os R$ 18,2 mil de remuneração sejam divididos pelas reuniões ordinárias do mês e descontados em caso de falta, exceto quando há “motivo justificado” aceito pela maioria absoluta do plenário.
O vereador Marcelo Achutti (MDB), então, pediu para falar. Ele criticou Renan Bolsonaro e mencionou que o jovem político ganhou R$ 3 milhões do partido eleitoral do PL para a campanha como deputado federal.
“Não tem justificativa. Respeito, também sou de Direita, mas recebeu R$ 3 milhões de fundo e ainda quer que abonemos? Vão criar vergonha na cara. Se está em campanha faça igual aos demais… Quando fui candidato me licenciei e dei vaga ao suplente”, disparou.
Relembre os fatos que levaram à condenação de Jair Bolsonaro
Os R$ 3 milhões direcionados pela Executiva Nacional do PL ao 04 é a mesma quantia que os candidatos que já são deputados federais receberam para fazer campanha. Ou seja, o estreante na corrida à Câmara de Deputados ganhou mais do que aqueles que estão buscando a vaga pela primeira vez, como é o caso dele. E isso gerou um incômodo entre aliados.
Depois de ter o pedido negado, Jair Renan se defendeu. Disse que deve faltar em outras quartas-feiras, como ocorreu na última semana, porque é o dia em que visita o pai, que está em prisão domiciliar por “perseguição política”, na opinião do filho. Também ressaltou que a história não tem relação com o dinheiro do fundo eleitoral, já que os valores não servem de salário.
“Eu não pego fundo eleitoral para fazer bagunça. Eu pego para fazer minha campanha e o que sobrar eu devolvo. Não sei se o senhor faz alguma bagunça quando recebe”, retrucou.
Clima tenso
Como comentou o colunista Ânderson Silva, os defensores dos privilégios a Jair Renan em relação ao fundo eleitoral entendem que, por serem puxadores de votos, os “Bolsonaros” merecem mais espaço e recursos. Além disso, também alegam que o movimento do PL está maior justamente por conta do bolsonarismo.
Os críticos, porém, afirmam que nomes catarinenses estão sendo preteridos, mesmo aqueles que têm trajetória política no Estado. A insatisfação tem sido cada vez maior durante a campanha.








