Flávio Bolsonaro fez movimentações incompatíveis com a renda e quitou mansão com dinheiro de escritório, diz Coaf

Relatórios do Coaf apontam que movimentações financeiras do senador superaram em 7,19 vezes o esperado para a renda declarada entre janeiro e março de 2024.

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(Foto: Edilson Rodrigues, Agência Senado)

Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontam que Flávio Bolsonaro (PL) fez movimentações bancárias incompatíveis com a renda declarada. Os documentos, obtidos pelo O Globo, revelam que o candidato à Presidência da República recebeu R$ 520 mil de um escritório de advocacia para quitar antecipadamente o financiamento da mansão adquirida pelo senador em Brasília.

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Ainda de acordo com o Coaf, entre janeiro e março de 2024, Flávio Bolsonaro realizou R$ 1,3 milhão em transações financeiras, sendo R$ 660.111 em créditos e R$ 649.272 em débitos. De acordo com o conselho, o volume médio das operações no período foi 7,19 vezes superior ao esperado para a renda informada pelo parlamentar.

O material integra uma investigação da Polícia Federal sobre os vínculos de Flávio Bolsonaro com o advogado Willer Tomaz em um suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo transações com bets. O caso tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.

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Segundo os documentos, em março de 2024, Flávio recebeu R$ 520.277,28 do escritório Gavioli e Viola Advogados Associados e usou o dinheiro para quitar antecipadamente um empréstimo imobiliário contratado em 2021 junto ao Banco de Brasília. O financiamento foi feito para a compra de uma mansão de R$ 5,97 milhões em uma área nobre da capital federal. Para o Coaf, há suspeitas relacionadas ao valor recebido, já que os recursos foram destinados à quitação antecipada do crédito.

Flávio atuou em dois processos em parceria com os advogados deste escritório. Ao solicitar o financiamento imobiliário, informou ao BRB uma renda mensal de R$ 56,8 mil, composta pelo salário de parlamentar à época, rendimentos de uma franquia de chocolates e aplicações financeiras. Na ocasião, não declarou receitas provenientes da advocacia. Posteriormente, afirmou à Justiça que também atuava como advogado e que os recursos usados na compra do imóvel tinham origem lícita.

Veja fotos da mansão de Flávio Bolsonaro em Brasília