Um inquérito foi aberto pelo Supremo Tribunal Federal (STF), para apurar suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o Senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL), o advogado Willer Tomaz e empresas ligadas a ele. O ministro Alexandre de Moraes foi sorteado relator do caso.
A investigação teve início na primeira instância da Justiça Federal do Rio Grande do Sul, onde a Polícia Federal apurava suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e utilização de casas de apostas. Durante as investigações, a PF teria encontrado e-mails indicando que Flávio Bolsonaro havia sido cadastrado como “usuário master” de uma conta bancária da empresa Alcazar Holdings, pertencente ao advogado. A abertura do inquérito foi noticiada inicialmente pelo jornal “O Estado de S. Paulo” e confirmada pelo g1.
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O caso foi encaminhado ao STF em 8 de outubro, devido ao foro privilegiado por função do senador. A Procuradoria-Geral da República (PGR) analisou os indícios reunidos e se manifestou favoravelmente à abertura da investigação.
Este é o segundo inquérito no STF que tem Flávio Bolsonaro entre os investigados. O primeiro foi aberto em julho, sob relatoria do ministro André Mendonça, e apura o financiamento do filme Dark Horse por Daniel Vorcaro, do Banco Master. Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz são amigos e afirmam que não mantêm negócios em conjunto.
Investigação analisa e-mails e documentações que registram encontros
Conforme informações do g1, o relatório da Polícia Federal diz que o nome de Flávio Bolsonaro apareceu na documentação de abertura de uma conta bancária da empresa Alcazar Holdings, com um perfil que permitiria acesso elevado e gerenciamento da conta.
“Na documentação relativa à abertura da conta bancária da empresa Alcazar Holding, verificou-se que Flávio Bolsonaro figurava com perfil de usuário master, condição que, em princípio, lhe conferia nível elevado de acesso e gerenciamento da conta”, afirmou a PF.
Os investigadores também identificaram um e-mail de 22 de maio de 2025, no qual Willer Tomaz teria solicitado a exclusão do acesso de Flávio à conta. Para a Polícia Federal, o documento indica que o senador permaneceu vinculado à conta bancária, ao menos operacionalmente, até aquela data.
Além disso, a PF identificou registros de encontros, festas e reuniões envolvendo o senador e o advogado. Documentos pessoais de Flávio também foram encontrados na conta de armazenamento em nuvem de Tomaz.
Outro elemento apontado pelos investigadores foi a identificação de viagens do senador custeadas pela Cathedral, uma das empresas ligadas ao advogado. As investigações também analisam possíveis vínculos de Willer Tomaz com empresas do setor de apostas esportivas.
O que dizem os investigados
Willer Tomaz negou ao g1 ter cometido crimes e criticou a divulgação de informações do inquérito. Veja a declaração na íntegra:
“Causa estranheza o vazamento, num domingo e a poucas horas do debate entre os candidatos à Presidência, de um suposto inquérito até então desconhecido. Trata-se do uso indevido do aparato policial com o claro propósito de requentar acusações infundadas e interferir no resultado das urnas.
A Rede Loto jamais operou como plataforma de apostas, e a Cathedral é tão somente uma holding patrimonial. Não houve circulação de recursos entre as empresas mencionadas; portanto, inexiste qualquer movimentação financeira irregular.
É igualmente inaceitável que a quebra do sigilo telemático do advogado Willer Tomaz sirva de instrumento para uma “pescaria probatória” destinada a fabricar falsos escândalos com fins político-eleitorais.”
Veja também a nota da defesa de Flávio Bolsonaro:
“A única relação existente entre eles é a de amizade entre as famílias e qualquer tentativa de insinuar irregularidades a partir dessa afinidade pessoal é mera ilação, sem qualquer fundamento nos fatos.
Da mesma forma, o senador nunca manteve conta tendo como usuário master o Sr. Willer Tomaz e nenhuma de suas empresas. Toda e qualquer afirmação nesse sentido é falsa.
Essas insinuações não surgem por acaso. Aparecem agora, em pleno período eleitoral, com um propósito único: espalhar Fake News.”




