Governo Lula prepara pacote de medidas em reação a ataques golpistas

Flavio Dino entregou propostas para análise de Lula e de outros ministérios

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Pacote partiu do Ministério da Justiça e da Segurança Pública, chefiado por Flávio Dino (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

O ministro da Justiça e da Segurança Pública, Flávio Dino, apresentou nesta quinta-feira (26) ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) um pacote de ações jurídicas como resposta aos ataques de 8 de janeiro em Brasília.

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As medidas — dois projetos de lei, uma medida provisória e uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) — preveem a criação de uma guarda nacional responsável pela proteção da Esplanada dos Ministérios e da praça dos três Poderes; a regulamentação das redes sociais, sob o argumento de que é preciso evitar que a internet seja usada para disseminar conteúdos de teor antidemocrático; e o endurecimento de punições para quem atenta contra o Estado democrático de direito. Também está previsto um projeto para reorganizar as competências da segurança pública do Distrito Federal.

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As medidas devem ser apresentadas pelo presidente Lula ao Congresso em resposta aos ataques. No último dia 8, apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) invadiram e depredaram a sede dos três Poderes.

O Ministério da Justiça estuda, por exemplo, punições como a perda de cargo público e impossibilidade de fazer concurso, além da criação de novos tipos penais para quem atentar contra a vida dos chefes dos três Poderes. Em outra frente, o governo do petista quer impor obrigações para big techs reduzirem conteúdo golpista.

Segundo o texto da proposta de lei, as plataformas terão o “dever de cuidado” de impedir que se dissemine conteúdo que peça a abolição do Estado democrático de direito, encoraje a violência para deposição do governo e incite, publicamente, animosidade entre as Forças Armadas e os Poderes.

Em resumo, as propostas apresentadas a Lula tratam dos seguintes temas:

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  • PEC para criação da guarda nacional na segurança do Distrito Federal;
  • Medida provisória para criar regras e estipular multas contra redes sociais que não adotarem medidas para evitar a prática de crimes;
  • Projeto de Lei para aumento de penas contra quem pratica crimes contra o Estado Democrático de Direito e terrorismo;
  • Projeto de Lei para dar agilidade à perda de bens contra quem pratica crimes contra o Estado Democrático de Direito, com foco nos financiadores de atentados.

Dino anunciou o envio das propostas a Lula em entrevista à imprensa. Durante o comunicado, o ministro disse que as regras relacionadas às redes sociais não são consideradas pelo governo uma regulamentação sobre as big techs.

— Não é norma penal, [a medida provisória] só cria regras para as plataformas. Não é regulação da internet, não se confunde com temática das fake news. Do mesmo modo, consideramos que as plataformas terão suas próprias responsabilidades, com a retirada de conteúdos, podendo haver sanções. É algo bem focado exclusivamente em crimes voltados contra o Estado Democrático de Direito e o terrorismo — disse.

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Segundo Dino, as propostas devem ser analisadas por Lula e outras áreas do governo antes do envio, em fevereiro, para o Congresso Nacional.

*Por Cézar Feitoza, Victoria Azevedo e Julia Chaib

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