A campanha para as Eleições 2026 começa uma nova fase nesta sexta-feira (28) com o início da exibição do horário eleitoral gratuito em rádio e TV. Durante 36 dias, os eleitores vão ser expostos a vídeos com os nomes que disputam o governo de Santa Catarina, o Senado, a Presidência da República e os cargos da disputa proporcional (deputado estadual e federal).
No caso da corrida ao governo de SC, somente quatro candidatos terão direito à propaganda no rádio e na TV, que ocorre em dois blocos diários de nove minutos e em inserções de 30 segundos ao longo do dia. Trata-se de Jorginho Mello (PL), João Rodrigues (PSD), Gelson Merisio (PSB) e Ralf Zimmer (PRD).
A campanha desses candidatos planeja aproveitar o espaço em rádio e TV para alavancar ainda mais a divulgação da imagem dos concorrentes perante o eleitorado. Para os primeiros programas, as estratégias envolvem apresentar o postulante aos eleitores e mostrar realizações de suas trajetórias (veja detalhes abaixo).
Os outros quatro concorrentes ao governo de SC não terão direito a esse espaço por serem de partidos sem representação mínima no Congresso, conforme prevê a regra da legislação eleitoral. São eles: Professor Marcus Sodré (PSTU), Marcelo Brigadeiro (Missão), Lais Chaud (UP) e Bruno Pedreiro do PCO (PCO).
Como candidatos de SC vão usar horário eleitoral
Jorginho Mello (PL)
- Tempo de rádio e TV: 3 minutos e 8 segundos
- Inserções de 30 segundos ao longo do dia: de 9 a 10
A campanha de Jorginho Mello (PL) deve utilizar o primeiro programa eleitoral para apresentar novamente o candidato ao eleitor. Os vídeos devem falar da infância humilde no Oeste, da trajetória no antigo Banco do Estado de Santa Catarina (Besc) e em detalhes de como é o governador no dia a dia. Em um segundo momento, a ideia é detalhar entregas do governo e afirmar o que ele pretende fazer em um eventual segundo mandato. Os programas são comandados pelo marqueteiro Fábio Veiga, conhecido por materiais para televisão no período eleitoral.
“O início vai contar um pouco da trajetória dele. De onde ele veio, uma questão mais de apresentação. Embora todo mundo saiba quem é o governador, tem muitas pessoas que vieram morar em SC nesses últimos tempos, inclusive porque o Estado está convidativo por todos os índices que tem, então nós vamos voltar a nos apresentar novamente para o eleitor”, conta o vice-presidente estadual do PL em SC e filho de Jorginho, Bruno Mello.
João Rodrigues (PSD)
- Tempo de rádio e TV: 3 minutos e 11 segundos
- Inserções de 30 segundos ao longo do dia: 10
A campanha de João Rodrigues (PSD) deve utilizar o primeiro programa para uma apresentação da chapa, com um breve histórico pessoal e a trajetória política do candidato a governador e a vice. João tem o maior tempo de TV entre os quatro candidatos. Ele chegou a anunciar que não teria marqueteiro, mas segundo o colunista da NSC, Ânderson Silva, vem atuando com apoio de uma agência que o atende ao longo da trajetória política.
“No caso do João Rodrigues, a carta de visita é a cidade de Chapecó. Portanto, a partir do segundo momento, já traremos os feitos dele pela cidade”, explica o presidente estadual do PSD em SC, Eron Giordani.
Gelson Merisio (PSB)
- Tempo de rádio e TV: 2 minutos e 14 segundos
- Inserções de 30 segundos ao longo do dia: 7
A campanha de Gelson Merisio (PSB) informa que como parte da estratégia não antecipará o conteúdo dos programas. No entanto, projeta que o objetivo da propaganda eleitoral da chapa é debater os dados reais de Santa Catarina. “Sair do mundo da propaganda e mostrar o que de fato foi feito, o que pode ser melhorado e o papel da nossa candidatura nesse cenário”, informou a coligação, em nota.
Ralf Zimmer (PRD)
- Tempo de rádio e TV: 24 segundos
- Inserções de 30 segundos ao longo do dia: de 1 a 2
O candidato Ralf Zimmer (PRD) tem o menor tempo de TV, com apenas 24 segundos. Em razão disso, a aposta é usar o espaço para tentar atrair os eleitores a buscar mais informações sobre a chapa e as propostas na web.
“Como nosso horário de TV e rádio é limitado, nossa estratégia está em buscar chamar atenção para o eleitor pesquisar sobre nossa chapa na internet e nas redes sociais”, explica o candidato Ralf Zimmer.
Quem são os candidatos a governador de SC nas Eleições 2026
A importância do horário eleitoral
A importância da exposição nos horários eleitorais vem sendo alvo de discussões no campo político nos últimos anos. Em SC, Jorginho Mello (PL) foi eleito governador com o quarto menor tempo de TV em 2022 (43 segundos). O dono do maior tempo à época, Gean Loureiro (União), que tinha 2 minutos e 12 segundos, acabou em quarto lugar, fora do 2º turno.
Em 2018, o então Comandante Moisés (à época, PSL) venceu a disputa com apenas sete segundos de horário eleitoral, contra Gelson Merisio (ex-PSD), que à época tinha o segundo maior tempo, com 3 minutos e 12 segundos. No mesmo ano, Jair Bolsonaro venceu a corrida pela Presidência da República com apenas oito segundos.
Em anos anteriores, no entanto, o período de horário eleitoral se mostrou importante nas campanhas vitoriosas de Raimundo Colombo (PSD) e Luiz Henrique da Silveira (PMDB), que foram eleitos e reeleitos entre 2006 e 2014 sempre com o maior tempo de propaganda eleitoral em rádio e televisão, proporcionado por acordos com grandes partidos como MDB, PSDB e PSD, na chamada tríplice aliança.
Ainda que exemplos mais recentes possam indicar que ter mais tempo de propaganda eleitoral não é garantia de vitória, o espaço pode cumprir uma função importante na comunicação das campanhas, avalia o jornalista, analista político e professor da Furb Clóvis Reis. Para ele, rádio e TV permitem que os candidatos sejam vistos por uma parcela mais ampla e diversificada do eleitorado, inclusive por pessoas que não acompanham suas redes sociais. Dessa forma, a propaganda pode ajudar a romper as “bolhas” digitais e apresentar a candidatura a quem ainda não teve contato com ela.
Ele também cita as inserções ao longo do dia como espaços mais eficazes para “surpreender” e alcançar os espectadores.
“O horário eleitoral em rádio e a TV é um meio que eles têm à disposição. E esses meios tradicionais têm a capacidade de reforçar imagens construídas. O telespectador vai vendo o candidato em outros suportes e ali [na propaganda eleitoral] reforça essa imagem”, aponta.








