Justiça anula processo de impeachment contra vice-prefeito de Lages

Decisão aponta que legislação usada pela Câmara é aplicável apenas a prefeitos

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Em abril, a tramitação já havia sido suspensa provisoriamente por liminar (Foto: Reprodução, Redes sociais)

O processo de impeachment contra Jair Júnior (ex-Podemos), vice-prefeito de Lages denunciado por violência doméstica, foi oficialmente anulado pela Justiça. A decisão, assinada pelo juiz Sergio Luiz Junkes, declarou nulos todos os atos do Processo de Impeachment 002/2025, acatando mandado de segurança solicitado pelo próprio vice-prefeito.

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Segundo o advogado de defesa de Jair Júnior, Guilherme Tamanini, o vice-prefeito segue no cargo eletivo, e não chegou a ser afastado durante o processo. A defesa ainda afirmou que “comemora muito essa decisão, porque ela realmente reestabelece a legalidade e o cumprimento do Estado de direito”.

Segundo a sentença, a legislação utilizada como base pela Câmara de Vereadores, o Decreto-Lei 201/1967, trata exclusivamente da responsabilização de prefeitos e não pode ser aplicada a vice-prefeitos que não exerceram, em nenhum momento, a função de chefe do Executivo. No documento, o magistrado reforça que Jair Júnior não assumiu o cargo de prefeito, tampouco praticou atos administrativos como substituto, tornando ilegal o processo movido contra ele.

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Vice-prefeito foi denunciado por violência doméstica

O caso teve início após Jair Júnior ser preso pela Polícia Civil em 22 de março deste ano, acusado de cárcere privado, agressão e perseguição contra a ex-namorada. Ele foi liberado no mesmo dia após audiência de custódia. 

A prisão resultou no afastamento de Jair Júnior da presidência da Secretaria Municipal de Águas e Saneamento (Semasa), cargo que exercia desde o início do ano.

Na Câmara, dois pedidos de impeachment foram apresentados por membros da sociedade civil. Um deles foi arquivado, mas o segundo foi aceito, levando à formação de uma comissão processante. Em abril, a tramitação já havia sido suspensa provisoriamente por liminar. Agora, com a decisão definitiva, o processo está oficialmente encerrado.

Na sentença, o juiz destaca que, mesmo diante da comoção social, o devido processo legal deve ser respeitado. “A responsabilização de agentes públicos, especialmente em procedimentos de natureza política como o impeachment, deve respeitar os limites estabelecidos pela Constituição Federal e pela legislação infraconstitucional, sob pena de se comprometer a legalidade e a segurança jurídica que norteiam o Estado Democrático de Direito”, diz um trecho do documento.

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Em abril, Jair Junior foi denunciado pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) por crimes de lesão corporal praticado duas vezes, cárcere privado, perseguição e invasão a dispositivo informático. Dessa forma, o político se tornou réu em uma ação penal e pode ser julgado pelos crimes. A defesa dele no âmbito criminal foi procurada, mas não retornou até a última atualização desta reportagem.

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