Lula perde força e Flávio Bolsonaro avança nas cidades mais dependentes do Bolsa Família; veja números

Lula caiu de 71,5% para 68,7% dos votos em cidades onde ao menos metade da população recebe Bolsa Família; veja o panorama

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Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) tratam sobre benefícios sociais em seus planos de governo (Foto: Ricardo Stuckert, Divulgação; Patrick Rodrigues, NSC Total)

Votação de Lula cai de 71,5% para 68,7% nos municípios mais dependentes do Bolsa Família nas Eleições 2026. Flávio Bolsonaro cresce de 23,5% para 27,3% no mesmo grupo (Foto: Ricardo Stuckert, Divulgação; Patrick Rodrigues, NSC Total)

Os votos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nos municípios mais dependentes do Bolsa Família caiu de 71,5% nas últimas eleições par para 68,7% este ano Em movimento inverso, Flávio Bolsonaro (PL) avançou de 23,5% para 27,3% de preferência no mesmo eleitorado.

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As informações resultam do cruzamento entre registros populacionais, extratos de pagamentos do Bolsa Família do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) e apurações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) relativas às eleições de 2018, 2022 e 2026. A apuração utilizou os dados mais recentes do programa social, referentes ao mês de agosto deste ano.

TUDO SOBRE A APURAÇÃO DAS ELEIÇÕES 2026 NO NSC TOTAL

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Queda de Lula nas cidades dependentes do Bolsa Família

O desempenho das duas maiores forças políticas do Brasil revela um estreitamento da vantagem governista nas localidades economicamente mais vulneráveis. O eleitorado das cidades de alta dependência do programa concentrou 14,4% do total de votos válidos do país em 2026.

O crescimento do nome do PL nestas localidades acompanha uma trajetória ascendente iniciada em 2018, quando Jair Bolsonaro obteve 18,1% dos votos nesse grupo de municípios, subindo para 23,5% quatro anos depois, até o patamar alcançado por Flávio Bolsonaro em 2026. Ao mesmo tempo, candidaturas de terceira via desidrataram na região, despencando de 17% há oito anos para 4% na eleição atual.

Peso eleitoral das cidades com menor dependência

Os municípios com menos de 25% de beneficiários do Bolsa Família reúnem o maior peso do eleitorado nacional, concentrando 59,1% de todos os votos válidos registrados em 2026. A dinâmica eleitoral neste segmento apresentou flutuações distintas do grupo de alta dependência.

  • Flávio Bolsonaro (PL): atingiu 53,9% dos votos válidos em 2026 nas cidades de baixa dependência. Seu pai, Jair Bolsonaro, havia registrado 53,6% em 2018 e recuado para 50,3% em 2022 nestas mesmas praças.
  • Luiz Inácio Lula da Silva (PT): chegou a 37% dos votos nessas praças em 2026. O número fica abaixo dos 40% alcançados em 2022, mas supera os 20,1% que o Partido dos Trabalhadores obteve no mesmo grupo em 2018.

Impacto do reajuste do Bolsa Família no 1º turno

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou a elevação do piso do Bolsa Família de R$ 600 para R$ 691 faltando exatamente 17 dias para votação do primeiro turno das Eleições 2026. O reajuste de 15% do Bolsa Família, através do Decreto nº 13.120, projetou o benefício médio mensal de R$ 675 para R$ 777, com liberação na folha de pagamentos de outubro.

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A medida repete a estratégia observada nas Eleições 2022. Naquela ocasião, o governo de Jair Bolsonaro ampliou o valor do antigo Auxílio Brasil de R$ 400 para R$ 600 por meio de aprovação parlamentar na reta final da campanha eleitoral.

Análise descarta vínculo direto entre benefício e voto

O cruzamento dos dados de votação por município com o volume de transferência de renda não prova que o recebimento do Bolsa Família determina a escolha na urna, neste caso, entre o presidente Lula e o Senador Flávio Bolsonaro. Segundo o Núcleo de Dados Eleitorais (2026), esse tipo de análise mede agregados populacionais em nível municipal e, por isso, não permite estabelecer uma relação causal sobre a decisão individual do eleitor.

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O cientista político Danilo Medeiros, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), pondera que a transferência de renda se consolidou na percepção pública como um direito social garantido por lei. Em entrevista ao UOL, ele afirma que essa mudança de visão desvincula a transferência de renda da obrigação de voto em um padrinho político específico, o que explica por que medidas de ampliação de valores do Bolsa Família não se traduzem automaticamente em fidelidade eleitoral nas urnas.

O professor explicou ao UOL:

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O entendimento vai mudando de um simples benefício para um direito adquirido, conquistado. Ao mesmo tempo, isso não não impede que uma parcela desses beneficiários respondam na hora do voto, premiando aquele aqueles que trabalharam para esse direito.

FOTOS: Os candidatos que concorreram à presidência da República em 2026

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*Sob supervisão de Luiz Daudt Junior.