Alexandre Grendene Bartelle movimentou R$ 3 milhões e mudou o topo da lista de quem mais injeta dinheiro do próprio bolso nas eleições de 2026. O movimento do empresário mostra a estratégia de grandes executivos que querem impulsionar candidaturas específicas logo no início da disputa.
FOTOS: Regras do Jogo
Para onde foi todo esse dinheiro
O investimento milionário de Alexandre Grendene, cofundador da gigante dos calçados, foi dividido para apoiar dois caminhos políticos bem diferentes. A maior parte, um cheque de R$ 2,5 milhões, foi direto para a campanha de Luciano Zucco (PL) ao governo do Rio Grande do Sul. Esse valor não é apenas o maior desta disputa até agora. Trata-se da maior doação individual que um único candidato já recebeu de uma pessoa física na história das eleições brasileiras desde que o STF proibiu o financiamento por empresas, em 2015.
O restante, uma quantia de R$ 500 mil, seguiu para o projeto político de Ciro Gomes (PSDB), que concorre ao governo do Ceará.
O Rio Grande do Sul é o estado natal de Alexandre Grendene e abriga a sede administrativa da calçadista. Já o Ceará concentra a sede social e o principal polo fabril da empresa, com destaque para a grande unidade instalada no município de Sobral.
A atuação em dupla do irmão gêmeo, Pedro Grendene
O cenário financeiro da família se completa com Pedro Grendene Bartelle. Irmão gêmeo e sócio de Alexandre, Pedro replicou o movimento e injetou mais R$ 500 mil na candidatura de Ciro Gomes (PSDB) ao governo do Ceará. Com esse apoio em dose dupla, as doações da família Grendene para o tucano cearense já somam R$ 1 milhão. Além do front nordestino, Pedro também destinou R$ 200 mil para impulsionar a campanha de Fabiano Feltrin (PL) a deputado estadual no Rio Grande do Sul.
Quem ocupa o segundo lugar do ranking
Para fins de comparação, o segundo lugar da lista de maiores doadores do país até o momento pertence ao advogado e ex-ministro Fabiano Augusto Martins Silveira. Ele repassou R$ 2 milhões ao diretório estadual do MDB na Paraíba, ficando logo atrás do investimento milionário de Alexandre Grendene.
A lei permite esse tipo de doação
Como a regra do jogo mudou há alguns anos, as empresas e os CNPJs estão completamente proibidos de financiar candidatos. Por isso, todo o dinheiro privado que entra nas campanhas hoje precisa sair obrigatoriamente da conta bancária de pessoas físicas. Só que ninguém pode doar o quanto quiser, porque a lei fixa um teto claro para evitar exageros. Cada cidadão tem o limite máximo de doar até 10% de tudo o que declarou como rendimento bruto à Receita Federal no ano anterior. Quem passar dessa linha ou receber valores irregulares pode enfrentar multas pesadas e problemas na Justiça Eleitoral.
O Fundo Eleitoral ainda banca a maior parte da conta
Mesmo que um cheque de R$ 3 milhões assuste pelo tamanho, o dinheiro privado hoje funciona mais como um empurrão extra. O verdadeiro motor financeiro dos partidos continua sendo o Fundo Eleitoral, abastecido com verba pública. Ele é quem banca a verdadeira fatia leão da corrida pelo voto no país inteiro.
O ritmo do dinheiro privado daqui para frente
A expectativa é que esses grandes movimentos financeiros ditem o ritmo dos repasses privados para os candidatos em todo o país nas próximas semanas, sempre sob o teto dos 10%. A transparência dessas movimentações pode ser acompanhada publicamente por meio da plataforma DivulgaCandContas, em que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) atualiza diariamente as receitas e despesas de todas as campanhas registradas para o pleito de 2026.
*Com edição de Nicoly Souza





