Moraes diz que big techs devem responder por conteúdo monetizado e impulsionado

O magistrado participou de eventos na USP e na Fundação FHC

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alexandre de moraes

Ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes afirmou nesta sexta-feira (31) que irá sugerir ao Congresso que as big techs sejam responsabilizadas por todo conteúdo monetizado e impulsionado. Segundo ele, essa proposta muda a ideia de que as plataformas são só intermediárias.

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As medidas se inserem em sua visão de que as plataformas devem ser tratadas como empresas de mídia e não de tecnologia. Ele disse que as plataformas foram cooperativas na eleição do ano passado, dentro da visão delas do negócio, mas que há total irresponsabilidade.

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Ao tratar do tema dos ataques à democracia nos últimos anos, Moraes também criticou condutas do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), do partido dele, o PL, da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e de autoridades que permitiram por meses a manutenção de acampamentos golpistas na frente de quartéis pelo país.

O ministrou abordou os assuntos em dois eventos na capital paulista, um sobre a democracia e plataformas digitais, na Faculdade de Direito da USP, da qual é professor, e outro sobre o STF e a defesa da democracia, na Fundação FHC.

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No começo da manhã, ao falar sobre as big techs na USP, Moraes disse que “o que ocorre hoje é uma total irresponsabilidade dos que levam a notícia para milhares de pessoas”.

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— Dia 8 de janeiro é o grande exemplo de instrumentalização das redes. Várias medidas já eram de destruição e deixaram proliferar.

Segundo Moraes, no ano passado o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) esperou “até o limite” o Congresso agir em relação à proliferação de notícias falsas. Como isso não ocorreu, o tribunal agiu com resolução que aumentou seus poderes para a retirada de conteúdos.

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Ele também quer que a inteligência artificial, já é usada para rastrear pedofilia, por exemplo, sirva para barrar automaticamente postagens de incitação à violência, racismo e nazismo, entre outros.

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— Não podemos deixar de regulamentar senão fica só a decisão extrema que é tirar do ar. É 8 ou 80. Como foi com o Telegram.

Ele lembrou que a rede se recusava a responder à Justiça brasileira, o que o levou a bloqueá-la. O bloqueio foi revertido após a rede social responder ao Supremo.

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— O Telegram por um tempo se recusou a aceitar convite de reunião no TSE. Se recusava a cumprir ordem judicial brasileira dizendo que era imune à jurisdição nacional porque era em Dubai a sua sede. Ótimo. O que eu fiz? Bloqueio. Acabou o Telegram. 53 milhões de pessoas que usavam iam ficar muito felizes comigo. Iam se somar às outras 50 milhões que já são felizes comigo.

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Outro ponto que Moraes levará ao Congresso é que todos os conteúdos idênticos a outros que já tenham sido derrubados sejam automaticamente excluídos das redes. A medida já estava prevista na resolução do TSE publicada durante a eleição.

As propostas sugeridas por Moraes foram elaboradas no âmbito de um grupo de trabalho sobre o tema no TSE e devem ser enviadas ao Congresso no próximo dia 17 ou 18, afirmou o ministro.

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Moraes afirmou que a regulamentação das redes não precisa ser extensa. Bastaria, em sua avaliação, que o que já é proibido no mundo real seja proibido também no virtual.

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Ao falar do direcionamento de anúncios a partir de conversas dos usuários, ele afirmou que já acorda partindo do pressuposto de que está sendo gravado e, por isso, só fala o que pode ser gravado.

O ministro disse ainda que o discurso de que o Judiciário quer limitar liberdade de expressão é uma narrativa constante da extrema direita no mundo todo porque é um discurso fácil.

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O tema tem sido debatido pelo STF, que promoveu nesta semana audiência pública sobre o Marco Civil da Internet.

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— [A pessoa diz] só tô falando que eu quero acabar com a democracia, matar meus inimigos destruir o prédio do STF. Por que eu não posso falar isso? — disse o ministro. — É uma lavagem cerebral constante e isso tem métodos.

Em seguida, na Fundação FHC, Moraes afirmou que militantes da extrema direita no Brasil e em outros países atacaram a democracia nos últimos dias buscando atingir três pilares do estado democrático de direito: a liberdade de imprensa, as eleições livres e o Judiciário independente.

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Segundo o ministro, foi “patético” o ato do então presidente da República e candidato à reeleição Jair Bolsonaro de tentar “melar” as eleições ao apresentar uma ação à Justiça Eleitoral apontando supostas irregularidades em inserções de propaganda eleitoral em rádios.

Moraes usou o mesmo adjetivo para qualificar a ação judicial proposta pelo partido de Bolsonaro, o PL, para questionar a segurança das urnas eletrônicas usadas no segundo turno de 2022. De acordo com ele, foi uma “manobra patética do PL”.

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O ministro rebateu críticas à abertura do chamado inquérito das fake news, sem que tivesse ocorrido pedido do Ministério Público Federal, que em regra tem a prerrogativa de requerer o início de investigações na corte. Afirmou que a medida foi um “acerto histórico” do STF e que um dos principais motivos da abertura foi a inoperância da Polícia Federal, sob a gestão Bolsonaro, em apurar os ataques a ministros do tribunal que ocorriam à época.

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A condução da PRF na gestão anterior também foi abordada pelo ministro, que lembrou o fato de a corporação ter feito operações nas estradas no dia das eleições e ter permitido bloqueios de caminhoneiros pelo país.

Quanto ao fato de autoridades terem aceitado a manutenção de acampamentos golpistas na frente de quartéis, até o começo do atual governo, Moraes disse que, mais que um erro, “foi omissão que está sendo investigada”.

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*Reportagem por Angela Pinho e Flávio Ferreira

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