A tentativa de reeleição do deputado federal Hugo Motta (Republicanos-PB) para a presidência da Câmara dos Deputados deve enfrentar resistência, ao menos no que depender de parte da bancada catarinense. Ao menos seis dos 16 deputados federais de SC eleitos em outubro indicaram que não pretendem apoiar a candidatura de Motta à presidência da Câmara.
A reportagem do NSC Total fez contato com as assessorias dos 16 deputados federais eleitos. São eles que poderão votar em quem será o novo presidente da Câmara, em 1º de fevereiro de 2027, quando também tomam posse para a nova legislatura. Dos 13 que responderam aos contatos, seis indicaram em alguma medida uma resistência a apoiar a candidatura de Hugo Motta, por enquanto o único candidato pré-estabelecido para a mesa diretora da Câmara. Outros três informaram que pretendem votar a favor da reeleição de Hugo Motta, e quatro seguem acompanhando as discussões.
Quem são os deputados federais eleitos de SC
Disputa antecipada na Câmara
Embora a eleição esteja marcada apenas para fevereiro, as disputas por apoio já começaram logo após o fim do 2º turno da eleição presidencial. O principal motivo é justamente o crescimento da PL, que elegeu 99 deputados federais há quatro anos e desta vez conquistou 121 cadeiras, ampliando a maioria no parlamento. O fortalecimento do PL na Câmara fez Hugo Motta adiantar os contatos com os outros partidos para tentar formar uma rede de apoio e encaminhar a reeleição para a presidência da Casa.
O arranjo em favor de Hugo Motta atraiu partidos como PT, PV e PCdoB, em articulação liderada pelo deputado federal catarinense Pedro Uczai (PT), líder do PT na Câmara, teve como interesse garantir governabilidade a Lula no quarto mandato e também tentar isolar o PL, diminuindo a força do partido que elegeu 121 representantes para o parlamento. O apoio do grupo ligado a Lula se somou aos partidos do Centrão, que já haviam anunciado apoio à reeleição de Hugo Motta.
O dilema do PL
O PL vive um dilema entre apoiar Motta e conseguir manter espaços importantes no Legislativo, com comissões como a de Constituição e Justiça (CCJ), considerada a mais importante da Câmara, apesar de fazer parte do mesmo arranjo que terá partidos como o PT. A alternativa seria lançar um candidato próprio, mas correr o risco de perder e ficar isolado, sem o comando das principais comissões.
No Senado, o partido já decidiu lançar a candidatura de Rogério Marinho (PL-RN), anunciada nesta quarta-feira (4), para enfrentar o atual presidente Davi Alcolumbre (União-AP), que deve ter o apoio de partidos do Centrão e de partidos ligados ao presidente Lula (PT). Na Câmara, no entanto, a sigla ainda enfrenta o dilema entre qual caminho tomar.
A posição dos catarinenses
Entre os catarinenses, no entanto, a resistência ao apoio a Hugo Motta parece ser a tônica para parte da bancada. A maioria dos deputados respondeu que está aguardando reuniões dos partidos previstas para essa semana antes de tomar as decisões. No entanto, uma pré-condição para alguns deles acompanharem a decisão é de que a escolha não seja por apoiar a reeleição de Hugo Motta.
Este é o caso, por exemplo, do deputado federal eleito Sargento Lima (PL), do reeleito Pezenti (MDB) e de Zé Trovão (PL) — este último chegou a anunciar que pode pode até se lançar como candidato à presidência da Câmara.
Gilson Marques (Novo) também anunciou que não irá votar nem apoiar Hugo Motta. O partido dele, o Novo, já anunciou que pretende lançar candidato próprio, nome que deve ser apoiado por Gilson. A candidatura própria do partido também é defendida por Daniela Reinehr (PL), que, embora não refute nominalmente o apoio a Motta, defendeu claramente que o partido tenha candidatura própria à mesa diretora da Câmara.
Os deputados Daniel Freitas (PL) e Júlio Garcia (PSD) informaram que ainda pretendem aguardar as posições do partido. A única eleita de SC que confirmou que pretende apoiar a reeleição de Hugo Motta é Giovana Mondardo (PCdoB). Ela confirma que a decisão busca isolar o PL, apoiando a candidatura de Motta ao lado de outros partidos do campo democrático. Pedro Uczai (PT), líder do PT na Câmara, e Ana Paula Lima (PT), que também representam a base de apoio de Lula, confirmaram que também irão apoiar Motta.
Confira abaixo os posicionamentos de cada deputado federal eleito de SC:
CONTRÁRIOS AO APOIO A MOTTA
- Júlia Zanatta (PL)
A deputada federal reeleita e recordista de votos fez uma live de 1h esta semana explicando as consequências de apoiar ou não a reeleição de Hugo Motta. Ela falou sobre as implicações como o risco de perder o espaço em comissões importantes e também sobre o risco de desagradar eleitores da base bolsonarista. Em uma mensagem na rede social X, no entanto, Zanatta adiantou que “não tem motivo algum para votar em Hugo Motta”, acusou o deputado de não cumprir compromissos básicos e defendeu que “o PL deveria lançar um candidato para pelo menos bagunçar o jogo e não se render tão facilmente”.
- Sargento Lima (PL)
A assessoria do deputado informou que os deputados eleitos e reeleitos vão discutir o assunto na próxima semana e que Lima vai discutir e votar com o partido, mas “DESDE QUE O NOME não seja o de Hugo Motta”.
- Pezenti (MDB)
A assessoria informou que o deputado ainda não sabe o nome de quem apoiará, mas que já pode adiantar que “no Hugo Motta, não será”.
- Gilson Marques (Novo)
O deputado divulgou a nota assinada pela bancada do Novo informando que ele e a bancada do partido não apoiarão “em nenhuma hipótese” a reeleição de Hugo Motta à Presidência da Câmara. O partido vai lançar uma candidatura própria, com candidato ainda não definido, mas cujo nome deve ser apoiado por Gilson Marques, em defesa de “independência do Poder Legislativo” e “respeito às prerrogativas parlamentares”.
- Daniela Reinehr (PL)
A deputada informou via assessoria defender que “o PL deva ter candidatos próprios tanta à presidência do Senado quanto à presidência da Câmara”. Apesar de não deixar claro a rejeição a um possível apoio a Hugo Motta, a defesa por candidatura própria do PL na prática representa que ela também é contrária a uma possível aliança com o atual presidente, já que um eventual candidato do PL seria adversário direto de Motta na eleição de fevereiro.
- Zé Trovão (PL)
A equipe do deputado divulgou nota afirmando que o parlamentar não irá apoiar a reeleição de Hugo Motta e cogita até mesmo se lançar como candidato à presidência da Câmara. Confira: “O deputado Zé Trovão (PL-SC) não apoiará uma reeleição de Hugo Motta e poderá até lançar sua própria candidatura à Presidência da Câmara dos Deputados, caso o PL não apresente um nome próprio ou alinhado às causas defendidas pela direita para disputar o comando da Casa”.
NO AGUARDO
- Daniel Freitas (PL)
A assessoria do deputado Daniel Freitas (PL) divulgou nota afirmando que ele vai aguardar uma reunião dos deputados federais eleitos do partido, prevista para a próxima semana. ” Neste momento, não há nada definido e quaisquer manifestações são meramente especulativas”, informou, em nota.
- Júlio Garcia (PSD)
A assessoria do deputado informou que ele está aguardando o posicionamento do partido em nível nacional e que pretende seguir a posição da legenda e a orientação da bancada do PSD. Ele deve conversar com o líder do PSD na Câmara nas próximas semanas, em Brasília.
- Zé Milton (PP)
O deputado federal eleito informou via assessoria que ainda não tem uma definição e que está acompanhando as conversas sobre o tema.
- Geovania de Sá (Republicanos)
A parlamentar informou via assessoria que ainda não tem uma definição e que está acompanhando as conversas sobre o tema.
APOIO A HUGO MOTTA
- Ana Paula Lima (PT)
A assessoria da deputada reeleita informou que ela “acompanhará a decisão da bancada do PT, que já se reuniu e definiu apoio à candidatura de Hugo Motta”.
- Pedro Uczai (PT)
Líder da federação Brasil da Esperança na Câmara, que reúne PT, PV e PCdoB, Uczai ajudou a construir o apoio desses partidos à reeleição de Hugo Motta e confirmou via assessoria que votará pela permanência do atual presidente no cargo.
- Giovana Mondardo (PCdoB)
A assessoria da deputada federal eleita informou que os partidos do chamado campo democrático, que reúne legendas de esqurda como PT e PCdoB, do centro e da centro-direita na Câmara decidiram apoiar a candidatura de Hugo Motta no intuito de isolar o PL. ” A federação, composta pelo PT, PCdoB e PV já fechou questão sobre esse direcionamento. O rumo só muda se o PL decidir apoiar Hugo Motta, o que não parece se concretizar”, informou a futura parlamentar, em nota.
NÃO RESPONDERAM ATÉ A PUBLICAÇÃO
- Jair Renan Bolsonaro (PL), Paulinha (Podemos) e Ricardo Guidi (PL).
















