Operação Mensageiro: Prefeito de Papanduva recebeu propina ao lado de igreja, diz MP

Luiz Henrique Saliba virou réu no processo que apura irregularidades no serviço de coleta de lixo em cidades de SC

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Prefeito foi preso durante a Operação Mensageiro (Foto: Redes sociais/Divulgação)

Prefeito foi preso durante a Operação Mensageiro (Foto: Redes sociais/Divulgação)

O prefeito de Papanduva, Luiz Henrique Saliba (PP), teria recebido R$ 400 mil em propina, que teriam sido pagas em encontros realizados próximo à Igreja Matriz do município, segundo o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC). Ele, que está afastado do cargo e segue preso preventivamente, virou réu nesta quinta-feira (13), após o Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) aceitar a denúncia da promotoria. O Propinoduto do Lixo vem sendo considerado o maior escândalo de corrupção da história catarinense.

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O chefe do executivo teria ingressado na organização criminosa no começo de 2018, segundo a denúncia do MP à qual o NSC Total teve acesso. Na época, o contrato que o município tinha com a Serrana para o serviço de coleta e destinação final de lixo estava prestes a vencer. O prefeito, então, teria sido procurado por um dos representantes da empresa não só para discutir a renovação do contrato, mas também definir um valor fixo de propina, afirma o documento.

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Com isso, de acordo com o MP, um funcionário da Serrana (empresa considerada a pivô do escândalo do lixo) teria prometido ao prefeito o pagamento de R$ 10 mil por mês, para que o “gestor público, usando seu poder de mando, agisse de forma a favorecer a recontratação da Serrana e, na execução do contrato, passasse a laborar em prol dos interesses privados desta”.

A empresa venceu a licitação na qual, na proposta de preço, já contava os valores a serem pagos em propinas, conforme a promotoria. A investigação identificou que Saliba teria recebido os valores em ao menos oito oportunidades, o que gerou um total de R$ 440 mil.

“Repita-se que, desempenhando seu papel corrupto, na condição de Chefe do Executivo e ordenador de despesas, SALIBA fez lançar em nome do Município de Papanduva o Processo Licitatório n. 61/2018 – Tomada de Preços n. 0002/2018, de antemão direcionado, como ele próprio sabia, para favorecimento da contratação do Grupo Serrana para serviços de gerenciamento de resíduos sólidos, a partir de expedientes e ajustes para a fraude da competição licitatória (a própria minuta do Edital foi confeccionada e fornecida pela empresa contratada), que culminaram no Contrato Administrativo n. 44/2018”, diz um dos trechos.

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Encontros ocorriam em clínica e próximo à igreja

O documento aponta, ainda, que os encontros entre Saliba e o mensageiro eram breves e teriam ocorrido em ao menos dois lugares: em um ponto próximo à Igreja Matriz de Papanduva e na clínica do prefeito, que é médico.

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A primeira vez que Saliba teria recebido a propina, conforme o MP, foi em agosto de 2018. O encontro foi em uma rua lateral à igreja, onde ele recebeu do “mensageiro” um envelope pardo com o dinheiro. Ainda segundo a promotoria, não havia uma data fixa para os encontros, que sempre aconteciam por meio de agendamento prévio feito por telefone.

“Cumpre destacar, a esta altura, que a oferta/recebimento do “dinheiro sujo” não tinha uma periodicidade estanque (não raro albergando, portanto, várias parcelas mensais de dez mil reais), sendo os correlatos encontros marcados mediante prévio contato telefônico entre […] e SALIBA e seguidos de deslocamentos do “Mensageiro” à Papanduva para a concretização do ato”, diz o documento.

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Ainda segundo a denúncia, o último encontro entre o mensageiro e o prefeito ocorreu em 22 de março.

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“[…] ofereceu repetidas vezes vantagens indevidas que, mesmo podendo ser negadas ou interrompidas a qualquer instante, foram sucessivamente recebidas pelo Prefeito Municipal LUIZ HENRIQUE SALIBA, para a prática de atos de ofício em vantagem à empresa Serrana nas relações contratuais com o Município de Papanduva, inclusive infringindo seu dever funcional”, afirma o documento do MP.

Luiz Henrique Saliba foi denunciado por organização criminosa e nove vezes por corrupção passiva. Em nota, o advogado de defesa do prefeito de Papanduva, Manolo Rodriguez Del Olmo, informou que a denúncia já era esperada e que o prefeito irá provar sua inocência no decorrer do processo.

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“O recebimento da denúncia requer menos indícios do que a decretação de prisão preventiva. Considerando que ele está preso preventivamente desde 06 de dezembro de 2022 por indícios que o Juízo entendeu presentes, era previsível que a denúncia fosse recebida. Ao menos agora ele pode se defender no âmbito da ação penal. Provará sua defesa e será absolvido”, diz a nota.

A Serrana informou, por nota, que “os fatos imputados à empresa na Operação Mensageiro não possuem relação com a qualidade da prestação dos seus serviços aos municípios e a população”, que “deu início à implantação de programas de integridade e regulação interna” e segue colaborando com as investigações. (veja a nota na íntegra abaixo)

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Operação Mensageiro

A investigação do Propinoduto do Lixo começou há pouco mais de um ano e é coordenada pela Subprocuradoria-Geral de Justiça para Assuntos Jurídicos do MPSC. Ela apura suspeitas de fraude em licitação, corrupção ativa e passiva, organização criminosa e lavagem de dinheiro no setor de coleta e destinação de lixo em diversas regiões de Santa Catarina.

Ao todo, sete prefeitos foram presos durante as três fases da Operação. São eles: Deyvisonn Souza (MDB), de Pescaria Brava; Luiz Henrique Saliba (PP), de Papanduva; Antônio Rodrigues (PP), prefeito de Balneário Barra do Sul; Marlon Neuber (PL), prefeito de Itapoá; Antônio Ceron (PSD), prefeito de Lages; Vicente Corrêa Costa (PL), prefeito de Capivari de Baixo; e Joares Ponticelli (PP), prefeito de Tubarão.

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Todos, com exceção do prefeito de Lages, que cumpre prisão domiciliar, seguem detidos preventivamente.

Confira a nota na íntegra:

“O Grupo Serrana informa que tem o histórico de mais de 30 anos de excelente execução dos contratos administrativos e todos os fatos imputados à empresa na Operação Mensageiro não possuem relação com a qualidade da prestação dos seus serviços aos municípios e a população.

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A empresa, ciente da importância de rever seus processos internos, e da relevância do trabalho que presta no âmbito ambiental e social, deu início à implantação de programas de integridade e regulação interna, para seguir prestando serviços de qualidade e responsabilidade em todo país.

O Grupo informa, ainda, que segue colaborando e acompanhando os trâmites de todos os processos relacionados à Operação Mensageiro“.

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