Os acordos sobre minerais críticos e IA que Lula deve assinar nesta terça-feira na Índia

Presidente embarca para o país nesta terça-feira (17); na sequência, ele segue para a Coreia do Sul

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Lula

Viagem ocorre após o presidente Lula acompanhar o Carnaval no Brasil (Foto; Ricardo Stuckert, PR)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) embarca nesta terça-feira (17) para a Índia, onde deverá firmar acordos estratégicos sobre minerais críticos e Inteligência Artificial (IA). A viagem integra uma série de compromissos internacionais do petista, que, logo depois, segue para a Coreia do Sul, onde cumpre agenda oficial voltada para o fortalecimento das relações econômicas e diplomáticas entre os dois países. Com informações do g1.

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Lula fez a viagem após acompanhar as festividades do Carnaval no Brasil, incluindo o desfile da Acadêmicos de Niterói, no Carnaval do Rio de Janeiro, em sua homenagem. O gesto foi alvo de polêmicas, e o petista foi duramente criticado por políticos de direita.

Veja fotos do desfile

Lula participa de cúpula sobre IA na Índia

Na Índia, nesta terça-feira, Lula participa da “Cúpula Sobre o Impacto da Inteligência Artificial”, evento que dá seguimento ao processo iniciado no Reino Unido em 2023. A cúpula, que ocorre anualmente, tem como objetivo refletir sobre as diversas dimensões da IA, com foco principal em governança.

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Além da cúpula, também estão previstas na agenda de Lula uma visita oficial e a abertura do escritório da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) no país, o que deve gerar também demandas de empresários brasileiros interessados em fortalecer a presença comercial na região.

Durante a visita, os líderes dos dois países devem discutir temas estratégicos para ambos, considerando que Brasil e Índia são nações emergentes, com grandes populações e enfrentam desafios semelhantes. Entre os tópicos que devem dominar as conversas, estão:

  • Inteligência Artificial;
  • Minerais críticos — minerais estratégicos para o setor tecnológico. No caso do Brasil, riquezas como o lítio e o nióbio;
  • Atuação nos Brics — bloco econômico que reúne Brasil, Índia, China, Rússia e outros sete países.

Acordo sobre minerais críticos é inédito para o Brasil

Em breve, Brasil e Índia devem assinar um memorando de entendimento sobre minerais críticos, documento que alinha as perspectivas dos dois países sobre o tema e traz orientações sobre ações futuras.

O acordo visa compartilhar experiências e marca o início de um processo para explorar as potencialidades do setor e estabelecer uma “negociação conjunta mais estratégica”.

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Até o momento, o Brasil, que possui a segunda maior reserva de minerais raros do mundo, não firmou acordos semelhantes com nenhum outro país.

De acordo com diplomatas, o tema está sendo tratado com cautela, para preservar o peso e a liderança do Brasil no assunto. Por isso, a estratégia brasileira é não garantir exclusividade a nenhum país, mantendo a posição de dialogar com todas as nações interessadas na questão.

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Dentro do governo, é analisada a possibilidade de criar o “Conselho de Minerais Críticos” para fortalecer o diálogo entre as políticas mineral, industrial, comercial e legislativa sobre o tema, ainda considerado recente no cenário global.

Internacionalistas avaliam que a China domina atualmente a tecnologia de processamento desses minerais, enquanto outros países buscam acelerar esforços para reduzir a dependência e avançar em capacidades próprias. Dessa forma, o conselho seria uma forma de articular estratégias nacionais e posicionar o Brasil de maneira mais proativa nesse contexto estratégico.

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Brasil e Índia devem aprofundar diálogo sobre IA

Além da Cúpula de Inteligência Artificial, Brasil e Índia devem aprofundar o diálogo sobre o tema. Ambos países vêm avançando na digitalização de serviços públicos e pretendem trocar experiências sobre governança digital.

Lula tem manifestado preocupação com questões como deepfakes (criar ou alterar fotos, vídeos ou áudios através do uso de inteligência artificial), algoritmos e vieses de discriminação.

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Segundo embaixadores, esses temas devem orientar o posicionamento brasileiro tanto na Cúpula de Inteligência Artificial quanto nas conversas bilaterais com a Índia.

Quarta visita de Lula à Índia

O Brasil e a Índia são membros fundadores do Brics, grupo formado também pela Rússia, China e África do Sul.

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Como grandes economias emergentes, ambos buscam, dentro do bloco, fortalecer a cooperação econômica, tecnológica e política entre países do Sul Global, além de preservar autonomia frente a potências tradicionais.

A viagem também é uma retribuição da visita oficial feita por Narenda Modi, primeiro-ministro da Índia, em julho do ano passado ao Brasil. No último ano, o país avançou na parceria com Índia em temas como saúde, turismo, tarifas e energia.

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Essa será a quarta visita de Lula à Índia, sendo a segunda no atual mandato. A primeira ocorreu em 2004, durante o primeiro governo Lula, quando participou como convidado das celebrações do Dia da Independência da Índia. A segunda visita foi em 2007, em contexto de visita de Estado.

Além de ter recebido o primeiro-ministro Modi em julho, o presidente Lula já se encontrou com ele quatro vezes nos últimos três anos:

  • Em 21 de maio de 2023, a margem da cúpula do G7 em Hiroshima;
  • Em 10 de setembro de 2023, a margem da cúpula do G20 em Nova Delhi;
  • Em 21 de junho de 2024, na cúpula do G7 na Itália;
  • Em 19 de novembro de 2024, a margem da cúpula do G20 no Rio de Janeiro.