A taxa de ausência nas urnas nas eleições municipais de 2024 acendeu um alerta no Brasil. No segundo turno daquele ano, o índice de abstenção alcançou 29,26%, o equivalente a cerca de três em cada dez pessoas aptas a votar. Os números são do Portal de Dados Abertos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O total de faltantes, que se somou ao cenário do primeiro turno, representou o segundo maior para as eleições municipais desde o ano 2000. O resultado ficou atrás somente do pleito de 2020, que foi realizado na pandemia. E em ano de eleições gerais, o perfil do eleitor faltante e as razões do absenteísmo voltam à pauta da Justiça Eleitoral. Fatores como custo do transporte e facilidade em justificar, além de questões cívicas e desilusão política, podem ajudar a explicar o cenário. Os dados indicam ainda que a ausência de eleitores foi maior em estados do Sul e Sudeste, concentrando-se em faixas etárias jovens e de menor renda.
FOTOS: O alerta em ano eleitoral após pleito com alta abstenção no Brasil
As capitais e o recorde de ausência nas metrópoles
Nas grandes cidades, a ausência de eleitores registrou índices elevados no último pleito municipal, o que liga um sinal de atenção em ano de eleições gerais. No primeiro turno, em 2024, Porto Alegre liderou o percentual entre as capitais, com 31,51% de abstenção, seguida por Florianópolis (28,05%) e Curitiba (27,74%).
Na segunda etapa de votação, a capital gaúcha viu o número saltar para 34,83%, somando 381.965 faltantes. Em São Paulo, o número de eleitores faltantes no segundo turno foi de 2,94 milhões. Em Belo Horizonte, as ausências e votos inválidos ultrapassaram 37% do eleitorado apto.
O contraste regional entre o Sudeste e o Nordeste
No recorte por estados, Goiás apareceu no topo do índice de não comparecimento em etapas da disputa, marcando 34,43%. Estados da Região Sudeste e Sul, como Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Rio de Janeiro, também apresentaram índices acima da média nacional de ausência.
Em contrapartida, o Nordeste registrou maior presença de eleitores nas urnas durante o primeiro turno. O Ceará teve a menor taxa de abstenção do país, com 14,21%, seguido por Piauí (14,78%) e Paraíba (15,42%). Em Fortaleza, a abstenção de 15,52% no primeiro turno foi a menor registrada na capital cearense desde 2012.
Perfil do eleitor que falta e razões do absenteísmo
Levantamentos sobre comportamento eleitoral e dados do Tribunal Eleitoral indicam que a abstenção varia conforme o perfil do cidadão. As maiores taxas de ausência tendem a se concentrar em faixas etárias jovens e entre pessoas com menor escolaridade ou renda.
Além de questões cívicas e da desilusão política, estudos sugerem que fatores logísticos podem influenciar a decisão do eleitor, como:
- Custos de transporte;
- Dificuldades de deslocamento;
- A praticidade de justificar a ausência pelo aplicativo E-Título.
A diferença técnica entre os grupos é a seguinte:
- Abstenção: é o não comparecimento às urnas. Ou seja, não há o registro de voto.
- Votos brancos e nulos: ambos são registrados por quem compareceu às urnas, mas optou por não escolher nenhum candidato.
*Com edição de Luiz Daudt Junior.



