PF aponta que plano golpista temia prisão de Bolsonaro e planejou fuga com uso de armas

Arquivos de notebook de Mauro Cid continham informações sobre ajuda para tirar presidente do país em caso de conflito com STF

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Bolsonaro

Bolsonaro tinha plano de fuga em caso de conflito com STF ou golpe frustrado (Valter Campanato)

A investigação da Polícia Federal sobre a tentativa de golpe após as eleições 2022 revelou que militares teriam organizado um plano de fuga para o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

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Originalmente, o plano começou a ser elaborado em setembro de 2021, após Bolsonaro fazer um discurso com ataques ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, durante um ato no feriado de 7 de setembro. Depois disso, um plano adaptado da doutrina militar foi elaborado para evasão e fuga do então presidente do país, caso o ataque ao Judiciário e ao regime democrático colocasse a liberdade dele em risco.

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Dados do notebook do ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, o tenente-coronel Mauro Cid, identificaram uma apresentação de slides elaborada ainda em março que previa o uso do dispositivo chamado de RAFE/LAFE. Para os investigadores, as expressões seriam siglas do glossário de termos e expressões do Exército e significaria “Rede de Auxílio à Fuga e Evasão” e “Linha de Auxílio à Fuga e Evasão”. Os dois métodos seriam estratégias militares para retirar aliado de território ocupado por inimigos.

Veja as mensagens do plano de fuga de Bolsonaro

Plano antecipava possíveis embates com STF

Inicialmente, o documento prevê os planos de fuga em três possíveis cenários: “STF interfere no Executivo”, “STF cassa a chapa para 22” e “STF (TSE) barra a PEC aprovada pelo Congresso do voto impresso”. A apresentação expõe a hipótese de o então presidente decidir não cumprir decisão do STF, e não receber apoio formal do Exército. Nesse caso, haveria três ações previstas para proteger Bolsonaro.

A mais extrema delas seria uma estratégia para, nas palavras da apresentação de Mauro Cid, “exfiltrar o Pr para fora do país”. Para isso, o plano previa que fossem disponibilizados armamentos e munições para uso imediato, que estariam em um cofre. O documento descreve a tática: “Armamento e munição ECD (providenciar cofre e deixar “ao alcance”). O termo “ECD”, segundo a PF, significa “em condições de” e é usada para descrever artefato que está em condições de uso imediato.

“No caso, o plano evidencia o uso de armas para garantir a fuga do ex-presidente”, resume a PF no relatório divulgado nesta terça-feira.

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Segundo a PF, o plano de fuga não foi empregado em 2021, mas teria sido “adaptado e utilizado no final de 2022”, quando a organização criminosa não teve êxito no golpe de Estado planejado. Para os investigadores, após não conseguirem o apoio das Forças Armadas para consumar a ruptura institucional, Bolsonaro “saiu do país, para evitar uma possível prisão e aguardar o desfecho dos atos golpistas do dia 8 de janeiro de 2023 (“festa da Selma”).

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