Prefeito de Balneário Camboriú morto na ditadura tem certidão de óbito corrigida

Nova versão do documento aponta causa da morte como "violenta, causada pelo Estado brasileiro no contexto da perseguição a dissidentes da ditadura"

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Filho de Higino, Julio Cesar Pio (à esquerda na foto), aguardava certidão atualizada de óbito do pai (Fotos: Patrick Rodrigues, NSC Total / Divulgação)

Filho de Higino, Julio Cesar Pio (à esquerda na foto), aguardava certidão atualizada de óbito do pai (Fotos: Patrick Rodrigues, NSC Total / Divulgação)

A certidão de óbito do ex-prefeito de Balneário Camboriú, Higino João Pio, morto durante a ditadura militar, foi atualizada depois de 56 anos da morte do político.

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O documento teve a causa da morte alterada. Antes, o atestado afirmava que Higino Pio morreu por asfixia causada por enforcamento. A nova versão da certidão de óbito apresenta como causa da morte a explicação “não natural, violenta, causada pelo Estado brasileiro no contexto da perseguição sistemática à população identificada como dissidente política do regime ditatorial instalado em 1964”.

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A correção da certidão de óbito de Higino Pio faz parte de um grupo de 434 mortos e desaparecidos durante a ditadura militar que tiveram os documentos que comprovam a morte retificados gratuitamente por decisão do Conselho Nacional da Justiça (CNJ). Todos terão a mesma causa da morte em comum, comprovante que os óbitos ocorreram por motivação política e no contexto da ditadura militar brasileira.

Veja fotos do caso Higino Pio

A nova certidão de óbito de Higino Pio foi obtida nesta semana pelo advogado dos filhos de Higino, Eduardo Serpa, na Escrivania de Paz do 2º Subdistrito do Estreito, em Florianópolis. O documento tem a data de 14 de março. Agora, será encaminhado aos filhos de Higino, que moram até hoje em Balneário Camboriú.

Quem foi Higino Pio

Higino Pio foi o primeiro prefeito eleito de Balneário Camboriú, em 1965, e foi preso e morto pela ditadura militar, em 3 de março de 1969. Inicialmente, a versão dada pela ditadura foi de que ele teria se enforcado na prisão, na Escola de Aprendizes Marinheiros, na região continental de Florianópolis. A tese, no entanto, nunca foi admitida pela família e sempre foi alvo de controvérsias.

Um novo laudo feito durante investigação da Comissão Nacional da Verdade, em 2014, desmentiu a versão dos militares e confirmou que ele foi morto e que a cena do suposto enforcamento foi montada para livrar militares de punição. O Ministério Público Federal (MPF) chegou a denunciar o caso à Justiça em 2018, mas a denúncia foi arquivada porque os crimes se enquadrariam nos critérios de não punição previstos na Lei da Anistia.

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Higino foi um dos 10 mortos ou desaparecidos políticos de Santa Catarina durante a ditadura militar. Ele foi o único a ser morto no território catarinense. A história voltou a ser lembrada após o sucesso do filme Ainda Estou Aqui, que contou a história do engenheiro Rubens Paiva, desaparecido durante a ditadura militar. Ele também terá uma nova certidão de óbito com a causa da morte atualizada, comprovando a morte violenta em decorrência da ditadura.

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