Presidência do Senado: por que o PL pode ter mais senadores e não levar o comando? 

Partido do ex-presidente Jair Bolsonaro planeja lançar candidatura de Rogério Marinho, mas atual presidente Davi Alcolumbre quer permanecer no cargo e articula acordo com diferentes alas 

Compartilhe:
Davi Alcolumbre, atual presidente do Senado, deve concorrer por reeleição contra candidatura bolsonarista representada por Rogério Marinho ou Tereza Cristina (Fotos: Andressa Anholete, Agência Senado / Waldemir Barreto, Agência Senado / Jefferson Rudy, Agência Senado)

Davi Alcolumbre, atual presidente do Senado, deve concorrer por reeleição contra candidatura bolsonarista representada por Rogério Marinho ou Tereza Cristina (Fotos: Andressa Anholete, Agência Senado / Waldemir Barreto, Agência Senado / Jefferson Rudy, Agência Senado)

A bancada para o Senado foi uma das principais vitórias do PL nas eleições deste ano, ampliando a base do partido na Casa responsável por aprovar indicações de ministros ao Supremo Tribunal Federal (STF) e também de pedir e julgar processos de impeachment desses mesmos magistrados. O PL elegeu 19 senadores e, com isso, chegou a 28 representantes na Casa, tornando-se o partido com mais representantes, mais de um terço da nova legislatura. 

Continua após a publicidade

Apesar de eleger a maioria dos senadores, o PL pode não conseguir alcançar a presidência do Senado, uma das principais aspirações do partido para pôr em prática bandeiras como o impeachment de ministros. Isso porque o atual presidente Davi Alcolumbre (União-AP) tenta colocar de pé uma articulação com partidos do Centrão, ao governo e dissidentes da oposição para se reeleger presidente do Senado em fevereiro de 2027. 

O PL deve lançar a candidatura de Rogério Marinho (PL-RN) à presidência do Senado após reunião partidária na quarta-feira (4). O senador já enfrentou Alcolumbre na eleição de 2023 e terminou derrotado. Agora, embalado pelo número de senadores eleitos pelo partido, Marinho busca se lançar candidato para tentar obter o apoio da maioria. A senadora Tereza Cristina (PP-MS) também cogita se lançar candidata e pretende ser a primeira mulher presidente da Casa, mas a candidatura dela deve depender  

Continua após a publicidade

Veja possíveis ministros do governo Lula 4

Do lado adversário, Alcolumbre deve contar com o apoio da bancada do PT e de partidos ligados ao governo Lula. O atual presidente do Senado pautou a proposta de fim da escala 6×1 para votação entre o 1º e o 2º turno, o que foi visto como uma possível ajuda à reeleição de Lula, já que a aprovação da medida era uma bandeira da campanha petista.

Alcolumbre pretende contar também com votos de partidos do Centrão, grupo do qual seu partido faz parte. Aliados apontam até que ele já poderia ter os votos suficientes para se eleger. Apesar disso, ele também pretende atrair dissidentes do PL e senadores considerados bolsonaristas. Para isso, tem feito acentos como possíveis acordos que prevejam a anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro e de condenados pelos atos de 8 de janeiro. Como a votação é secreta, a expectativa é de que o gesto possa atrair votos do grupo bolsonarista e também reduzir a pressão deles por punições a ministros do STF.  

Segundo a Suprema Corte, atualmente há 190 pessoas presas pelo 8 de janeiro, dos quais 70 estão em prisão domiciliar. O Congresso aprovou em abril um projeto que reduz penas desses condenados, mas a situação ainda será analisada caso a caso pelo STF.

Avaliações no PL

O entendimento é que a fuga do candidato derrotado Flávio Bolsonaro (PL-RJ) possa ter enfraquecido o projeto de Rogério Marinho, que foi coordenador de campanha de Flávio na corrida presidencial. Apesar disso, Marinho tem mantido o nome como possível candidato do partido. 

Continua após a publicidade

O risco do PL de lançar a candidatura de Rogério Marinho e terminar derrotado novamente para Alcolumbre reside no fato de ficar sem a presidência de comissões importantes e terminar isolado, no lado adversário ao vencedor da disputa pela mesa diretora, como ocorreu em certa medida em 2023. 

Para se eleger presidente do Senado é preciso obter maioria dos votos, o que corresponde a 41 votos entre os 81 senadores. A eleição para a mesa diretora ocorre em 1º de fevereiro de 2027.