O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou que vai renunciar ao cargo para o qual foi eleito em 2023. A renúncia de Peña ocorre em meio a uma crise política motivada pela liquidação do banco digital Ueno Bank, que afetou cerca de 3 milhões de clientes e já havia causado a saída do presidente do Banco Central paraguaio.
Mais detalhes sobre a renúncia do presidente paraguaio devem ser divulgados em uma sessão ainda a ser convocada. O cargo deve ser ocupado pelo vice-presidente Pedro Alianna. A renúncia cede à pressão após pedidos de impeachment partirem de parlamentares da oposição em razão da crise envolvendo a quebra do banco digital. Peña foi investidor da holding que gerenciava o banco até março de 2025 e vinha sendo alvo de questionamentos sobre o caso.
Entenda o caso Ueno Bank
O Ueno Bank, maior banco digital do Paraguai, sofreu intervenção do Banco Central do país em 4 de novembro de 2026, após a identificação de dificuldades financeiras para honrar compromissos. A instituição tinha cerca de 3 milhões de clientes e patrimônio líquido de US$ 401 milhões em junho. Com o fechamento das portas, o Fundo Garantidor de Depósitos foi acionado para ressarcir os correntistas em até 75 salários mínimos mensais por depositante, aproximadamente R$ 210 mil. Entre os clientes afetados estão brasileiros que utilizavam o aplicativo para movimentar recursos.
A intervenção também desencadeou uma crise política. O presidente do Banco Central paraguaio, Carlos Carvallo, que havia comandado o Ueno antes de assumir o órgão, renunciou ao cargo. Oito executivos ligados à instituição foram presos, enquanto manifestantes cobraram a devolução integral dos valores. O presidente do Paraguai, Santiago Peña, também entrou no centro da controvérsia por ter sido acionista da holding controladora do banco até março de 2025, já durante seu mandato. Parlamentares da oposição chegaram a pedir seu impeachment.
As investigações do Ministério Público apontam possíveis irregularidades na gestão do banco, incluindo o recebimento de recursos públicos e de fundos de pensão do governo. Uma das suspeitas é que a instituição tenha concedido empréstimos a empresas ligadas aos próprios acionistas e ao Grupo Vásquez, controlador do Ueno. O episódio passou a ser comparado ao caso do Banco Master, no Brasil, pela combinação de recursos públicos, suspeitas sobre operações financeiras e relações entre dirigentes de instituições privadas e autoridades governamentais.
