Katie Zacharia, nova secretária de Imprensa da Casa Branca, passou a ter sua trajetória profissional investigada pela imprensa dos Estados Unidos após ser anunciada para o cargo por Donald Trump. Entre as informações que ganharam destaque estão a reprovação no exame da Ordem dos Advogados da Califórnia e a atuação como afiliada de uma empresa de suplementos que adotava um modelo de marketing multinível.
Parte do passado da porta-voz também foi alvo de atenção nas redes sociais. Conforme noticiado pelo Extra, Katie apagou fotos em que aparecia de biquíni de seus perfis. As descobertas sobre sua formação e experiência profissional, porém, tiveram repercussão ainda maior.
Apesar de ter sido apresentada por Trump como advogada, Katie não conseguiu aprovação no exame da Ordem dos Advogados da Califórnia, segundo reportagens do The Wall Street Journal e da Wired. Na quarta-feira (14), a organização de fiscalização Campaign for Accountability apresentou uma denúncia à entidade californiana pedindo uma investigação sobre as alegações de que ela seria efetivamente advogada.
Katie estudou Direito na Universidade Pepperdine, na Califórnia, e se formou em 2011. No entanto, segundo as informações divulgadas, ela nunca foi aprovada no exame da ordem em nenhuma jurisdição dos Estados Unidos.
Ligação com empresa de marketing multinível
Outro ponto que chamou a atenção da imprensa foi a lacuna no currículo de Katie entre 2013 e 2023. Nesse período, ela foi afiliada da Beachbody, empresa de fitness atualmente chamada BODi, que comercializava produtos e programas por meio de marketing multinível.
Em entrevista à Wired, Katie descreveu o modelo como “uma espécie de esquema de pirâmide”. Ela afirmou que começou a atuar como afiliada depois de retornar da China, onde havia sido sócia do escritório de advocacia Zhong Lun, considerado de elite no país, entre 2011 e 2013.
Segundo Katie, uma amiga a convidou para participar do negócio. Ela passou a promover o Shakeology, vendido como um shake nutricional à base de superalimentos. A porta-voz disse que deixou de consumir e divulgar o produto por causa do teor de vitamina A, que considerava inadequado durante a gravidez.
Em comunicado, a Beachbody confirmou que Katie integrou seu grupo de cerca de 300 mil distribuidores independentes em 2013.
Processos e acordo milionário
Ao longo dos anos, a Beachbody enfrentou disputas judiciais relacionadas às práticas comerciais e à divulgação de seus produtos. Em um dos casos, a empresa foi acusada de fazer alegações enganosas sobre um suposto tratamento antienvelhecimento revolucionário. O processo foi encerrado após a desistência da parte autora.
Em 2017, a companhia firmou um acordo em uma ação de proteção ao consumidor movida pela procuradoria municipal de Santa Monica, na Califórnia. Sem admitir irregularidades, concordou em pagar US$ 1 milhão, valor equivalente a cerca de R$ 5 milhões, a organizações sem fins lucrativos voltadas à saúde e à nutrição.
Os promotores alegaram que a empresa fazia afirmações falsas ou enganosas, sem comprovação científica, sobre os benefícios à saúde de produtos como o Shakeology. Os autos também apontavam cobranças automáticas por renovações sem o devido consentimento dos clientes.
Em 2023, a Beachbody foi alvo de uma ação coletiva movida por uma consultora que alegou ter sofrido prejuízos financeiros. Segundo a ação, ela esperava obter renda complementar, mas desembolsou US$ 20 mil (aproximadamente a R$ 99.765,52) do próprio bolso para cobrir despesas do trabalho e recebia cerca de US$ 50 (aproximadamente R$ 252,36) mensais, apesar de dedicar aproximadamente 50 horas por mês à atividade. As alegações faziam parte do processo e não devem ser confundidas com uma decisão judicial definitiva.
No ano seguinte, a empresa abandonou o programa de marketing multinível e adotou um modelo de afiliados de nível único.
Carreira na comunicação política
Antes de chegar à equipe de imprensa da Casa Branca, Katie atuou como porta-voz do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos e trabalhou na área de comunicação da empresa de mídia de Trump. Também participou de programas da Newsmax e da Fox News como comentarista de orientação conservadora.
A nomeação colocou a trajetória profissional da porta-voz sob escrutínio público, especialmente diante das dúvidas levantadas sobre sua apresentação como advogada e de sua antiga participação no negócio de marketing multinível.
