Secretários de Cultura pedem revisão da Rouanet a governo de transição de Lula

Dirigentes estaduais querem garantia de recursos e devem encontrar Geraldo Alckmin nesta semana

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Geraldo Alckmin

(Foto: Nelson Almeida)

O Fórum Nacional dos Secretários e Dirigentes Estaduais de Cultura elaborou uma carta com demandas para o governo de transição do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O documento será enviado para o coordenador-geral da transição e vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin. O grupo tenta ainda um encontro com ele nesta semana, após o feriado de 15 de novembro.

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Quatro pontos foram considerados emergenciais pelos gestores: a recriação do Ministério da Cultura; a garantia da plena execução das leis da cultura e de orçamento em 2023; a retomada do Fundo Setorial do Audiovisual; e a priorização, no Congresso, da aprovação do Marco Regulatório do Fomento à Cultura.

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O primeiro foi promessa de campanha do petista. O grupo de trabalho do setor ainda não foi anunciado, mas deve ser composto pela atriz Lucélia Santos, o ex-ministro da Cultura Juca Ferreira e o secretário nacional de Cultura do PT, Márcio Tavares.

O colegiado de secretários da Cultura demonstra preocupação especial com o compromisso da garantia de orçamento no próximo. Sob Bolsonaro, a Cultura perdeu recursos, estrutura (tornando-se uma secretaria no Ministério do Turismo) e virou um reduto das alas mais radicais do governo.

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Para os secretários de Cultura, é fundamental garantir a plena execução da Lei Paulo Gustavo e da Lei Aldir Blanc. As propostas foram vetadas por Bolsonaro, mas os vetos foram derrubados pelo Congresso, após intensa pressão da classe artística.

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A primeira, de caráter emergencial, destinava R$ 3,86 bilhões aos estados e municípios. A segunda prevê repasses anuais de R$ 3 bilhões da União para estados e municípios, por um período de cinco anos, começando no ano que vem.

O atual governo contingenciou os pagamentos -o que foi considerado inconstitucional pela ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal.

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Os gestores estaduais de Cultura pedem que o governo do petista viabilize a prorrogação dos prazos de execução da Lei Paulo Gustavo, sem perda orçamentária dos quase R$ 4 bilhões.

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Interlocutores do fórum também já buscaram se encontrar com o senador eleito Wellington Dias (PT-PI), que está responsável pelas negociações do orçamento do próximo ano.

Durante a eleição, importantes setores da classe artística se mobilizaram em favor da campanha de Lula, que angariou apoio de Caetano Veloso a Anitta. Enquanto isso, Bolsonaro reuniu os principais nomes do mundo sertanejo, como os cantores Gusttavo Lima e Leonardo.

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O atual presidente costuma dizer que o apoio da classe artística a Lula se deve ao fato de que “a mamata acabou” no seu governo, em uma referência às mudanças na Lei Rouanet.

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Uma das principais bandeiras do bolsonarismo na cultura foi propor a reformulação da lei, mais redirecionada a artistas de menor porte e afastado dos nomes famosos.

A política foi alterada, sob o comando de Mário Frias. Mas, como mostrou a Folha de S.Paulo, de 2020 para 2021, a Rouanet de Bolsonaro aprovou menos projetos, e eles estão mais caros.

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Sob o comando do atual presidente, o valor médio captado por projeto em 2021 foi o mais alto dos últimos dez anos, tendo chegado a mais de R$ 644 mil após crescer anualmente desde 2018. As cifras foram corrigidas pela inflação.

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Na carta ao governo de transição, os dirigentes pedem que a lei seja revista.

“É fundamental a retomada do pleno funcionamento da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), sendo necessária uma ampla revisão dos atos legais e infralegais praticados nos últimos anos, que resultaram na retomada da análise de projetos e na liberação de recursos que se encontram paralisados”, diz o texto.

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Eles propõem a criação de mecanismos de regionalização e distribuição dos recursos pelo território nacional.

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A recriação do ministério foi também comemorada pelos secretários de Cultura, “com as esperanças renovadas no sentido de que o Brasil volte a ser referência internacional em políticas culturais e que o governo central possa retomar o seu papel de farol no desenvolvimento integrado do setor”.

A carta é assinado por 18 dos 27 secretários que integram o colegiado. Para o secretário de Cultura do Espírito Santo e presidente do fórum, Fabrício Noronha, o momento é de diálogo com a nova gestão.

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— Essa reconstrução do MinC não será um processo fácil e imediato, a ideia da Carta é nos colocamos a disposição para esse desafio com o acumulo que o nosso Fórum adquiriu, em conjunto com dezenas de entidades, nesses últimos e difíceis anos — diz Noronha.

*Reportagem de Marianna Holanda

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