Os canais de WhatsApp criados para impulsionar as campanhas de Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) no 2º turno viraram peça-chave da corrida presidencial na reta final das Eleições 2026. O estopim foi uma decisão do ministro Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que suspendeu o canal “Exército do Lula”, espaço em que são divulgadas ações pelo aplicativo de mensagens para mobilizar eleitores e apoiadores do petista.
Nunes Marques decidiu suspender o canal após pedido da campanha de Flávio Bolsonaro, que apontava um suposto risco de divulgação de informações falsas contra o candidato pelo PL por meio do canal de apoio a Lula. O canal foi criado pelo deputado federal reeleito André Janones (Rede-MG), um dos estrategistas digitais da campanha petista.
No entanto, a decisão do ministro foi revogada horas depois pelo corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Vilas Bôas Cuêva. Relator do processo, ele revogou a suspensão e pediu que a campanha de Lula preste informações sobre o canal criado no WhatsApp. A decisão final ainda deve ser alvo de uma decisão do plenário do TSE. A área técnica do TSE, a quem foi solicitada uma avaliação se havia divulgação de informações falsas no canal “Exército do Lula”, respondeu nesta segunda-feira que não identificou conteúdo falso no espaço criado por Janones.
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Antes mesmo da polêmica, o candidato Flávio Bolsonaro também já havia passado a contar com um canal de WhatsApp para impulsionar sua campanha, o “Tropa do Flávio”. A iniciativa foi criada ainda na semana pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), conhecido pela habilidade de comunicação nas redes sociais.
Mas afinal, como funcionam os canais de WhatsApp dos presidenciáveis, o que eles buscam e por que se tornaram alvos de questionamentos dos rivais na Justiça Eleitoral a menos de duas semanas do 2º turno?
Os canais de WhatsApp são ferramentas de transmissão de mensagens em que administradores podem compartilhar textos, fotos, vídeos, áudios, links e enquetes com um número amplo de seguidores. Diferentemente dos grupos comuns, em que os participantes podem conversar entre si, nos canais as publicações ficam concentradas nos administradores, e os seguidores não têm suas mensagens exibidas para os demais integrantes. O formato permite disseminar conteúdos em larga escala.
Os canais vêm sendo usado como espaço de divulgação das estratégias de mobilização dos eleitores para o 2º turno. Confira abaixo detalhes do canal de cada candidato.
“Exército do Lula”
- Criado em 15 de abril
- Autor: André Janones (Rede-MG), deputado federal reeleito
- Seguidores até 12 de outubro: 4 milhões
O canal “Exército do Lula” foi criado pelo deputado federal reeleito André Janones (Rede-MG), apontado como um dos estrategistas da área digital da campanha à reeleição de Lula. Na noite desta segunda-feira (12), o canal chegou à marca de 4 milhões de seguidores.
No canal, Janones envia mensagens de vídeo, áudio e texto mobilizando eleitores a convidarem mais pessoas para o grupo e a divulgarem o nome do petista nas redes sociais.
Nesta segunda-feira, as publicações foram voltadas a divulgar o ato de Lula em Copacabana (RJ) e a disseminar um videoselfie de Lula convocando eleitores que não votaram no 1º turno.
Nos últimos dias, o canal foi mobilizado também para convocar eleitores a fazerem publicações sobre temas explorados pela direita para ganhar espaço entre os tópicos mais citados e dividir a agenda política das redes sociais em favor da esquerda.
“Tropa do Flávio”
- Criado em 6 de outubro
- Autor: Nikolas Ferreira (PL-MG), deputado federal reeleito
- Seguidores até 12 de outubro: 1,4 milhão
A campanha de Flávio Bolsonaro tem um canal próprio no WhatsApp, assim como Lula, mas nas últimas horas o candidato do PL ganhou outro espaço nesta “comunicação de guerrilha” aberta no aplicativo de mensagens na reta final do 2º turno.
O canal “Tropa do Flávio” foi criado pelo também deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), famoso pelo amplo alcance e pela habilidade na comunicação digital. O canal tinha 1,4 milhão de seguidores até a noite desta segunda-feira.
Nesta segunda, o canal foi utilizado para divulgação de uma “vaquinha” e também do vídeo em que Flávio critica o fato de seu programa no horário eleitoral ter sido exibido sem som nesta segunda. O canal também divulgou imagens de pichações que teriam sido feitas em eventos de apoio ao candidato do PT e convidou seguidores a serem fiscais de urna do PL na votação do 2º turno.
Desde a semana passada, o canal foi utilizado também para explorar temas prejudiciais ao adversário, como a fala atribuída ao banqueiro Daniel Vorcaro de que ele teria ajudado a financiar um documentário ligado ao instituto Lula.
Outra polêmica surgida no canal “Tropa do Flávio” foi o uso de uma foto de uma jovem supostamente fazendo uso de drogas em um ato que segundo a publicação seria uma manifestação petista, mas que na realidade era uma imagem que já circulava nas redes sociais antes do protesto e que seria fora do Brasil, segundo verificação da agência de checagem Aos Fatos.
















