Vitória apertada há oito anos revelou Jorginho Mello ao cenário nacional e o levou à condição de novo “imperador” de SC

Triunfo do então deputado federal sobre Lucas Esmeraldino em meio à onda bolsonarista de 2018 causou Efeito Borboleta que o levou ao Senado e, depois, à hegemonia catarinense

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Jorginho se tornou hegemônico em Santa Catarina (Foto: Ricardo Trida, Divulgação)

Exatos oito anos atrás, o Brasil vivia a primeira das muitas eleições que viriam marcadas por uma “onda Bolsonaro”. Neste mesmo momento, em Joaçaba, o então deputado federal Jorginho Mello comemorava às lágrimas uma vitória apertada que lhe garantiu uma das duas vagas ao Senado. Por diferença de apenas 18 mil votos (0,28%), Jorginho conquistou a segunda vaga de senador de SC, deixando de fora Lucas Esmeraldino, candidato do então PSL do número mágico 17.

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O que veio a seguir é história.

O que separa o triunfo suado de Jorginho Mello ao Senado em 2018 da reeleição avassaladora como governador em 1° turno neste domingo é uma sucessão de acontecimentos. A vitória de oito anos atrás revelou Jorginho Mello para o alto escalão do cenário político nacional. Com um país cada vez mais à direita e Jair Bolsonaro na presidência, Jorginho deixou para trás antigos elos pragmáticos e fortaleceu sua imagem como representante desse campo.

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Prestígio com a Família Bolsonaro

Nas andanças partidárias de Jair Bolsonaro, quis o destino que o ex-presidente escolhesse o PL para se filiar durante o mandato e disputar a reeleição. O partido era a casa de Jorginho Mello desde 2013. Presidido por Valdemar Costa Neto, com quem Jorginho tinha proximidade e prestígio por ser o principal articulador da legenda em SC, o PL e o início da febre “22” surgiram como oportunidade para o então senador.

Com a gestão Bolsonaro exposta pelas ações controversas durante a pandemia de Covid-19, Jorginho tornou-se vice-líder do governo no Senado. Na CPI da Pandemia, um palco onde a cada dia eram reveladas novas denúncias contra o então presidente, Jorginho saiu-se como fiel escudeiro, apoiador de primeira hora que rebatia as críticas e fazia a defesa de Bolsonaro.

Em um dos episódios emblemáticos, bateu boca com o senador Renan Calheiros (MDB-AL), chamando-o de “picareta” e ganhando ainda mais a simpatia de bolsonaristas. Em troca, ganhou a gratidão de Jair Bolsonaro, que passou a promovê-lo ao elogiar uma proposta do senador de apoio a empreendedores na pandemia e frisar sempre que Jorginho seria o “pai do Pronampe”.

O plano de se tornar governador

Em 2022, Jorginho quis colocar em prática o plano de tentar ser governador, desejo que já revelava décadas atrás a colegas de trabalho do antigo Banco do Estado de Santa Catarina (Besc). Para isso, confiou cegamente na força de Bolsonaro e do 22. Subiu na garupa do então presidente em motociatas e encarnou de vez a imagem de político de direita.

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O apoio esperado não veio dos outros partidos, que se dividiram entre a reeleição de Carlos Moisés e outras candidaturas de direita, como de Esperidião Amin e Gean Loureiro. Em chapa pura, com vice escolhida aos 45 minutos do segundo tempo, Jorginho concorreu mesmo assim e se elegeu em 2° turno, vencendo o adversário do PT, Décio Lima. Elegeu ainda seis deputados federais, 11 estaduais e o senador da vez pelo PL, consolidando de vez o prestígio de articulador político.

O poder da atração de prefeitos

No poder, Jorginho voltou a demonstrar o pragmatismo ao atrair para seu lado prefeitos de diferentes regiões, de Topázio Neto e Adriano Silva, líderes das duas maiores cidades, a prefeitos do interior que migraram para o PL ao longo da gestão. Com projetos como o Estrada Boa e o Universidade Gratuita como bandeiras, superou declarações polêmicas e questões como uma lei que extinguia cotas raciais em universidades e manteve a aprovação da gestão em patamares altos.

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A comprovação veio nas urnas neste domingo. Jorginho Mello foi reeleito ainda em 1° turno, com 2,9 milhões de votos, a maior vitória em 1° turno e a segunda maior votação nominal da história em SC. Além disso, ainda elegeu os dois senadores, Carol de Toni, que ficou no partido após Jorginho conseguir rearranjar a chapa ao Senado, e Carlos Bolsonaro, que mudou o domicílio eleitoral para SC há apenas um ano e veio concorrer no estado por pedido direto de Jair Bolsonaro. No Legislativo, novo arrasto: sete deputados federais e 16 estaduais somente no PL, sem contar os partidos aliados desta vez conquistados.

Mesmo com uma festa discreta em Florianópolis, já que muitos dos deputados mais votados do PL preferiram comemorar os resultados em suas bases, Jorginho Mello não escondia o entusiasmo com a confirmação dos resultados calculados por ele.

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O que separa a vitória apertada de Jorginho Mello ao Senado em 2018 da reeleição soberana ao governo em 1° turno em 2026 é uma espécie de Efeito Borboleta da política de SC. É difícil imaginar que espaço ocuparia Jorginho caso aquele primeiro acontecimento, de vencer por margem tão estreita o então bolsonarista Lucas Esmeraldino, não tivesse acontecido. Mais fácil é constatar o significado da nova vitória eleitoral de Jorginho em 2026.

Reeleito em 1° turno, com os três senadores do PL e ampla maioria na bancada da Câmara e da Assembleia Legislativa, o governador deve ter pista livre para governar pelos próximos quatro anos e fazer as entregas que anuncia. Torce, agora, pela “cereja do bolo” para ele, que seria a vitória de Flávio Bolsonaro em segundo turno. Na leitura dele, isso garantiria uma abertura “de cima a baixo”, com o senador Carlos Bolsonaro podendo entrar “pela porta da frente do gabinete do presidente”, como frisou Jorginho na coletiva após a vitória neste domingo.

Independentemente do resultado presidencial, no entanto, Jorginho Mello já sai como o grande vencedor das eleições em SC. Ratifica sua posição de habilidoso articulador partidário e constrói uma rede de aliados pelo Estado só vista recentemente nos tempos de Luiz Henrique da Silveira, outro político reconhecido pela capacidade de costura de alianças.

Em oito anos, Jorginho sai de um senador eleito no apagar das luzes para um governador reeleito, padrinho dos três senadores e deputados recordistas de votos, incluindo dois filhos de Jair Bolsonaro. Estrela de um bolsonarismo fortalecido nas urnas, Jorginho eleva sua imagem a uma espécie de “novo imperador” da política de SC. Uma trajetória que deixa no ar quais os novos territórios que ele ainda pode tentar conquistar.