A Revista VEJA publicou, nesta sexta-feira (9), uma reportagem sobre áudios e documentos com relatos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro sobre um suposto esquema de propinas envolvendo aliados do candidato à reeleição Lula (PT) e, também, o pagamento de R$ 30 milhões em dinheiro vivo para o documentário Lula, do cineasta americano Oliver Stone. Os envolvidos, no entanto, negam qualquer envolvimento com Vorcaro.
Os principais envolvidos no suposto esquema de propina seriam o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto e o atual ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que, na época, era ministro da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência. A reportagem da VEJA aponta que os fatos estão registrados em um anexo levado à Procuradoria-Geral da República em junho de 2025, mas que a Procuradoria não seguiu com o caso por não haver provas.
Isso porque, segundo a PGR e conforme a reportagem, a prova não poderia ser comprovada porque os pagamentos foram feitos em dinheiro vivo. No entanto, a defesa de Vorcaro afirmou que o banqueiro teria provas como mensagens de WhatsApp, registros das pessoas que retiraram o dinheiro vivo e a relação de lugares e rotas usadas por operadores nas entregas do dinheiro.
Quem é Daniel Vorcaro
Jantar com Vorcaro e aliados de Lula
O suposto esquema ainda envolveria outros aliados de Lula: o então líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner, o advogado Walfrido Warde, e o então secretário-executivo da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência, Olavo Noleto.
Em algumas mensagens, o banqueiro afirma que pessoalmente ao Planalto conhecer Padilha e teve pelo menos dois jantares com o ministro enquanto tentava colocar em prática o esquema de negócios com os fundos das estatais. Além de outro jantar entre Padilha, Olavo e Júlio na casa de Vorcaro. A prova que esses jantares aconteceram seriam mensagens e o relato do banqueiro.
Em outubro, houve uma conversa para um possível encontro entre Lula e Vorcaro, organizado pelo gabinete do ministro.
No entanto, não há provas sobre a realização desse encontro de Lula com Vorcaro. Até o momento, a única reunião confirmada no Palácio do Planalto aconteceu no dia 4 de dezembro, fora da agenda oficial, que teve como pauta o Master e o Banco Central.
Procurado pela reportagem, Lula afirmou que “jamais solicitou ou recebeu qualquer vantagem financeira nem autorizou terceiros a receber recursos de Vorcaro em seu nome”. Noleto e Padilha também afirmaram que não possuem qualquer relação com Vorcaro. Os outros nomes citados não se manifestaram.
Investigação da PF sobre suposto falso depoimento
O grupo jurídico Prerrogativas afirmou que solicitará à Polícia Federal a abertura de um inquérito sobre este depoimento de Vorcaro que, segundo o grupo, pode ter sido “estimulado”, conforme a Folha de S.Paulo.
Em troca, conforme o grupo, Vorcaro teria recebido como contrapartida a oferta de ser libertado no início de 2027 com uso de tornozeleira eletrônica, enquanto seu pai, Henrique Vorcaro, sairia da prisão imediatamente.
“Foi dito ao grupo Prerrogativas que esse depoimento [de Vorcaro] foi dado recentemente à Polícia Federal, com o objetivo de trazer prejuízos políticos e eleitorais ao presidente Lula, à campanha e a alguns ministros, que foram indevidamente envolvidos nesse suposto pedido […] Com base nessa informação nós vamos requerer à Polícia Federal que instaure inquérito para apurar se essas notícias são ou não verdadeiras”, afirmou o advogado Marco Aurélio Carvalho, coordenador do grupo.





