Como Afonso em Vale tudo, 55 pessoas iniciaram busca por doador de medula óssea em SC em 2025

De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde (SES), o Estado já registrou 140 diagnósticos de leucemia neste ano

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Personagem recebeu diagnóstico de leucemia mieloide aguda (Foto: TV Globo, Reprodução)

O personagem Afonso Almeida Roitman (Humberto Carrão), da novela Vale Tudo, recebeu há alguns capítulos o diagnóstico de leucemia. Depois de não ter um bom resultado com o tratamento via medicação, ele inicia a busca por um doador para realizar um transplante de medula óssea. Em Santa Catarina, 55 pacientes também começaram a buscar por um doador compatível em 2025.

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Os dados são do Painel de Pacientes do Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome). O banco conecta doadores com pacientes em busca de um transplante, o que aumenta as chances de encontrar alguém compatível.

Em todo o país, 1.146 pacientes foram cadastrados em 2025, sendo 225 da região Sul. A região Sudeste foi a que mais registrou pacientes em busca do transplante, com 579 neste ano. No mesmo período, 70.811 pessoas se cadastraram como doadoras, sendo 9.964 da região Sul e 237.689 em Santa Catarina, que foi o Estado do Sul do país com menor índice de doadores cadastrados no ano, atrás do Paraná (590.871) e do Rio Grande do Sul (384.538).

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Ao NSC Total, o Instituto Nacional de Câncer (Inca), responsável pelo Redome, explicou que o termo “fila” não é utilizado para os pacientes que esperam por uma doação de medula óssea, diferente do que ocorre com os transplantes de órgãos sólidos.

Isso porque todos os pacientes buscam por um doador compatível de forma simultânea, segundo o Inca, e que encontrar este doador depende de compatibilidade genética.

O hematologista André Guedes, coordenador do Serviço de Transplante de Medula Óssea do Centro de Pesquisas Oncológicas (CEPON), explica que não existe uma fila estadual única para transplante de medula óssea. Os centros transplantadores organizam as doações seguindo diferentes critérios, como a gravidade da doença, o tempo de cadastro, a disponibilidade de doador e a existência de tratamentos alternativos enquanto o paciente aguarda pelo transplante.

— Depois que se encontra o doador são feitos diversos testes, tanto com o doador quanto com o receptor. Os testes têm por objetivo confirmar a compatibilidade, ver se não existe nenhum impedimento, nenhuma incompatibilidade que possa comprometer o resultado do transplante — detalha o hematologista.

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Ele também explica que existem três tipos de doadores:

  • Doador totalmente compatível: irmão, filho do mesmo pai e da mesma mãe, sendo que cada irmão tem 25% de chance de ser totalmente compatível;
  • Transplante ápulo idêntico: transplante feito com uma medula que é metade compatível. Cada irmão tem 50% de chance de ser ápulo idêntico. Também pode ser feito com pai, mãe ou filho;
  • Doador do banco de medula óssea: potenciais doadores cadastrados em bancos nacionais e internacionais de medula óssea.

O médico reforça que quanto maior o número de doadores cadastrados, maiores as chances de encontrar alguém que seja compatível com o paciente. Isso também influencia nas eventuais chances de encontrar um doador, já que, por exemplo, pacientes brancos têm uma maior chance do que negros ou indígenas, pela representatividade no banco de doadores.

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— A chance de pegar alguém aleatório na rua e ser compatível com o paciente é muito baixa. Então, para localizar um doador é preciso que tenham milhões de pessoas cadastradas, e é para isso que o banco serve. Com esses milhões de pessoas cadastradas, aí a possibilidade de encontrar doador pode chegar até 80% eventualmente — explica.

Em Vale Tudo, Afonso ficou careca em tratamento de leucemia

Transplante é necessário na maioria dos casos de leucemia aguda

Dados da Secretaria de Estado da Saúde (SES) de Santa Catarina indicam que o Estado já tem 140 diagnósticos de leucemia neste ano. No ano passado, 2024, foram 352 diagnósticos. De acordo com o Inca, para cada ano do triênio 2023/2025, serão diagnosticados mais de 11.540 novos casos de leucemia no Brasil. Isso corresponde a um risco estimado de 5,33 por 100 mil habitantes, sendo 6.250 em homens e 5.290 em mulheres.

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A leucemia aguda, que mais comumente resulta na necessidade de um transplante, é uma doença que atinge a medula óssea. A medula óssea é um tecido que fica dentro dos ossos e é responsável pela produção das células do sangue.

— Na leucemia aguda a gente tem uma proliferação muito grande de células jovens que se chamam blastos. Essas células ocupam o espaço das outras células, impedindo a produção das células normais. Isso vai refletir na diminuição das células vermelhas, que vai causar anemia, diminuição das plaquetas, que vai causar sangramento, e a redução das células de defesa normais — detalha o hematologista André Guedes.

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Geralmente, a suspeita inicial de leucemia ocorre por alterações no hemograma, que pode mostrar anemia, diminuição da plaqueta (plaquetopenia), aumento ou diminuição das células de defesa podem estar aumentadas ou diminuídas. Ainda, podem aparecer no hemograma os blastos, essas células jovens que são características da leucemia aguda.

O paciente costuma buscar atendimento por alterações em decorrência dessas questões, como fraqueza, cansaço e palidez causados pela anemia, ou sintomas da plaquetopenia, como o sangramento no nariz e na gengiva, ou pelo aparecimento de hematomas pelo corpo. Ainda, é possível que o paciente tenha quadros infecciosos, ou seja, infecções como pneumonia e amidalite decorrentes da redução da defesa.

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Depois da suspeita indicada pelo hemograma, é feita uma avaliação da medula óssea, através da extração de uma amostra de medula óssea do quadril realizada por punção. A partir disso são feitos diversos exames para observar a característica das células da medula, confirmar o diagnóstico de leucemia aguda e dizer de que tipo se trata. Outros exames genéticos e de biologia molecular conseguem definir melhor as características da leucemia aguda, explica o médico.

André afirma que o transplante de medula óssea é indicado em primeira linha, ou seja, de forma inicial em casos de pacientes em que a doença tem uma possibilidade de evolução desfavorável grande. Em quase todos os casos em que a leucemia volta depois do tratamento inicial com quimioterapia, o transplante também é indicado.

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— Existem dois tipos principais de transplante de medula óssea. O transplante de medula óssea autólogo, que utiliza as células do tronco do próprio paciente, e o transplante alogênico, que usa células tronco de um doador saudável. Nos casos de leucemia aguda, na grande maioria dos casos é utilizado o transplante alogênico. Basicamente o que é feito é uma quimioterapia em alta dose associada ou não à radioterapia, seguida da infusão das células tronco coletadas de um doador saudável — detalha o coordenador do Serviço de Transplante de Medula Óssea do CEPON.

Dentro do transplante halogênico, há o chamado transplante aparentado, que usa células-tronco de um familiar do paciente, e o transplante não aparentado, que usa células-tronco de um doador dos bancos de medula óssea nacional ou internacional.

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Caso de Afonso em Vale Tudo

Na novela Valeu Tudo, foi Heleninha (Paolla Oliveira) que percebeu manchas roxas no braço do irmão e o alertou. Depois disso, Afonso passou mal e teve sangramento no nariz. Ele decide procurar um médico e depois de vários exames descobre que tem leucemia mieloide aguda.

O médico que atende o personagem de Humberto Carrão explica sobre o processo do tratamento e as possibilidades de compatibilidade para o transplante de medula. Ao contar para a família Roitman que está doente, todos fizeram exames para ver quem é compatível e pode doar a medula para Afonso. Ninguém na família era, nem Heleninha (Paolla Oliveira), nem Celina (Malu Galli) e nem Odete (Debora Bloch).

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Até o irmão mantido isolado por Odete Roitman, Leonardo, é testado para ver se há compatibilidade. Os dois são compatíveis, porém Odete não revela isso para que não tenha que revelar que manteve um filho com deficiência física isolado e em segredo, como se estivesse morto.

Segundo o site Observatório da TV, são os filhos que Solange está esperando que irão salvar a vida de Afonso. O médico dirá que o cordão umbilical dos gêmeos poderá ser utilizado no tratamento de Afonso. Essas cenas só devem ser exibidas na reta final da novela, que chega ao fim no dia 17 de outubro.

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