O El Niño deve se intensificar nos próximos meses, segundo previsões da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA). O fenômeno deve causar mudanças climáticas em escala global. No Brasil, os impactos dependem de região para região. Em Santa Catarina, com o possível aumento das chuvas, especialistas alertam para cuidados com doenças.
De acordo com a meteorologista Laura Rodrigues, da Epagri, em Santa Catarina, a preocupação com o fenômeno é maior durante os meses de primavera, em que normalmente há um aumento da frequência e da intensidade dos sistemas meteorológicos que provocam chuvas e tempestades, o que favorece a proliferação de mosquitos e de água parada, segundo Rosana Richtmann, médica infectologista do Instituto de Infectologia Emílio Ribas.
“O calor acelera o ciclo do mosquito, enquanto as chuvas favorecem o acúmulo de água. Nas regiões mais secas, o armazenamento sem vedação adequada também pode criar novos focos. Por isso, a prevenção precisa ser constante, com atenção especial à proteção dos ambientes domésticos”, explica.
Em conversa com o NSC Total, Sabrina Sabino, médica infectologista de Blumenau, alertou sobre a previsão de que o número de registros de arboviroses aumente nos próximos meses em Santa Catarina.
“A temperatura mais quente é ideal para a explosão de insetos. Durante a chuva e calor é o momento que a gente tem maior probabilidade de ter mosquitos. Então as arboviroses vão ser cada vez mais comum no nosso dia a dia. Infelizmente há probabilidade de nós registrarmos sim um aumento significativo de dengue, zika, chicungunha e outras, como a febre do nilo ocidental, por conta dos criadores de mosquitos” explicou a profissional.
De acordo com Sabrina, o clima quente e úmido das chuvas geralmente aumenta a proliferação dos mosquitos nesta época do ano, mas o fenômeno do El Niño é um dos possíveis grandes impulsionadores do aumento de registros da doença.
Ministério da Saúde emitiu alerta
Em julho deste ano, o Ministério da Saúde alertou sobre a possibilidade de um aumento em arboviroses na temporada 2026 e 2027, por causa da atuação do fenômeno. Segundo o órgão, até 20 de junho de 2026, mais de 390 mil casos de dengue foram registrados no país, o que representa queda de 73% em comparação com o mesmo período do ano anterior. No entanto, a pasta reforça a importância de combater a proliferação dos causadores das doenças durante os próximos meses.
“O Ministério da Saúde recomenda que estados e municípios intensifiquem as ações de vigilância e controle, com a realização de bloqueios de transmissão nos primeiros casos identificados, reorganização das atividades dos Agentes de Combate às Endemias e adoção das tecnologias de controle vetorial preconizadas pela pasta”, informou o órgão.
Como eliminar os criadouros do mosquito
Além da atuação do governo, a população também pode realizar ações para combater criadores do mosquito Aedes Aegypti, que transmite vírus graves que causam quatro doenças: dengue, zika, chikungunya e febre amarela urbana.
- Evite que a água da chuva fique depositada e acumulada em recipientes como pneus, tampas de garrafas, latas e copos;
- Não acumule materiais descartáveis desnecessários e sem uso em terrenos baldios e pátios;
- Trate adequadamente a piscina com cloro. Se ela não estiver em uso, esvazie-a completamente sem deixar poças de água;
- Mantenha lagos e tanques limpos ou criar peixes que se alimentem de larvas;
- Lave com escova e sabão as vasilhas de água e de comida de seus animais de estimação pelo menos uma vez por semana;
- Coloque areia nos pratinhos de plantas e remova duas vezes na semana a água acumulada em folhas de plantas;
- Mantenha as lixeiras tampadas, não acumule lixo/entulhos e guarde os pneus em lugar seco e coberto.
Super El Ninõ deve se intensificar
Segundo a nova atualização da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), há 95% de chance de o El Niño atingir intensidade muito forte e 75% de probabilidade do fenômeno alcançar um patamar histórico entre outubro e dezembro, podendo superar a intensidade dos eventos registrados desde 1950.
Oficialmente, “super El Niño” não é uma classificação científica. O termo é usado popularmente para episódios considerados muito fortes, quando o índice de temperatura atinge ou supera 2°C acima da média.














