Você deita, olha para o relógio e o sono simplesmente não vem. A noite passa, a cabeça continua acelerada e, no dia seguinte, aparecem o cansaço, a irritação e a dificuldade de concentração.
Para muita gente, o problema pode começar bem antes da hora de dormir.
Estresse, excesso de telas, sedentarismo e dores no corpo estão entre os fatores que podem dificultar tanto o início do sono quanto sua manutenção durante a madrugada. No Brasil, dados do Ministério da Saúde citados pelo O Globo apontam que 31,7% dos adultos apresentam sintomas de insônia, enquanto 20% da população das capitais dorme menos de seis horas por noite.
É nesse cenário que práticas voltadas ao relaxamento e à consciência corporal, como o yoga, entram na rotina de quem busca dormir melhor.
O corpo também precisa desacelerar
Depois de um dia cheio de trabalho, telas, compromissos e preocupações, nem sempre é fácil simplesmente deitar e esperar que o organismo entenda que chegou a hora de descansar.
O yoga trabalha movimento, respiração e atenção ao corpo, criando uma transição mais gradual entre o ritmo das atividades e o período de repouso.
A prática também está relacionada ao funcionamento do sistema nervoso parassimpático, associado aos períodos de relaxamento e recuperação.
Segundo Francisco Kaiut, fundador do Método Kaiut Yoga, a proposta não é simplesmente cansar o corpo.
A ideia é ajudar o organismo a sair do chamado modo de alerta e entrar gradualmente em um estado de recuperação, algo que acontece com a prática regular.
E quando a dor atrapalha o sono?
Nem toda dificuldade para dormir está ligada somente à ansiedade ou às preocupações.
Dores musculares e articulares também podem dificultar o relaxamento e provocar despertares durante a noite.
Problemas na coluna, no pescoço, nos quadris e nos joelhos podem manter o corpo tensionado mesmo durante o período de repouso.
Nesse contexto, práticas que estimulam a mobilidade e a consciência corporal podem contribuir para movimentos mais confortáveis. Porém, quando o incômodo é frequente ou persistente, a orientação apresentada pela reportagem é buscar avaliação de um profissional de saúde.
A respiração pode ajudar a criar uma pausa
A respiração é outro elemento importante durante a prática.
Em situações de estresse, ela tende a ficar mais curta e acelerada. Diminuir o ritmo e direcionar a atenção para o próprio corpo pode criar uma pausa em meio à rotina e favorecer a sensação de relaxamento.
Ao combinar respiração, movimento e concentração, o yoga pode ajudar a marcar a passagem entre um dia cheio de atividades e o momento de descanso.
Para quem chega à noite ainda pensando nas preocupações das horas anteriores, esse período pode funcionar como uma forma de desacelerar antes de ir para a cama.
O sono começa a ser preparado durante o dia
Esperar chegar a hora de dormir para tentar relaxar pode não ser suficiente.
O que acontece ao longo do dia também importa. O nível de atividade física, a exposição às telas, os horários e as dores recorrentes podem influenciar a forma como o corpo chega ao final do dia.
Por isso, a proposta apresentada é incluir momentos de pausa na rotina e criar, aos poucos, uma transição entre o ritmo das atividades e o período de repouso.
O yoga aparece nesse contexto como uma prática que combina diferentes elementos, movimento, respiração e consciência corporal, em vez de concentrar a atenção apenas no momento em que a pessoa finalmente vai para a cama.



