Outubro Rosa: 9 exames e cuidados que toda mulher precisa conhecer além da mamografia

Outubro Rosa reforça a importância da prevenção, do rastreamento e do diagnóstico precoce dos cânceres de mama e do colo do útero

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A menopausa pode afetar a saúde da mulher de diferentes maneiras (Imagem: Premreuthai | Shutterstock)

Durante o Outubro Rosa, a avaliação médica ajuda a definir cuidados conforme o histórico e os fatores de risco de cada mulher

A mamografia é um dos exames mais conhecidos quando o assunto é o Outubro Rosa, mas os cuidados com a saúde da mulher vão além dela. Testes para HPV, ultrassonografia, ressonância magnética, avaliação genética e vacinação são algumas das medidas que podem integrar estratégias de prevenção, rastreamento e diagnóstico, conforme a idade, o histórico clínico e os fatores de risco de cada mulher.

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Em Santa Catarina, as estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) apontam para 4.460 novos casos de câncer de mama e 1.030 de câncer do colo do útero em 2026. Na população feminina, as taxas brutas estimadas são de 106,07 casos de câncer de mama e 24,53 de câncer do colo do útero para cada 100 mil mulheres.

Os números reforçam a importância de ampliar o acesso à prevenção e ao diagnóstico oportuno, cuidados em destaque durante o Outubro Rosa. Embora sejam doenças com características diferentes, ambas podem se beneficiar de estratégias de rastreamento adequadas. No caso do câncer do colo do útero, a vacinação contra o HPV e a identificação e o tratamento de lesões precursoras também contribuem para prevenir o desenvolvimento da doença.

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1. Mamografia

A mamografia é o principal exame de imagem utilizado no rastreamento do câncer de mama. Por meio de raios X, permite identificar alterações que ainda não são percebidas pela mulher, como nódulos, assimetrias e microcalcificações.

O rastreamento busca identificar possíveis sinais de câncer em mulheres sem sintomas. Já na presença de alterações suspeitas, a mamografia pode integrar a investigação diagnóstica, independentemente da idade habitual de rastreamento.

“A detecção precoce permite investigar uma alteração antes que ela provoque sintomas ou avance. Por isso, o acompanhamento deve considerar não apenas a idade, mas também o histórico familiar, os fatores de risco e as características individuais de cada mulher”, afirma o ginecologista Jaime Kulak, do Laboratório Frischmann Aisengart, marca da Dasa em Curitiba (PR).

2. Ultrassonografia das mamas

A ultrassonografia pode complementar a avaliação das mamas em situações específicas. O exame utiliza ondas de ultrassom e auxilia na caracterização de alterações identificadas na mamografia ou no exame clínico, contribuindo, por exemplo, para diferenciar cistos de lesões sólidas.

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Também pode ser utilizada em determinadas situações clínicas, como na investigação de alterações mamárias em mulheres jovens ou como exame complementar em pacientes selecionadas.

Jaime Kulak ressalta que a indicação depende das características da paciente e do objetivo da investigação. “A ultrassonografia não substitui automaticamente a mamografia.”

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3. Ressonância magnética das mamas

A ressonância magnética produz imagens detalhadas das mamas e apresenta elevada sensibilidade para a identificação de determinadas alterações.

Pode integrar o rastreamento de mulheres com risco elevado de câncer de mama, incluindo algumas pacientes com predisposição genética hereditária, além de ser utilizada em situações específicas de investigação diagnóstica e avaliação da extensão da doença.

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Entretanto, não é um exame de rastreamento indicado rotineiramente para todas as mulheres. Sua utilização deve considerar o risco individual e os benefícios e limitações do método, incluindo a possibilidade de resultados falso-positivos e investigações adicionais.

4. Teste molecular para HPV

O câncer do colo do útero está associado, na grande maioria dos casos, à infecção persistente por tipos oncogênicos do papilomavírus humano (HPV).

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O teste molecular para HPV de alto risco identifica o material genético de tipos virais associados ao desenvolvimento de lesões precursoras e câncer do colo do útero. Diferentemente do Papanicolau, que procura alterações nas células, o teste molecular permite identificar a presença do vírus antes mesmo do aparecimento dessas alterações.

Em 2025, o Ministério da Saúde iniciou a implementação do teste molecular de DNA-HPV como exame primário de rastreamento do câncer do colo do útero no SUS, em substituição progressiva à citologia convencional. A estratégia contempla mulheres de 25 a 64 anos, conforme as diretrizes nacionais, e permite ampliar o intervalo entre exames para cinco anos quando o resultado é negativo, nas condições previstas pelo protocolo.

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“O teste de DNA-HPV permite identificar a presença de tipos virais de alto risco antes do desenvolvimento de alterações celulares. Isso representa um avanço no rastreamento, pois possibilita reconhecer mulheres que necessitam de acompanhamento e identificar lesões precursoras que podem ser tratadas antes de evoluir para câncer. É importante lembrar que um resultado positivo para HPV não significa diagnóstico de câncer”, explica a médica patologista clínica Annelise Correa Wengerkievicz Lopes, diretora médica do Laboratório Santa Luzia, marca da Dasa em Florianópolis (SC).

5. Autocoleta para HPV

A autocoleta é uma alternativa à coleta realizada por um profissional de saúde para determinados testes moleculares de HPV. Nessa modalidade, a própria mulher coleta uma amostra vaginal utilizando um dispositivo apropriado, seguindo orientações específicas.

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A estratégia pode facilitar o acesso ao rastreamento, especialmente entre mulheres que enfrentam barreiras para realizar o exame ginecológico, contribuindo para ampliar a cobertura da população elegível.

A autocoleta não constitui um exame diferente: a amostra é encaminhada ao laboratório para análise por um teste molecular validado para esse tipo de material.

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“A autocoleta pode ajudar a alcançar mulheres que, por diferentes motivos, não realizam o rastreamento regularmente. É importante esclarecer que a amostra precisa ser analisada em laboratório e que, diante de um resultado positivo, pode ser necessária uma avaliação complementar, conforme o tipo de HPV identificado e os protocolos clínicos”, explica Annelise.

6. Papanicolau

O Papanicolau, também chamado de exame citopatológico do colo do útero, analisa células coletadas da região cervical para identificar alterações que possam indicar lesões precursoras ou suspeita de câncer.

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Durante décadas, foi o principal método utilizado no rastreamento do câncer do colo do útero no Brasil, contribuindo para a identificação e o tratamento de lesões antes de sua progressão.

Com a incorporação do teste molecular para HPV como método primário de rastreamento no SUS, o Papanicolau passa a ter um papel diferente dentro das estratégias de prevenção, podendo continuar a ser utilizado em contextos específicos, inclusive na avaliação complementar de mulheres com resultado positivo para HPV, conforme os protocolos adotados.

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A principal diferença entre os métodos é que o teste molecular identifica a presença de HPV de alto risco, enquanto o Papanicolau identifica alterações celulares. A maior sensibilidade do teste molecular para detectar lesões precursoras de alto grau permite intervalos mais longos entre exames quando o resultado é negativo, desde que sejam respeitadas as recomendações de rastreamento.

7. Testes genéticos

O histórico pessoal e familiar de câncer pode indicar a necessidade de investigar predisposição hereditária à doença.

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Alterações patogênicas em genes como BRCA1 e BRCA2 estão associadas ao aumento do risco de câncer de mama e ovário. Outros genes também podem estar relacionados a síndromes hereditárias de predisposição ao câncer e podem ser avaliados por meio de painéis genéticos.

Esses exames, entretanto, não são indicados indiscriminadamente. A investigação deve ser precedida de avaliação individualizada e, preferencialmente, aconselhamento genético, considerando aspectos como o tipo de câncer diagnosticado na família, a idade ao diagnóstico e o grau de parentesco.

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“A indicação depende da história pessoal e familiar. Ter uma alteração genética associada a risco aumentado não significa que a pessoa necessariamente desenvolverá câncer, mas pode orientar estratégias específicas de acompanhamento”, detalha Jaime Kulak.

8. Vacinação contra o HPV

A vacinação contra o HPV é uma das principais estratégias de prevenção primária do câncer do colo do útero. A imunização protege contra tipos virais associados a grande parte dos casos da doença e também contribui para prevenir outros cânceres relacionados ao HPV, como os de ânus, pênis, vulva, vagina e orofaringe.

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No Brasil, a vacina está disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para as faixas etárias e os grupos contemplados pelo Programa Nacional de Imunizações, incluindo adolescentes e determinadas populações com condições específicas de saúde.

A proteção é maior quando a vacinação ocorre antes da exposição ao vírus, mas a imunização também pode trazer benefícios a outros grupos, conforme as recomendações vigentes.

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“A vacinação é uma medida fundamental de prevenção, porque reduz o risco de infecção por tipos de HPV responsáveis por grande parte dos casos de câncer do colo do útero. No entanto, como a proteção não abrange todos os tipos oncogênicos, as mulheres vacinadas também precisam realizar o rastreamento na idade e nos intervalos recomendados”, explica Annelise.

9. Avaliação médica e histórico familiar

A escolha dos exames e das estratégias preventivas não deve ocorrer de forma isolada. A consulta médica permite reunir informações sobre idade, sintomas, histórico familiar, fatores de risco e resultados anteriores, contribuindo para a definição do acompanhamento mais adequado.

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Mulheres com familiares próximos que tiveram câncer de mama ou ovário, especialmente em idades mais jovens, podem necessitar de avaliação específica do risco hereditário.

“O mesmo vale para sintomas ginecológicos ou alterações nas mamas. Mesmo quando a mulher está fora da faixa etária habitual de rastreamento, sinais suspeitos devem ser avaliados”, explica o ginecologista Jaime Kulak.

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E a cobertura da mamografia?

Desde 1º de outubro de 2026, uma nova regra da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) ampliou a cobertura obrigatória da mamografia digital pelos planos de saúde, sem restrição de idade ou gênero, quando houver indicação médica e forem atendidas as condições de cobertura previstas na regulamentação.

A mudança não significa que todas as mulheres devam realizar mamografia em qualquer idade, nem estabelece uma frequência única para o exame. As recomendações de rastreamento e as indicações para investigação diagnóstica continuam sendo situações distintas, que devem considerar as diretrizes clínicas e as características individuais.

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Quando procurar atendimento?

Algumas alterações precisam ser avaliadas por um profissional de saúde, mesmo quando não há histórico familiar de câncer ou quando exames anteriores apresentaram resultados normais.

Entre os sinais de alerta estão:

– Nódulo persistente na mama ou na região da axila;
– Alteração recente no formato ou tamanho da mama;
– Retração do mamilo;
– Secreção sanguinolenta espontânea pelo mamilo;
– Alterações na pele da mama, como retrações ou aspecto de casca de laranja;
– Sangramento vaginal fora do período menstrual ou após a menopausa;
– Sangramento após a relação sexual;
– Dor pélvica persistente;
– Corrimento vaginal persistente ou diferente do habitual, especialmente quando acompanhado de sangue.

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A presença desses sinais não significa necessariamente câncer, mas justifica avaliação médica. Nessas situações, a investigação tem finalidade diagnóstica e não deve ser adiada até o próximo exame de rastreamento.

Prevenção e diagnóstico no Outubro Rosa

O cuidado com a saúde da mulher não depende da realização do maior número possível de exames, mas da escolha das estratégias adequadas para cada situação.

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A mamografia contribui para a detecção precoce do câncer de mama. O teste molecular para HPV e o Papanicolau, utilizados conforme as recomendações vigentes, permitem identificar mulheres com maior risco e alterações precursoras do câncer do colo do útero. A vacinação contra o HPV atua na prevenção da infecção por tipos virais oncogênicos, enquanto a avaliação genética pode ajudar a reconhecer situações de predisposição hereditária.

O Outubro Rosa é uma oportunidade para reforçar que prevenção, rastreamento e diagnóstico precoce são estratégias complementares, mas com finalidades diferentes. O acompanhamento individualizado, fundamentado em evidências científicas, é essencial para oferecer o cuidado adequado a cada mulher.