Santa Catarina vai na contramão do Brasil e registra resultados positivos no combate à síflis

O mais recente Boletim Epidemiológico de Sífilis, com dados consolidados até meados deste ano, traz alertas importantes

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Mão com sífilis, doença que exige rápida detecção e tratamento adequado (Foto: Redes Sociais, Reprodução)

A sífilis é uma das infecções mais antigas conhecidas pela medicina e continua sendo um dos maiores desafios de saúde pública da atualidade. Causada pela bactéria Treponema pallidum, trata-se de uma doença sexualmente transmissível e de transmissão vertical, ou seja, da gestante para o feto. 

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É, porém, plenamente prevenível, diagnosticável e curável. Apesar da disponibilidade de testes rápidos e de um tratamento eficaz e acessível na rede pública, a dinâmica epidemiológica recente mostra que a circulação da doença permanece elevada em todo o país.

Relatório traz alertas importantes

O mais recente Boletim Epidemiológico de Sífilis, publicado pelo Ministério da Saúde em outubro de 2026, com dados consolidados até meados deste ano, traz alertas importantes para a gestão da saúde e para a população em geral. Em âmbito global e continental, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) já sinalizavam uma trajetória desfavorável, impulsionada pelo aumento das infecções na América Latina e no Caribe. 

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No Brasil, após o impacto atípico da pandemia de Covid-19 em 2020, ano que registrou queda temporária nas notificações devido à subtestagem e ao menor acesso aos serviços, os números voltaram a subir. Em 2025, a taxa de detecção de sífilis adquirida no país alcançou o patamar de 132,8 casos por 100 mil habitantes, totalizando mais de 283 mil diagnósticos no ano.

A análise do perfil populacional da sífilis adquirida revela a persistência de vulnerabilidades sociais e de gênero. O sexo masculino responde por 60,2% dos casos notificados no país, com maior incidência concentrada em adultos jovens entre 20 e 39 anos. No entanto, entre os adolescentes de 13 a 19 anos, observa-se uma inversão preocupante: as mulheres jovens são maioria nas notificações.

Sul tem as maiores taxas de detecção

No cenário catarinense, os números apresentam nuances particulares. Historicamente, a Região Sul do Brasil apresenta as maiores taxas de detecção de sífilis adquirida do país. Em 2025, Santa Catarina registrou 15.037 casos de sífilis adquirida, o que corresponde a uma taxa de detecção de 183,7 casos por 100 mil habitantes, valor significativamente superior à média nacional. 

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Florianópolis destaca-se, com uma taxa de detecção de 319,3 casos por 100 mil habitantes, uma das maiores entre as capitais brasileiras. No entanto, o dado epidemiológico mais relevante para o estado é a tendência de queda: entre 2023 e 2025, Santa Catarina alcançou uma redução de 16,3% na taxa de detecção da sífilis adquirida, liderando o declínio observado em toda a Região Sul.

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Quando voltamos o olhar para a gestação e o controle da transmissão vertical da sífilis, Santa Catarina apresenta uma melhora, digamos assim. Em 2025, o Brasil registrou 100.650 casos de sífilis em gestantes, parturientes ou puérperas, gerando uma taxa nacional de detecção de 41,0 casos por 1.000 nascidos vivos. 

Já em Santa Catarina, a taxa de detecção na gestação ficou em 33,0 casos por 1.000 nascidos vivos (3.210 casos no ano), situando-se abaixo da média nacional e apontando para a eficácia da rede de acompanhamento pré-natal no estado.

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Os indicadores de destaque para SC

Além disso, Santa Catarina destaca-se positivamente em dois indicadores essenciais para a interrupção da cadeia de transmissão: 89,6% das gestantes diagnosticadas receberam a prescrição adequada de penicilina G benzatina, conforme a fase clínica da doença, e o estado registrou o maior percentual do país no tratamento das parcerias sexuais das gestantes, alcançando 47,0% de adesão. Ainda é baixo? Sim, mas estamos no caminho certo.

Esses avanços no pré-natal catarinense refletem-se diretamente no controle da sífilis congênita, que é a infecção transmitida ao recém-nascido e pode trazer complicações graves, como malformações, prematuridade, neurossífilis e óbito. Em 2025, a taxa de incidência de sífilis congênita no Brasil foi de 9,9 casos por 1.000 nascidos vivos, mantendo-se em patamar elevado em relação às metas internacionais. Em contrapartida, Santa Catarina registrou uma taxa de incidência de 5,8 casos por 1.000 nascidos vivos (562 casos notificados), com uma redução de 15,9% entre 2024 e 2025.

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No campo da mortalidade infantil por sífilis congênita, enquanto a taxa nacional fechou 2025 em 7,9 óbitos por 100 mil nascidos vivos, Santa Catarina obteve uma das maiores reduções do país, com queda de 81,1% no indicador em relação ao ano anterior e apenas um óbito confirmado no período.

O avanço na atenção materno-infantil em Santa Catarina foi reconhecido pelo Ministério da Saúde com a concessão do Selo Bronze de Boas Práticas Rumo à Eliminação da Transmissão Vertical da Sífilis Congênita.

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Parabéns aos catarinenses!