Discussão religiosa, rosto cortado e deportação: o que se sabe sobre o brasileiro morto na Turquia

Lucas Medeiros morava a sete anos em Portugal mas estava preso em centro de detenção de migrantes no país euro-asiático

Compartilhe:
Discussão religiosa, rosto cortado e deportação; o que se sabe sobre o brasileiro morto na Turquia

Detalhes do caso ainda estão sendo investigados pelas autoridades responsáveis (Foto: Reprodução)

O brasileiro Lucas Nascimento de Medeiros (33), foi declarado morto em seu quarto de hotel por autoridades turcas, após passar os últimos dias preso em um centro de imigração no país. O homem teria recebido ordem de deportação e retornaria ao Brasil na segunda-feira (12). As circunstâncias do caso ainda estão sendo investigadas já que polícia não sabe como o homem teria chegado e o que aconteceu no local. O último contato com a família foi dia 8 de outubro.

Continua após a publicidade

A morte foi confirmada pelo Consulado do Brasil em Istambul que informou à família sobre a situação. Entretanto, o irmão, Mateus Nascimento, disse que as informações encaminhadas pelas autoridades são desconexas e que os familiares não foram corretamente esclarecidos do que pode ter acontecido com Lucas.

“A única informação oficial que a gente tinha recebido é que meu irmão morreu de formas diferentes, eles já deram duas versões. Total falta de transparência, total falta de empatia”, declarou.

Continua após a publicidade

Deportação foi consequência de briga religiosa

Natural de Natal, capital do Rio Grande do Norte, Lucas morava legalmente a sete anos em Portugal, onde trabalhava como programador e empreendedor. Ao viajar para a Turquia, o homem pretendia participar de um curso de falcoaria, aulas de controle e treinamento de aves de rapina.

Entretanto, na última vez que entrou em contato com a mãe, Lucas informou que se envolveu em uma briga de bar e teve seu rosto cortado. A discussão teria iniciado por razões religiosas: a Turquia é um país majoritariamente islâmico e Lucas acreditava no judaísmo messiânico.

Segundo o relato, ao procurar a polícia para reportar o problema, o homem foi encaminhado para o Centro de Remoção de Harmandalı, na cidade de Esmirna, onde foi decretada sua deportação para o Brasil. Lucas avisou a família que retornaria na segunda-feira (12), mas parou de responder mensagens no dia 8 de outubro.

No feriado de Nossa Senhora Aparecida, a família esperou pelo homem no Aeroporto de Guarulhos, mas ele nunca apareceu. A notícia da morte veio apenas de tarde, quando o Consulado ligou para a companheira de Lucas e informou que o corpo havia sido encontrado em um hotel.

Continua após a publicidade

“Aí foram passando os dias, e chegou o dia dele chegar e nada. Ela [mãe] foi para o aeroporto, ficou desde as cinco da manhã, e aí, a gente entra em contato com o consulado, e dizem que o corpo do brasileiro foi encontrado sem documentos e com drogas ilícitas ainda no hotel”, contou o irmão.

Família não sabe o que aconteceu na Turquia

A família ainda não sabe qual a causa da morte de Lucas e questiona as diferentes versões disponibilizadas pelas autoridades. Inicialmente, o que se sabia era que o homem teria sido encontrado em um hotel junto de drogas e sem documentos. Não foi informado como ou quando ele teria ido para a hospedagem.

Continua após a publicidade

Por ter a localização de GPS do filho no seu celular, a mãe informou que a última atualização indicava que Lucas estava na imigração. Após isso, na terça-feira (13), outra versão do caso foi encaminhada à família e dizia que a morte teria acontecido no próprio centro de deportação.

Outro ponto questionado por Marcos é que o consulado tem se comunicado apenas por ligação, sem responder aos e-mail enviados pela famíla. “Eles só querem falar por telefone, o que é muito suspeito”, afirmou.

Continua após a publicidade

A família da vítima viaja par aa Turquia nesta quinta-feira (15) para reconhecer o corpo.

Além do Consulado do Brasil em Istambul, o Ministério das Relações Exteriores, a Polícia Federal e o 7° Distrito da Polícia Civil de São Paulo estão envolvidos nas investigações.

Continua após a publicidade

*Sob supervisão de Nicoly Souza