Discussão sobre mensagens teria antecedido feminicídio de estudante em SC, diz Polícia Civil

Delegado detalhou investigação e afirmou que suspeito relatou consumo de medicamentos controlados após matar a namorada

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Joviana Evelyn Iankovski teria visto mensagens do namorado com outras mulheres antes de tentar deixar a residência onde foi morta (Foto: Redes sociais, Reprodução)

A discussão que antecedeu o feminicídio de  Joviana Evelyn Iankovski de 19 anos, teria começado após a jovem encontrar mensagens trocadas pelo namorado, de 21, com outras mulheres. Segundo o delegado Murilo Silveiro da Cunha, responsável pela investigação, o próprio investigado relatou que o desentendimento ocorreu após a vítima ter visto as conversas, especialmente durante um período recente em que os dois haviam se separado.

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Na madrugada de sexta-feira (7), após a discussão, Joviana teria tentado deixar a residência onde os dois estavam. Conforme o relato apresentado pelo investigado à Polícia Civil, ele a seguiu e aplicou um golpe conhecido como mata-leão, que provocou a morte da jovem. Depois, colocou o corpo sobre a cama e permaneceu na residência.

Segundo o delegado, o investigado afirmou ainda que, após a morte, consumiu uma grande quantidade de medicamentos controlados, que teriam provocado um estado de entorpecimento durante toda a sexta-feira. Nos dias seguintes, disse não se recordar com precisão do que ocorreu e relatou também ter ingerido bastante bebida alcoólica.

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O corpo permaneceu no quarto até a manhã de segunda-feira, quando o investigado comunicou o ocorrido a familiares. O cômodo, segundo o delegado, costumava ser utilizado pelo jovem de maneira isolada, inclusive para receber a vítima e outras pessoas sem contato com os demais moradores da casa.

A mãe de Joviana havia ficado preocupada com o desaparecimento da filha, que não retornou para casa e deixou de responder às mensagens como costumava fazer. No sábado, ela percebeu que algumas mensagens haviam sido respondidas de uma maneira diferente do habitual e suspeitou que outra pessoa estivesse utilizando o celular da jovem. A Polícia Militar foi acionada e encontrou o corpo na residência.

Ainda conforme a Polícia Civil, o investigado foi localizado na tarde de segunda-feira e decidiu se apresentar na delegacia. Diante da confissão e dos demais elementos reunidos na investigação, foi lavrado o auto de prisão em flagrante. Após audiência de custódia, realizada nesta terça-feira (11), a Justiça decretou a prisão preventiva, e ele foi encaminhado ao sistema prisional.

O processo tramita em segredo de justiça. Segundo o delegado, o investigado não possuía antecedentes criminais nem registros anteriores de violência doméstica. Familiares, porém, relataram à polícia que o relacionamento entre os dois era considerado conturbado.

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O que diz a defesa do suspeito

A defesa técnica de José Gustavo Rabelo de Souza, diante das informações que vêm sendo divulgadas acerca do falecimento da jovem Joviana Evelyn Lankovski, ocorrido no município de Sangão/SC, vem, respeitosamente, prestar os seguintes esclarecimentos.

Inicialmente, a defesa manifesta suas mais sinceras condolências aos familiares e amigos de Evelyn, reconhecendo a profunda dor provocada por uma perda dessa natureza. Por respeito à vítima e aos seus familiares, a defesa entende que o momento exige, acima de tudo, responsabilidade, serenidade e respeito.

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O processo tramita sob segredo de justiça, justamente para resguardar informações, documentos e elementos relacionados ao caso e às pessoas envolvidas. Por essa razão, a defesa entende ser necessário agir com a mesma responsabilidade e preservar informações que não podem ser expostas publicamente, especialmente aquelas que dizem respeito à intimidade dos envolvidos.

É importante, contudo, esclarecer uma informação que vem sendo divulgada de maneira imprecisa e que atinge diretamente a família de José Gustavo.

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A família de José Gustavo não teve conhecimento prévio dos fatos e jamais participou de qualquer tentativa de ocultação ou acobertamento.

José residia com a mãe e a avó. Na rotina da residência, havia circunstâncias que contribuíram para que, naquele momento, não houvesse qualquer razão concreta para que familiares suspeitassem do que havia ocorrido. Entre elas, estão a dificuldade auditiva da mãe, circunstância de conhecimento público, e o fato de José permanecer com o quarto fechado durante períodos de descanso, comportamento que já fazia parte de sua rotina habitual.

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A família somente tomou conhecimento dos fatos na manhã de segunda-feira, após o próprio José relatar o ocorrido. Tão logo teve conhecimento da situação, sua família o conduziu à Delegacia de Polícia, colocando-o à disposição das autoridades para que fossem adotadas as providências legalmente cabíveis.

Esse comportamento, por si só, demonstra a postura adotada pela família diante de uma situação extremamente grave e inesperada: não houve fuga, ocultação ou qualquer iniciativa destinada a impedir a atuação das autoridades. Ao contrário, houve a procura imediata da autoridade policial tão logo os familiares tiveram conhecimento dos fatos.

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A família de José Gustavo também deseja deixar claro que não compactua, sob nenhuma circunstância, com qualquer forma de violência, especialmente contra mulheres. Ao mesmo tempo em que enfrenta a própria dor e o impacto causado por toda essa situação, manifesta profundo pesar pelo falecimento de Joviana Evelyn Lankovski e respeito absoluto à dor de seus familiares.

Quanto à dinâmica dos fatos, a defesa ressalta que qualquer conclusão responsável deve decorrer da análise integral e técnica do conjunto probatório, incluindo os elementos periciais e demais provas que integram a investigação. Antecipar conclusões enquanto as apurações ainda estão em curso não contribui para o esclarecimento dos fatos e pode gerar interpretações equivocadas.José Gustavo encontra-se preso preventivamente, à disposição do Poder Judiciário, e sua defesa seguirá atuando de maneira técnica e responsável, dentro dos limites impostos pelo segredo de justiça e em estrita observância aos princípios constitucionais do devido processo legal, contraditório e ampla defesa.

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A defesa reafirma, por fim, que não pretende transformar a dor de nenhuma das famílias em objeto de disputa pública. Seu compromisso é exclusivamente com a verdade dos fatos, com o respeito às instituições e com o exercício legítimo da defesa, permitindo que as autoridades competentes realizem seu trabalho e que as conclusões sejam alcançadas a partir das provas produzidas regularmente.