Embratur aciona PF para investigar coaches de pegação por suposta exploração sexual

Grupo oferece viagens aos alunos para ensinar a "conquistar mulheres" e esteve em São Paulo, onde promoveu uma festa com brasileiras

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Embratur

Embratur disse que pessoas que querem cometer crimes no Brasil não são bem-vindas (Foto: Divulgação/Embratur)

A Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur) acionou a Polícia Federal nesta quarta-feira (16) para solicitar uma investigação sobre os coaches americanos do grupo Millionaire Social Circle que promovem um curso que de como conquistar mulheres.

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O grupo, que oferece viagens aos alunos, esteve em São Paulo em fevereiro e promoveu uma festa com mulheres. Ele tem o costume de visitar países subdesenvolvidos e, em suas publicações, enaltece a desigualdade social que marca os locais por onde passam.

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“Não são bem-vindas em nosso país pessoas que desejam praticar crimes. O turismo para fins de exploração sexual fere nossas leis e quem o pratica será submetido à devida investigação, julgamento e punição”, diz a Embratur em nota.

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O órgão afirma que se “solidariza com as mulheres vítimas de exploração sexual em São Paulo”. Anuncia ainda que o presidente da agência, Marcelo Freixo, se reunirá com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, para formalizar o pedido de abertura de investigação.

Os americanos que vieram ao Brasil por meio do curso de como “pegar mulheres” é investigado pelo 34º DP, localizado no Morumbi, zona oeste de São Paulo. Em nota, a Secretaria da Segurança Pública afirma que a ocorrência foi registrada como favorecimento de prostituição ou “outra forma de exploração sexual e agenciar, aliciar, transportar, transferir, comprar, alojar ou acolher exploração sexual”.

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Na noite desta quinta, a pasta afirma que uma equipe de investigação da unidade realiza diligências para identificar e ouvir formalmente os organizadores e esclarecer todas as circunstâncias do fato.

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O Ministério Público de São Paulo acompanha a investigação. De acordo com o promotor Rogério Sanches Cunha, o caso é investigado como exploração sexual prevista pelo artigo 228 do Código Penal, que foi alterado em 2009. Antes, a lei só punia quem atraísse a vítima à prostituição. Agora, também pune o ato de atrair pessoas em outra forma de exploração sexual.

— Ninguém está pensando em prostituição. Eles atraíram essas mulheres mediante fraude para que elas fossem usadas como objetos sexuais para homens que estão treinando como se aproximar de mulheres — explica o promotor. Segundo ele, o convite feito a mulheres para uma festa foi usado como artifício para atrair com mais facilidade essas vítimas.

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Outro lado

Após a repercussão do caso nas redes sociais, os integrantes do Millionaire Social Circle gravaram uma live em que afirmam que foram vítimas da cultura do cancelamento no Brasil e que foram acusados falsamente de turismo sexual e tráfico humano e de promover prostituição.

“Essas feministas são tão estúpidas”, diz Mike, para quem as mulheres que revelaram o caso não estão “fazendo nada da vida” e “não são pessoas ocupadas”. “Nenhuma delas está na faculdade de medicina.”
Em outro momento, afirma que uma das mulheres que foi à festa e gravou um vídeo sobre o evento é uma “garota feia e gorda”. “As mulheres atraentes nos defenderam. Nos vídeos da festa, todos estão sorrindo.”

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À Folha o grupo nega que a festa tenha ligação com o curso e afirma que estiveram em São Paulo para realizar uma “conferência de namoro”. “Nós queremos que as pessoas saibam o que nós fazemos. Tudo é público.”

Reportagem por Isabella Menon

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