A jovem estudante Joviana Evelyn Iankovski, de 19 anos, encontrada morta na segunda-feira (10), havia entrado na faculdade de biologia há uma semana. Ela estava radiante com a nova fase, destacou Stéfany Goulart, uma amiga de Joviana. O sonho foi interrompido pelo feminicídio. O suspeito é o namorado dela, de 21 anos, que se entregou à polícia e foi preso no mesmo dia.
“Ela era incrível, divertida, engraçada e com um jeito único. Tinha começado a faculdade na semana passada, estava tão feliz”, descreveu Stéfany, segundo informações do g1 SC. Outra amiga, Vitória de Souza de Oliveira, retratou a jovem como alguém curiosa e gentil:
Era muito gentil. Ela nunca te faria passar vergonha, nunca julgou alguém pela forma que vivia ou se vestia. A pessoa mais livre que eu conheci em toda a minha vida: fazia tudo que tinha vontade e respeitava todos os limites que as pessoas falavam para ela.
Vitória ainda relatou um sonho da amiga: fazer um mochilão pelo mundo e um voluntariado na África.
Segundo a Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc), onde a jovem cursava Ciências Biológicas, Joviana havia ingressado no curso no segundo semestre de 2026. As aulas começaram no dia 3 de agosto, uma semana antes do crime.
Comunidade acadêmica faz ato e pede por justiça
“Somos o grito das que não estão mais aqui”. A frase estampada em um dos cartazes resume o sentimento de estudantes que participaram, na noite desta segunda-feira (10), de um ato em memória de Joviana em frente ao Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Unesc, em Criciúma.
Além da homenagem à jovem, a manifestação foi marcada por pedidos pelo fim da violência contra as mulheres. Entre os cartazes levados pelos participantes estavam frases como “Queremos mulheres livres e sem medo” e “A vida começa quando a violência acaba”.
O ato foi organizado pelo DCE da Unesc após a confirmação da morte de Joviana. Em manifestação publicada nesta segunda, a entidade classificou o crime como resultado de uma sociedade que ainda permite que mulheres sejam vítimas de violência, controle e morte.
“Precisamos falar, denunciar e, sobretudo, agir”, afirmou o diretório na nota de convocação para o ato.
A manifestação reuniu estudantes e integrantes da comunidade acadêmica em um momento de solidariedade aos familiares, amigos e colegas de Joviana.
A Unesc, instituição onde jovem estudava há uma semana, também publicou uma nota de pesar pela morte da estudante. A universidade manifestou solidariedade aos familiares, amigos e colegas e afirmou que não compactua com qualquer tipo de violência.
A instituição destacou ainda o programa Unesc Com Elas, lançado em maio deste ano com ações de acolhimento, conscientização, prevenção e combate à violência contra a mulher na comunidade acadêmica.
Jovem foi encontrada morta em casa após mãe desconfiar de mensagens
A estudante de 19 anos foi encontrada morta nesta segunda-feira (10), dentro de uma casa no bairro Santa Apolônia, em Sangão, no Sul de Santa Catarina. Ela foi vista pela família pela última vez na quinta-feira (6). A Polícia Civil investiga o caso como feminicídio.
O namorado dela confessou ter matado a estudante e se entregou à polícia ainda na segunda-feira. Segundo o delegado Murilo da Cunha, responsável pela investigação, o crime teria ocorrido após um desentendimento entre o casal, que mantinha um relacionamento conturbado.
As autoridades foram acionadas pela mãe da jovem, que procurou a polícia após não conseguir contato com a filha. Segundo a PMSC, Joviana havia saído de casa na quinta-feira e, durante a noite, enviou uma mensagem informando que iria para a casa do namorado.
Durante o fim de semana, porém, a família passou a desconfiar que as mensagens recebidas não haviam sido escritas pela jovem. De acordo com a mãe, as respostas apresentavam incoerências.
A suspeita aumentou após familiares do companheiro da vítima fornecerem informações desencontradas sobre o paradeiro dela. Diante disso, a mãe registrou um boletim de ocorrência pelo desaparecimento e acionou a Polícia Militar, relatando também a possibilidade de que a filha estivesse morta dentro da residência.
Durante as buscas, os policiais encontraram a jovem sem vida dentro de um quarto que estava com a porta trancada. O corpo estava enrolado em cobertores.
A Polícia Científica foi acionada e constatou lesões na face da vítima. A avaliação inicial indicou que a morte poderia ter ocorrido há quase dois dias. A causa exata do óbito ainda depende dos exames periciais.
O local foi isolado e passou pelos procedimentos da Polícia Civil, da Polícia Científica e do Instituto Médico Legal (IML).
O que diz a defesa do suspeito
A defesa técnica de José Gustavo Rabelo de Souza, diante das informações que vêm sendo divulgadas acerca do falecimento da jovem Joviana Evelyn Lankovski, ocorrido no município de Sangão/SC, vem, respeitosamente, prestar os seguintes esclarecimentos.
Inicialmente, a defesa manifesta suas mais sinceras condolências aos familiares e amigos de Evelyn, reconhecendo a profunda dor provocada por uma perda dessa natureza. Por respeito à vítima e aos seus familiares, a defesa entende que o momento exige, acima de tudo, responsabilidade, serenidade e respeito.
O processo tramita sob segredo de justiça, justamente para resguardar informações, documentos e elementos relacionados ao caso e às pessoas envolvidas. Por essa razão, a defesa entende ser necessário agir com a mesma responsabilidade e preservar informações que não podem ser expostas publicamente, especialmente aquelas que dizem respeito à intimidade dos envolvidos.
É importante, contudo, esclarecer uma informação que vem sendo divulgada de maneira imprecisa e que atinge diretamente a família de José Gustavo.
A família de José Gustavo não teve conhecimento prévio dos fatos e jamais participou de qualquer tentativa de ocultação ou acobertamento.
José residia com a mãe e a avó. Na rotina da residência, havia circunstâncias que contribuíram para que, naquele momento, não houvesse qualquer razão concreta para que familiares suspeitassem do que havia ocorrido. Entre elas, estão a dificuldade auditiva da mãe, circunstância de conhecimento público, e o fato de José permanecer com o quarto fechado durante períodos de descanso, comportamento que já fazia parte de sua rotina habitual.
A família somente tomou conhecimento dos fatos na manhã de segunda-feira, após o próprio José relatar o ocorrido. Tão logo teve conhecimento da situação, sua família o conduziu à Delegacia de Polícia, colocando-o à disposição das autoridades para que fossem adotadas as providências legalmente cabíveis.
Esse comportamento, por si só, demonstra a postura adotada pela família diante de uma situação extremamente grave e inesperada: não houve fuga, ocultação ou qualquer iniciativa destinada a impedir a atuação das autoridades. Ao contrário, houve a procura imediata da autoridade policial tão logo os familiares tiveram conhecimento dos fatos.
A família de José Gustavo também deseja deixar claro que não compactua, sob nenhuma circunstância, com qualquer forma de violência, especialmente contra mulheres. Ao mesmo tempo em que enfrenta a própria dor e o impacto causado por toda essa situação, manifesta profundo pesar pelo falecimento de Joviana Evelyn Lankovski e respeito absoluto à dor de seus familiares.
Quanto à dinâmica dos fatos, a defesa ressalta que qualquer conclusão responsável deve decorrer da análise integral e técnica do conjunto probatório, incluindo os elementos periciais e demais provas que integram a investigação. Antecipar conclusões enquanto as apurações ainda estão em curso não contribui para o esclarecimento dos fatos e pode gerar interpretações equivocadas.José Gustavo encontra-se preso preventivamente, à disposição do Poder Judiciário, e sua defesa seguirá atuando de maneira técnica e responsável, dentro dos limites impostos pelo segredo de justiça e em estrita observância aos princípios constitucionais do devido processo legal, contraditório e ampla defesa.
A defesa reafirma, por fim, que não pretende transformar a dor de nenhuma das famílias em objeto de disputa pública. Seu compromisso é exclusivamente com a verdade dos fatos, com o respeito às instituições e com o exercício legítimo da defesa, permitindo que as autoridades competentes realizem seu trabalho e que as conclusões sejam alcançadas a partir das provas produzidas regularmente.

