EXCLUSIVO: Porteiro relata ameaças e afirma que não viu agressões ao cão Orelha

Delegada afirma que o desafio da investigação "é juntar as peças do quebra-cabeça"

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Câo orelha

Cão Orelha morreu após ser vítima de maus-tratos na Praia Brava, em Florianópolis (Foto: Divulgação)

A investigação e os depoimentos colhidos pela Polícia Civil no caso do cão Orelha revelaram que o porteiro de um condomínio da Praia Brava, bairro de Florianópolis, relatou, em boletim de ocorrência, que sofreu ameaças dos pais e do tio de dois adolescentes suspeitos pela morte do cachorro.

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Reportagem exclusiva, exibida neste domingo (1) no programa Fantástico, teve acesso ao depoimento do porteiro, em que ele afirma que não viu as agressões ao animal.

O porteiro e os adolescentes, que estavam na Praia Brava para passar as férias, vinham tendo desentendimentos, com reclamações sobre bagunça, xingamentos, depredação e restrição de horário e saída do prédio. Durante uma das discussões, o porteiro fotografou dois adolescentes e enviou, junto com um áudio, em um grupo de mensagens, as imagens sobre rapazes que estariam provocando problemas no local.

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“Na mesma noite que eles arranjaram confusão comigo, eles, parece que deram umas paulada nuns cachorro. E, depois, foram lá e mexeram na barraca ainda. É seis folgados. São seis folgados que tem aí”, disse, no áudio.

Ao saber das discussões e das fotografias, os pais de dois adolescentes e o tio de um deles foram até a portaria. Segundo a delegada de Proteção Animal, Mardjoli Valcareggi, uma dessas pessoas estava com um volume na região na cintura, que fez com que a vítima e outras duas testemunhas achassem que o suspeito carregava uma arma. Porém, nas buscas feitas em uma operação no último dia 26 de janeiro, nada foi encontrado.

No depoimento à polícia, o porteiro afirmou que foi xingado pelos adolescentes, e que o vídeo dizia respeito aos jovens danificando lixeiras na frente do condomínio de madrugada. Sobre o cão Orelha, o porteiro não viu nenhuma agressão, segundo o relato.

— Eles tinham quebrado garrafa, arrombaram. Tem vídeo deles em cima da barraca. Agora sobre a situação do cachorro, eu não posso acusar que foram eles. E eu digo para a senhora (a delegada): se eu tivesse visto batendo no cachorro, eu diria que era eles (sic) — afirmou à polícia.

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O advogado do porteiro, Marcos Assis dos Santos, afirmou que o homem já disse tudo o que sabe em relação ao fato e que o porteiro “não tem como falar um fato que ele não presenciou”.

A delegada Mardjoli disse ao Fantástico que, até agora, não há registros, imagens e testemunhas do momento exato da agressão ao cão Orelha.

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— Nós temos um feixe de nichos convergentes que levaram a essa suspeita de envolvimento de adolescentes. E esse é o nosso desafio investigativo, nós juntarmos as peças do quebra-cabeça para conseguirmos esclarecer o que aconteceu — afirmou.

Um dos pais dos adolescentes falou com exclusividade ao Fantástico:

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— A educação que eu e minha esposa damos para ele não foi de passar a mão na cabeça dele. Se ele fez alguma coisa e ficar provado, ele tem que responder. Mas tem que ser provado, porque até agora só foram acusações, acusações, acusações e não tem nada, não apresentaram absolutamente nada. A gente quer justiça tanto quanto as outras pessoas — disse.

O caso Orelha

O cachorro, também conhecido como Preto, vivia há mais de 10 anos na região, segundo a comunidade, e era cuidado por pessoas que moravam nos arredores, além de pescadores. No começo de janeiro ele foi encontrado com vários ferimentos em uma área de mata da Praia Brava e levado ao veterinário por moradores. Lá, Orelha não resistiu e morreu. Quatro adolescentes tornaram-se suspeitos da violência contra o cachorro.

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Na segunda-feira (26), dois adolescentes e um adulto foram alvos de mandados de busca e apreensão. O objetivo, segundo a Polícia Civil, foi buscar mais provas para a investigação. Ainda na segunda-feira, um advogado e dois empresários foram indiciados pela polícia por suspeita de coagir uma testemunha no processo. Já nesta quinta-feira, outros dois adolescentes foram alvos de mandados de busca e tiveram os celulares apreendidos ao chegarem a Florianópolis, de volta de uma viagem aos Estados Unidos.

NSC Total e todas as plataformas da NSC não divulgam o nome, nem a identidade dos adolescentes suspeitos em total respeito e consonância ao que determina o artigo 143 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que veda a “divulgação de atos judiciais, policiais e administrativos que digam respeito a crianças e adolescentes a que se atribua autoria de ato infracional”.

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Diz o ECA: “Qualquer notícia a respeito do fato não poderá identificar a criança ou adolescente, vedando-se fotografia, referência a nome, apelido, filiação, parentesco, residência e, inclusive, iniciais do nome e sobrenome.”

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