Dez pessoas morreram em episódios de violência política registrados no Brasil desde sábado (24), segundo balanço divulgado pelo governo federal na quarta-feira (28). Ao todo, são 45 ocorrências e 47 vítimas. Santa Catarina está entre os cinco estados com mais registros, ao lado de Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais.
Os casos incluem atropelamentos intencionais, agressões físicas, disparos e atentados com armas de fogo, violência e coação contra indígenas e episódios de abuso e violência policial.
Em Santa Catarina, dois casos chamaram a atenção, ambos em Florianópolis: um atropelamento de um motociclista por uma viatura da Polícia Militar Rodoviária (PMRv), e um espancamento de um homem pelo próprio primo, assessor de Jair Renan Bolsonaro (PL). O governo não detalhou se as ocorrências compõem o levantamento de 45 casos.
O governo federal anunciou que acompanhará as investigações. A Polícia Federal atuará nos crimes de competência federal, enquanto suspeitas de violência policial serão encaminhadas às corregedorias das corporações.
“Dez pessoas foram mortas no Brasil por suas convicções políticas. Isso não é normal. O que a gente espera é que isso acabe, esse clima de intolerância e violência política”, afirmou o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos.
Veja casos contabilizados pelo governo federal em todo o Brasil
- 10 vítimas fatais de violência, sendo três indígenas;
- sete de atropelamentos intencionais;
- 14 de agressões físicas, espancamentos e esfaqueamentos;
- cinco de disparos e atentados com armas de fogo;
- cinco de violência e coação contra povos indígenas;
- seis de abusos de autoridade e violência policial.
Casos em Santa Catarina
Em Florianópolis, a Polícia Civil investiga Gustavo Schiphorst, assessor de Jair Renan Bolsonaro (PL), por suspeita de espancar o próprio primo após a vitória de Lula (PT), na noite de domingo (25). Os pais do assessor e um amigo também são apontados como participantes das agressões. A vítima, Marcelo Ribeiro Delgado Junior, de 28 anos, sofreu ferimentos na cabeça e fraturou o braço em três pontos diferentes. A Justiça concedeu medida protetiva à família.

Na mesma noite, o motociclista Pedro Henrique Ely, de 24 anos, foi atropelado por uma viatura da Polícia Militar Rodoviária (PMRv) durante uma comemoração eleitoral nos Ingleses, também na Capital. A Justiça determinou a soltura dele e mandou investigar a conduta dos policiais envolvidos. Pedro permanece internado.
Também foram registrados casos de circulação de listas de boicotes a comércios em cidades catarinenses. Em Jaraguá do Sul, no Norte do Estado, uma lista anônima intitulada “Comércios Petistas da região” circulou pelo WhatsApp com 33 estabelecimentos. Três empresas citadas publicaram notas de repúdio e negaram ter declarado apoio partidário.
Já em Praia Grande, no Sul do Estado, a prefeitura informou que desligou um servidor municipal que elaborou uma lista de estabelecimentos e profissionais acompanhada de mensagens que incentivavam boicotes por supostos posicionamentos políticos. Também há relatos de listas em Criciúma.
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Casos em outros estados
A Polícia Federal abriu, por exemplo, inquérito sobre o ataque à vereadora Iara Pimentel (PT), em Montes Claros (MG), durante uma carreata de apoio ao presidente Lula (PT), na noite de sábado (24). Vídeos que circulam nas redes sociais mostram objetos sendo arremessados contra o carro de som onde ela estava. A parlamentar foi ferida no rosto e deixou o local em uma ambulância do Samu.
Um outro caso foi registrado em Três Pontas (MG), quando uma mulher de 55 anos usando um adesivo de Flávio Bolsonaro também foi agredida durante um ato político. Uma adolescente de 15 anos e uma mulher que tentou intervir na situação também foram agredidas.
Em Santos, no litoral de São Paulo, o engenheiro ambiental e mestrando Marcelo de Oliveira Rocha, de 30 anos, foi agredido por um grupo. A Polícia Civil busca identificar os envolvidos, além de esclarecer a dinâmica e a motivação dos fatos. Apesar das circunstâncias, o caso é investigado como latrocínio.
Marcelo teve morte cerebral confirmada pela família no domingo (25). Ele participava de uma apresentação da Banda Esquerdantina, em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na madrugada deste sábado (24). Ele se afastou do evento para ir ao banheiro, quando foi abordado por ao menos sete homens.




