Os irmãos do menino de três anos morto espancado pelo próprio pai por não dar “bom dia” em Viamão, no Rio Grande do Sul, vão passar por perícias psíquicas para que a investigação possa apurar se a mãe das crianças, Mayanna Rodgers, foi omissa em relação às agressões ou se também praticava torturas contra os filhos. A mulher está presa e teve autorização para comparecer no velório da criança, que aconteceu na quarta-feira (22), duas semanas após a morte da criança.
As perícias psíquicas são avaliações técnicas da mente, realizadas por psiquiatras ou psicólogos. Normalmente, essas avaliações são feitas com entrevistas e com a formulação de um laudo técnico. Neste caso, o relatório deverá ser entregue à polícia. Ainda não há estimativas sobre quando essas perícias serão realizadas com as crianças, que tem idades entre 1 e 9 anos.
O pai das crianças, Dandre Jermaine Grayson, confessou que deu socos no tórax e no abdômen do filho de 3 anos porque o menino não lhe deu “bom dia”. Segundo informações do g1, ele também bateu a cabeça do menino contra o chão na casa onde a família morava. Em janeiro deste ano, o menino também teria quebrado o braço, com a justificativa dada pelos pais de que a criança teria se machucado no sofá da casa.
Veja fotos da família
Polícia investiga possível violência doméstica sofrida pela mãe
O inquérito sobre a morte da criança deve ser concluído em agosto. No entanto, um inquérito separado também investiga se Mayanna foi vítima de violência física e psicológica pelo marido.
Antes de ser presa por suspeita de omissão, uma medida protetiva chegou a ser solicitada em nome dela. A família veio dos Estados Unidos há cerca de nove anos. Em Viamão, a Polícia Civil do Rio Grande do Sul afirmou que o casal e os filhos passavam por uma situação de vulnerabilidade e contavam com doações e ajuda de pessoas da comunidade religiosa.
Corpo demorou a ser reconhecido e liberado
A criança morreu no dia 8 de julho, depois de ter sido agredida no domingo anterior, em 5 de julho. No entanto, o velório demorou para acontecer. Isso porque o corpo da criança foi reconhecido pelo Departamento Médico Legal (DML), que afirmou que realizou identificação por meio da papiloscopia, método que identifica indivíduos através das impressões digitais, palmares ou plantares, mas era necessário que algum familiar liberasse o corpo.
A Justiça entendeu que a melhor opção era entregar o corpo do menino para a prefeitura, já que os pais estão presos.
Ao todo, 11 pessoas já foram ouvidas durante a investigação, que deve ser concluída em agosto. Os filhos do casal foram encaminhados para acolhimento institucional por determinação do Conselho Tutelar.



