O menino de 3 anos morto após ser espancado pelo próprio pai no Rio Grande do Sul nesta semana havia permanecido por três meses em acolhimento institucional, ao lado dos irmãos, em Palmitos, município do Oeste de Santa Catarina, antes da família se mudar para o estado gaúcho. A ida das crianças para o abrigo foi motivada, segundo o Ministério Público catarinense, por denúncias anônimas de vizinhos sobre supostas agressões físicas cometidas pelos pais do garoto contra um dos irmãos dele. A informação foi confirmada com exclusividade ao NSC Total.

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Dandre Jermaine Grayson e Mayanna Angelina Rodgers, pais das crianças, estão presos preventivamente no Rio Grande do Sul. Dandre é natural dos Estados Unidos e se dizia ser um missionário, enquanto Mayanna é japonesa. Segundo a delegada responsável pela investigação, Luana Tamiozzo Medeiros, da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam), o pai do menino confessou as agressões.

A família, conforme a delegada, tem um grande histórico de violência, com registros em São Paulo e, também, em Santa Catarina. No estado catarinense, denúncias foram feitas em março de 2025, quando o Conselho Tutelar, acompanhado da Polícia Militar e da promotoria de Justiça de Palmitos, foi até a casa da família que, além do menino e do casal, era formada por outras quatro crianças de 1, 5, 7 e 9 anos de idade, na época.

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Segundo o MP, durante a visita, o corpo de uma das crianças foi examinado após as denúncias, mas não foram encontrados hematomas, lesões ou qualquer outro sinal que indicasse agressão física. O filho que seria vítima dessas agressões não foi informado pela promotoria, ou seja, não se sabe se é a mesma criança que foi morta no Rio Grande do Sul.

Ainda durante a visita, a equipe constatou que os filhos estavam bem vestidos, com bom estado de saúde, além de a residência apresentar condições de higiene, organização e salubridade.

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Crianças foram levadas para acolhimento institucional por cautela

Levando em consideração as denúncias recebidas e a existência de registros de violência envolvendo a família no estado de São Paulo, quando uma das crianças, que estava com 7 anos em 2024, teria sido agredida com uma cinta pela mãe, os órgãos resolveram realizar o acolhimento institucional das crianças por cautela, segundo o Ministério Público.

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Durante os três meses em que permaneceram no local, a família foi acompanhada e passou por avaliações psicológicas e sociais. Ao final dos testes, foi concluído que Dandre e Mayanna possuíam plenas condições psíquicas para ter a guarda dos filhos. Além disso, duas assistentes sociais forenses concluíram que não foram encontrados elementos suficientes de que as crianças sofriam maus-tratos.

O estudo também concluiu que as crianças, principalmente o menino mais velho, de 9 anos, estava sofrendo com a permanência no acolhimento. Para além disso, o Serviço de Proteção Social Especial de Alta Complexidade do Município também apontou que, durante as visitas assistidas, as crianças demonstravam forte vínculo afetivo com os pais, sempre querendo abraçá-los, conversar com eles e, também, brincar. Elas também diziam que gostariam de voltar ao convívio com a família.

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Por isso, o documento concluiu que, naquele momento, não havia indícios de maus-tratos nem de que as crianças estivessem em situação de risco. Dessa forma, em junho de 2025, as crianças retornaram ao convívio da família, seguindo uma ordem judicial.

Família continuou sendo acompanhada até mudança para o RS

Segundo o MP, a família continuou sendo acompanhada pela rede de proteção, com um Plano de Acompanhamento Familiar elaborado pelo Centro de Referência Especializado em Assistência Social, sem que novas denúncias sobre maus-tratos fossem feitas.

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O casal e a crianças, no entanto, se mudaram para o Rio Grande do Sul em agosto do ano passado. Por isso, o MP catarinense pediu a remessa do procedimento de proteção à Vara da Infância e da Juventude de Viamão, para que a família continuasse sendo acompanhada. Além disso, a intenção do MP era que as medidas protetivas continuassem sendo fiscalizadas.

O pedido foi deferido pela Justiça de Santa Catarina em setembro de 2025.

Família contava com doações no RS

A família veio dos Estados Unidos há cerca de nove anos. Em Viamão, a Polícia Civil do Rio Grande do Sul afirmou que o casal e os filhos passavam por uma situação de vulnerabilidade e contavam com doações e ajuda de pessoas da comunidade religiosa.

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A morte da criança foi confirmada na quarta-feira (8), depois de passar três dias internada em Porto Alegre. Dandre foi preso em flagrante ainda no Hospital de Viamão, e é investigado por homicídio duplamente qualificado, enquanto a mulher foi presa nesta quinta-feira (9), suspeita de participar das agressões.

As crianças, que tinham marcas pelo corpo, foram imediatamente encaminhadas à perícia psíquica e física, e estão protegidas por medidas de proteção, sendo acompanhadas pelo Conselho Tutelar de Viamão.

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Mãe tentou justificar agressões

Mayanna tentou justificar as agressões alegando que era a forma com que a cultura e a religião deles indicava que deveria ser a correção e disciplina dos filhos. A mulher dizia que o homem estaria “disciplinando de forma rígida, porém correta” as crianças.

— A forma como a família vivia foi determinante para a Delegada de Polícia entender que a mãe, na verdade, foi conivente com os atos de tortura e com o homicídio praticado contra o menino de 3 anos. O homicídio foi praticado com inúmeras e gravíssimas lesões, que chegaram a movimentar o coração do infante de lugar e achatar o crânio, não sendo crível que se pense que a mãe não conseguiu ouvir tudo – do quarto ao lado – e que sequer tivesse tentado conter o pai — disse a delegada Luana.

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Apesar de ser suspeita de praticar as agressões, também há fortes indícios de violência doméstica contra a mulher, praticadas por Dandre, segundo a Polícia Civil. O caso também será investigado.