A Polícia Federal vai instaurar um inquérito para investigar um possível vazamento de informações na megaoperação contra uma facção deflagrada nesta quinta-feira (28). Dos 14 investigados com mandado de prisão preventiva, oito não foram localizados, incluindo os principais suspeitos de comandar o esquema: Mohamad Hussein Mourad e Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”. As informações são do g1.
De acordo com delegados e agentes que acompanharam os inquéritos da Diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção da Polícia Federal (DICOR), em casos complexos, que implicam pedidos de prisão autorizados, os investigados costumam ser monitorados com antecedência em deslocamentos, viagens dentro e fora do país. Isso é praxe e estava sendo feito nas operações de quinta, conforme a PF.
— O que nos causa grande estranheza é que muitos dos alvos monitorados escaparam de véspera. Temos indicativos de que fugiram de casa um dia antes da operação ou poucos dias antes — disse um dos investigadores.
O inquérito vai apurar se houve facilitação de agente público ou vazamento de informações.
— Já temos algumas pistas, alguns indícios de por onde pode ter vazado informação que favoreceu a fuga dos alvos. Vamos aprofundar a partir de agora. É uma questão de honra entender o que houve e prender quem continua foragido — disse uma fonte.
Como agia a organização
O esquema contava com uma fintech, a BK Bank, que funcionava como um banco paralelo e movimentou sozinha a quantia de R$ 46 bilhões em transações não rastreáveis. O Grupo Aster/Copape, dono de usinas e uma vasta rede de postos de combustível, e o fundo Reag, usado para blindagem patrimonial, também são apontados como peças-chave do esquema.
A rede de lavagem aproveitava todo o ciclo do combustível, conforme a investigação. Recursos de empresas do grupo importavam produtos como nafta e diesel, que eram depois comercializados em uma rede de mais de 1 mil postos espalhados por 10 estados. Esses estabelecimentos eram a ponta final do esquema, recebendo dinheiro em espécie e “limpo” por meio de maquininhas de cartão, movimentando R$ 52 bilhões com uma carga tributária irrisória.
A Receita já autuou esses estabelecimentos em mais de R$ 891 milhões. As investigações apontam, ainda, que o esquema sonegou mais de R$ 7,6 bilhões em impostos e envolve mais de 350 alvos, entre pessoas físicas e jurídicas, por crimes como lavagem de dinheiro, fraude fiscal e estelionato.
Mandados em SC
A megaoperação, composta por cerca de 1,4 mil agentes, cumpriu mandados de busca, apreensão e prisão em Santa Catarina e outros seis estados brasileiros.
Segundo o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), o Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) cumpriu três mandados de busca e apreensão nas cidades de Itajaí, no Litoral Norte, e em Criciúma, no Sul do Estado.
Além de Santa Catarina, a Operação Carbono Oculto aconteceu em São Paulo, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraná e Rio de Janeiro. Os alvos são suspeitos da prática de crimes contra a ordem econômica, adulteração de combustíveis, crimes ambientais, lavagem de dinheiro, fraude fiscal e estelionato.
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