Traficante que “salvou” postos de combustível de falência motivou megaoperação contra facção

Rápida ascensão empresarial levantou suspeitas na Polícia Federal (PF); ação cumpriu mandados de busca e apreensão e prisão contra mais de 350 alvos, entre pessoas físicas e jurídicas

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Megaoperação mira em esquema bilionário no setor de combustíveis em SC e mais seis estados

Operação aconteceu em SC e outros seis estados (Foto: PF, Divulgação)

Um condenado por tráfico internacional de drogas, que se transformou em um bem-sucedido empresário do setor de combustíveis após cumprir pena, foi o fio condutor que levou a Polícia Federal (PF) a desarticular um esquema de infiltração de uma facção paulista no mercado de combustíveis e financeiro. Uma megaoperação cumpriu mandados de busca e apreensão e prisão contra mais de 350 alvos, entre pessoas físicas e jurídicas, em Santa Catarina e mais seis estados, na manhã de quinta-feira (28). As informações são do jornal O Globo.

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O investigado foi sentenciado a 9 anos e 8 meses de prisão pela Operação Ferrari, em 2015, pelos crimes de tráfico internacional e associação criminosa, conforme a PF. Após migrar para o regime semiaberto, ele iniciou uma rápida ascensão empresarial, passando a adquirir empresas falidas no setor de combustíveis que, sob sua gestão, passaram a faturar de R$ 100 milhões a R$ 200 milhões anuais.

As investigações também apontam que o empresário atuou como intermediário de uma distribuidora que recebeu R$ 434 milhões de uma fintech suspeita de integrar o mesmo esquema. O suspeito entrou no radar dos investigadores após a mulher adquirir imóveis e bens de luxo, o que a PF viu como uma forma de lavar dinheiro.

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O homem é uma das oito pessoas que tiveram um mandado de prisão decretado, mas continua foragido.

Em uma investigação correlata, o Ministério Público de São Paulo (MPSP) iniciou um inquérito a partir da apreensão, em maio de 2023 pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), de um caminhão que transportava metanol de forma irregular.

O produto, de uso restrito e não fabricado no Brasil, era desviado de empresas químicas legais para ser entregue clandestinamente em postos de combustível m São Paulo. Em documento, a promotoria afirmou que “as investigações apuraram substancial desvio do produto para a adulteração de combustível comercializado pelos autopostos investigados”.

Como agia a organização

O esquema contava com uma fintech, a BK Bank, que funcionava como um banco paralelo e movimentou sozinha a quantia de R$ 46 bilhões em transações não rastreáveis. O Grupo Aster/Copape, dono de usinas e uma vasta rede de postos de combustível, e o fundo Reag, usado para blindagem patrimonial, também são apontados como peças-chave do esquema.

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A rede de lavagem aproveitava todo o ciclo do combustível, conforme a investigação. Recursos de empresas do grupo importavam produtos como nafta e diesel, que eram depois comercializados em uma rede de mais de 1 mil postos espalhados por 10 estados. Esses estabelecimentos eram a ponta final do esquema, recebendo dinheiro em espécie e “limpo” por meio de maquininhas de cartão, movimentando R$ 52 bilhões com uma carga tributária irrisória.

A Receita já autuou esses estabelecimentos em mais de R$ 891 milhões. As investigações apontam, ainda, que o esquema sonegou mais de R$ 7,6 bilhões em impostos e envolve mais de 350 alvos, entre pessoas físicas e jurídicas, por crimes como lavagem de dinheiro, fraude fiscal e estelionato.

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Mandados em SC

A megaoperação, composta por cerca de 1,4 mil agentes, cumpriu mandados de busca, apreensão e prisão em Santa Catarina e outros seis estados brasileiros.

Segundo o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), o Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) cumpriu três mandados de busca e apreensão nas cidades de Itajaí, no Litoral Norte, e em Criciúma, no Sul do Estado.

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Além de Santa Catarina, a Operação Carbono Oculto aconteceu em São Paulo, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraná e Rio de Janeiro. Os alvos são suspeitos da prática de crimes contra a ordem econômica, adulteração de combustíveis, crimes ambientais, lavagem de dinheiro, fraude fiscal e estelionato.

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