Uma transfusão de sangue realizada em pleno ar salvou a vida do menino de 13 anos baleado na cabeça pelo colega, em Chapecó, no Oeste de Santa Catarina. A vítima recebeu o procedimento pioneiro durante o voo de helicóptero entre o local do acidente até o Hospital Regional do Oeste (HRO).
Segundo a Secretaria da Saúde de Santa Catarina (SES/SC), a ação foi essencial para garantir a chegada segura do adolescente à unidade hospitalar. O menino passou por uma cirurgia e recebeu alta na última terça-feira (20), após 11 dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
O feito da equipe médica faz parte do Programa Sangue Total e é uma das primeiras vezes que a ação é realizada no Brasil. O projeto garante que pacientes em situações de risco, com hemorragias intensas e quase morte, possam realizar transfusões de sangue ainda no local do acidente ou durante o transporte aeromédico, antes de chegar ao hospital.
Como transfusão de sangue em helicóptero salvou a vida de menino
De acordo com o médico de voo do Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) Aeromédico e coordenador médico da Região Extremo Oeste, Luan Ricardo Carlesso, a transfusão ajudou a controlar os sinais de choque provocados pela perda excessiva de sangue e contribuiu para que o adolescente chegasse ao hospital com sinais vitais estáveis.
Para o secretário de Estado da Saúde, Diogo Demarchi, a repercussão do caso é positiva para demonstrar os esforços do trabalho integrado dos serviços de saúde. “O Sangue Total também teve um papel importante nesse momento, mostrando como a transfusão de sangue pode ser decisiva no atendimento a pacientes em estado grave”, disse.
Programa Sangue Total
De acordo com o Ministério da Saúde, Santa Catarina é o primeiro estado do Brasil a implantar a transfusão de sangue total em um serviço aeromédico.
A medida permite que a transfusão seja realizada ainda no local do acidente ou a caminho do hospital, podendo ser decisiva para reduzir os efeitos da perda de sangue e aumentar as chances de sobrevivência em situações críticas.
O serviço é disponibilizado nas regiões da Grande Florianópolis, Blumenau, Chapecó, Lages e Criciúma por meio de uma parceria da SES, o SAMU, o HEMOSC, o Batalhão de Operações Aéreas (BOA) do Corpo de Bombeiros e o Serviço Aeropolicial (SAER-FRON) da Polícia Civil.
Jovem é baleado na cabeça em Chapecó
O caso ocorreu no dia 10 de outubro, na cidade de Chapecó. Dois amigos, ambos da mesma idade, brincavam quando um dos meninos resolveu assustar o colega com a arma do pai, que possui registro de Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CAC). .
Segundo o relato à Polícia Militar, o garoto pegou a arma, retirou o carregador e puxou o gatilho. O tiro atingiu a testa do adolescente e saiu pela nuca.
O colega que realizou o disparo, foi internado provisoriamente por até 45 dias, conforme decisão do Poder Judiciário liberada em 12 de outubro. Além disso, ele também passará por avaliação psicossocial e acompanhamento psicológico, assim como os pais.
Para o Ministério Público, há indícios suficientes de autoria do caso para enquadramento provisório do caso como ato infracional análogo ao crime de tentativa de homicídio qualificado, em razão do emprego de arma de fogo de uso restrito e da idade da vítima, menor de 14 anos. Também foi destacada a gravidade concreta do caso, sendo inadequadas medidas menos graves diante das circunstâncias.
O pai do menino também é investigado pelo crime de omissão de cautela na guarda de arma de fogo, previsto no Estatuto do Desarmamento.
*Sob Supervisão de Abinoan Santiago


