Do ciclone ao tornado: entenda por que o Sul do Brasil reúne condições para fenômenos extremos

Região reúne condições atmosféricas que favorecem desde ciclones extratropicais até tempestades capazes de gerar tornados

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Região foi afetada por tornado e ventos fortes nesta quinta-feira (6)

RS foi afetada por tornado e ventos fortes com tornado na quinta-feira (6) (Foto: Redes sociais, Reprodução e Banco de imagens)

Frequentemente em Santa Catarina, o ciclone extratropical aparece nas previsões como responsável por dias de chuva, vento forte e queda de temperatura. Nesta semana, um ciclone bomba gerou instabilidades com chuva e vento forte no Sul do Brasil, ocasionando a formação de um tornado no município de Pedro Osório, no Rio Grande do Sul. Foi o segundo tornado em menos de uma semana no estado vizinho.

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De acordo com um estudo da Aliança Brasileira pela Cultura Oceânica, as regiões Sul e Centro-Oeste concentram 74% dos desastres associados a ciclones extratropicais, frentes frias e ondas de frio no país. No Sul, especialmente em Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul, chama atenção o aumento expressivo de eventos extremos, tanto no litoral quanto no interior.

No dia a dia, isso se traduz em alertas constantes. Em 2024, foram mais de 3 mil avisos por SMS da Defesa Civil e 337 alertas enviados diretamente para celulares em áreas de risco — a maioria por chuva intensa e tempestades. O Estado lidera o país em adesão ao sistema, com 10,54% da população cadastrada, mais que o dobro da média nacional (5,18%).

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Região Sul é uma das regiões mais propensas do mundo a tornados

Em relação aos tornados, o Sul do Brasil, junto com o Paraguai, o nordeste da Argentina e o Uruguai, é considerado a uma das regiões mais propensas à ocorrência o fenômeno, atrás apenas do Meio-Oeste dos Estados Unidos, segundo especialistas ouvidos pela Folha de S.Paulo.

A Plataforma de Registros e Rede Voluntária de Observadores de Tempestades Severas (Prevots) estima que o Brasil tenha registrado 81 tornados e fenômenos similares em 2026, até antes do episódio de Pedro Osório. Em 2025, foram 92 registros. O levantamento inclui também landspouts e trombas d’água, fenômenos semelhantes, mas menos intensos.

Brasil ainda fica atrás dos EUA em número de tornados

O Brasil ainda fica atrás dos Estados Unidos, país que concentra a maior parte dos tornados registrados no mundo, segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA). A entidade estima que mais de 1,2 mil tornados ocorram no país todos os anos.

Nas áreas das Grandes Planícies e do chamado “Tornado Alley”, o encontro entre massas de ar quente e úmido e correntes de ar frio cria condições favoráveis para tempestades severas. Na América do Sul, o cenário é parecido em alguns aspectos. O Sul do Brasil, Paraguai, nordeste da Argentina e Uruguai formam uma ampla área favorável a tempestades severas, mas com características atmosféricas diferentes das encontradas nos Estados Unidos.

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Localização de SC favorece formação de sistemas

Santa Catarina está situada em uma faixa de transição atmosférica, onde massas de ar frio vindas do Sul frequentemente encontram ar quente e úmido de origem tropical. Essa condição é essencial para o desenvolvimento de ciclones extratropicais e para a atuação recorrente de frentes frias.

Embora os ciclones se formem majoritariamente sobre o mar e nas latitudes médias, seus efeitos — como chuvas intensas, vendavais e quedas bruscas de temperatura — se espalham por grandes áreas do continente. Por isso, regiões distantes do local de formação também aparecem nas estatísticas de desastres associados a esses sistemas.

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Fenômenos comuns e impactos crescentes

Dados mais recentes mostram que os impactos e a intensidade dos desastres associados a ciclones, frentes frias e ondas de frio vêm se intensificando em todo o país. O estudo da Aliança Brasileira pela Cultura Oceânica aponta que os desastres ligados a ciclones, frentes frias e ondas de frio cresceram 19 vezes desde a década de 1990 no Brasil. Ao todo, foram 407 registros no período, com a média anual saltando de 2,3 para 44 ocorrências.

Segundo os pesquisadores, o aquecimento global tem papel central nesse cenário. O aumento da temperatura da superfície do mar amplia a quantidade de calor e umidade disponíveis na atmosfera, fornecendo mais energia para esses sistemas e potencializando seus efeitos.

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— A superfície do mar mais quente (em um estado que chamamos de oceano febril) libera mais calor e umidade, alimentando e intensificando esses sistemas e provocando ventos e chuvas cada vez mais fortes — explicou Ronaldo Christofoletti, professor do Instituto do Mar da Unifesp e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza, em entrevista ao NSC Total durante a COP 30.

O que é um ciclone extratropical e o que é um ciclone bomba?

Um ciclone extratropical é um sistema de baixa pressão atmosférica que se forma fora da região tropical, geralmente no encontro entre massas de ar quente e frio. Ele organiza frentes frias e quentes e provoca mudanças rápidas no tempo, como chuva intensa, rajadas de vento e queda de temperatura.

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Já o ciclone bomba é um tipo de ciclone extratropical e recebe esse nome por conta da velocidade com que o fenômeno ganha intensidade, geralmente em poucas horas. A frente fria associada ao ciclone tende a avançar mais rápido sobre o continente, causando temporais mais fortes, com rajadas de vento mais intensas e maior chance de queda de granizo.

O que é um tornado?

Um tornado é um fenômeno meteorológico caracterizado por uma coluna de ar em rotação intensa que se estende de uma tempestade até a superfície. Quando essa rotação toca o solo, o fenômeno é classificado como tornado.

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A maioria dos tornados se forma a partir de tempestades severas, especialmente as chamadas supercélulas, que possuem uma corrente de ar ascendente em rotação. Um dos ingredientes importantes para a formação é o cisalhamento do vento, que ocorre quando a velocidade ou a direção do vento muda conforme a altitude.

O que é um ciclone extratropical e como ele se forma?