Durante a onda de frio intenso que atingiu a Serra Catarinense, funcionários de uma vinícola precisaram colocar em prática uma interessante estratégia para proteger a safra de uvas: acender fogueiras em pontos da plantação, para aumentar a temperatura do território e impedir a formação de geada.
Na madrugada de segunda-feira (07), dezenas de fogueiras foram acesas no vinhedo de uva Chardonnay da Vinícola Abreu Garcia, localizada em Campo Belo do Sul. Os termômetros chegaram a registrar -2℃ no local.
A produção de vinhos de altitude é um segmento em crescimento na Serra Catarinense, que vem ganhando cada vez mais destaque nos últimos anos, com direito à Indicação Geográfica. No entanto, embora as condições geográficas e climáticas da região proporcionem vinhos únicos, também trazem riscos para os vinhedos.
De acordo com a vinícola, a uva Chardonnay é uma das variedades mais sensíveis à geada, por isso foi necessário enfrentar a natureza e o frio intenso para proteger a safra. De acordo com o enólogo da Epagri, João Felippeto, as fogueiras são um dos meios ativos de prevenir a formação da geada.
Como a geada se forma?
A geada se forma quando a temperatura fica próxima ou abaixo dos 0℃, em condições atmosféricas muito específicas, como o céu com poucas nuvens e a ausência de vento forte. Com as baixas temperaturas, o orvalho que se acumula sobre as superfícies congela, formando cristais sobre a vegetação, principalmente nas madrugadas e manhãs.
Na Serra Catarinense, região mais alta do Estado, o fenômeno é mais comum no outono e no inverno, entre maio e setembro. No entanto, já houve registros de geada pontual até mesmo durante o verão.
Como a geada pode impactar os vinhedos?
Um estudo orientado por Felippeto aponta que a geada tardia, que acontece entre o final do inverno e a primavera, é a que mais oferece dano às videiras. Isso ocorre justamente porque os meses de agosto e setembro são a época em que a dormência das plantas se encerra e elas voltam a crescer.
Por isso, o congelamento das folhas pode comprometer a continuidade do ciclo. Os danos mais graves são causados em variedades como a Chardonnay, pois estas são de brotamento precoce e mais vulneráveis nesta época do ano.
De que maneira é possível prevenir a formação de geada?
Existem métodos passivos e ativos para a prevenção dos efeitos das geadas. Os métodos passivos são as ações estratégicas implantadas na hora do plantio, como a escolha do local e das variedades de uvas. Já os métodos ativos são aqueles que interferem diretamente no fenômeno.
As fogueiras, como as utilizadas pela vinícola Abreu Garcia, são um exemplo de método ativo. Nesta mesma linha também podem ser utilizados aquecedores para impedir que a temperatura alcance o necessário para a formação da geada. As fontes de calor, entretanto, devem ser utilizadas com cuidado e estratégia de acordo com as condições climáticas.
Outro método é o uso de máquinas de vento, que alteram as condições climáticas próximas ao solo. A combinação entre máquinas de vento e aquecedores é considerado um dos métodos mais eficazes. No entanto, as máquinas possuem um alto custo que nem sempre é aplicável.






