As fortes chuvas que atingiram Santa Catarina nessa semana já refletem na operação do Porto de Itajaí. Quatro navios aguardam para entrar no complexo portuário nessa quinta-feira (5), após a navegação ser suspensa devido à forte correnteza no canal de acesso. O local está fechado desde as 17h50 de quarta-feira (4) e ainda não tem previsão de reabertura.
Além dos quatro navios que aguardam para entrar, outros três já estão atracados no Complexo Portuário de Itajaí e esperam a reabertura do canal para deixar o terminal. A navegação foi suspensa após a correnteza atingir 2,9 nós, o equivalente a aproximadamente 5,4 km/h, velocidade acima dos parâmetros operacionais e que pode comprometer as manobras das embarcações.
Com o canal fechado há quase 18 horas, a Superintendência do Porto de Itajaí informou que acompanha as condições do acesso e aguarda a liberação da autoridade marítima para que a navegação possa ser retomada.

Chuvas e temporais atingiram a região
O fechamento ocorre em meio à passagem de uma linha de instabilidade por Santa Catarina, que provocou chuva intensa, queda de granizo e fortes rajadas de vento em diferentes regiões do estado na quarta-feira (4). No Baixo Vale do Itajaí, foram registrados episódios de precipitação volumosa em um curto intervalo de tempo.
Mesmo com o deslocamento da linha de instabilidade, a Defesa Civil de Itajaí mantém o alerta para a possibilidade de novos temporais. A previsão indica risco de chuva intensa, descargas elétricas e rajadas fortes de vento durante o decorrer dessa quinta-feira (5).
Cargas de SC podem ser transferidas para outros portos em caso de enchentes
Diante dos riscos de impactos das chuvas causadas pelo El Niño, em especial ao Complexo Portuário Itajaí, a Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (Facisc), depois de articular medidas com órgãos estaduais, conseguiu apoio também de órgãos federais.
Em reunião nesta terça-feira (3), por meio do seu Fórum de Infraestrutura e do seu Conselho de Comércio Exterior e Negócios Interacionais (Conceni), a Facisc conseguiu apoio da Receita Federal, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), da Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro) e outros órgãos para eventuais períodos de crise.
Essas três instituições indicarão representantes para compor gabinete de crise, mapear capacidade de atendimento e decidir sobre procedimentos para transferência de cargas em situação de emergência.
A Facisc reconhece os riscos existentes com enchentes, mas dentro do que pode ser feito, a aceleração de decisões de órgãos federais vai colaborar para a movimentação de cargas mais rapidamente e, assim, causar menos perdas para a economia.
Todas essas ações preventivas visam enfrentar um novo fechamento do Complexo Portuário Itajaí, que inclui os portos de Itajaí, Navegantes e outros terminais. Esse problema ocorreu em outubro de 2023, por 16 dias, quando mais de 40 navios não puderam atracar. Atualmente, a cada semana, cerca de 20 navios chegam para movimentação de cargas nesses portos.
União para minimizar dificuldades
Segundo a Facisc, a reunião desta terça-feira dá continuidade à realizada há poucos dias, que contou com as participações da Secretaria de Estado de Portos, Aeroportos e Ferrovias (SPAF), a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ), autoridades portuárias e operadores de terminais.
Foi decidido nesta terça-feira que o grupo criado pela federação terá interlocutores previamente definidos em cada uma dessas instituições federais, com a responsabilidade de facilitar a comunicação, identificar alternativas operacionais e encaminhar soluções em emergências.
O diretor setorial da Facisc, Lito Guimarães, destacou que um dos objetivos dessa articulação antecipada é saber como cada órgão pode colaborar. A intenção é identificar se há servidores disponíveis para reforçar unidades como Imbituba e Itapoá, caso esses portos recebam cargas desviadas de Itajaí e Navegantes. Se a estrutura estadual não for suficiente, a entidade poderá levar as demandas às instâncias nacionais.
“Sabemos que não existe uma contingência capaz de absorver toda a demanda de Itajaí e Navegantes. Os portos também operam próximos da capacidade. Mas precisamos entender o que cada órgão consegue atender e quais alternativas temos dentro de Santa Catarina. Se for necessário, queremos levar essa demanda à esfera estadual ou nacional para que o empresário tenha condições de se antecipar”, disse Lito Guimarães.
A empresária Daise Santos, que está à frente do Conceni, reforçou a importância de definir interlocução antes de um grande evento climático. Isso porque, na crise de 2023, as entidades empresariais não tinham conexão com os órgãos fiscalizadores e isso dificultou o encaminhamento das demandas.










