Com o pico do Super El Niño previsto para Santa Catarina entre novembro e janeiro, o Porto de Itajaí tem investido em tecnologias para monitorar possíveis impactos do fenômeno sobre as operações portuárias. Um dos reforços é a instalação de dois marégrafos, equipamentos capazes de acompanhar continuamente as variações do nível da água no Rio Itajaí-Açu e as mudanças nas marés.
Segundo a Superintendência do Porto de Itajaí (SPI), a medida é necessária porque os eventos climáticos previstos para os próximos meses podem alterar o regime de chuvas e a vazão dos rios. Essas mudanças podem intensificar o transporte de sedimentos e os processos de assoreamento, que reduzem a profundidade do canal e podem comprometer as condições de navegação.
Os dois marégrafos de radar foram instalados nesta terça-feira (3), junto com uma estação meteorológica, no acesso aquaviário do Rio Itajaí-Açu. Os equipamentos fazem parte de um novo sistema de monitoramento hidrodinâmico e meteoceanográfico, que vai reunir informações sobre as condições ambientais e operacionais de todo o complexo.
Porto de Itajaí adota medidas de prevenção diante do El Niño
Os marégrafos são capazes de medir as variações do nível da água sem precisar entrar em contato direto com o rio. Instalados acima da superfície, eles utilizam sinais de radar para registrar a subida e a descida das marés.
Essas informações, combinadas com levantamentos batimétricos, ajudam a equipe a avaliar a profundidade disponível no canal e as condições para a entrada e saída de navios. Já a estação meteorológica complementa o sistema com dados sobre as condições atmosféricas na região.
Conforme a SPI, os equipamentos passam agora por uma etapa de conferência e calibração dos dados, necessária para garantir a confiabilidade das medições antes do início da operação. A instalação foi realizada pela UMI SAN Serviços de Apoio à Navegação e Engenharia Ltda., empresa contratada para implantar, operar e manter o sistema.
Tecnologia será forte aliada da dragagem do canal
Após a implantação completa, o sistema contará com quatro estações físicas, denominadas Offshore, Interna 1, Interna 2 e Meteorológica, além de dois pontos de modelagem numérica, na Boca da Barra e a jusante da Bacia de Evolução Interna.
A estrutura deve abranger aproximadamente 9,3 quilômetros do acesso aquaviário, desde a região externa até as bacias de evolução e os berços de atracação. O monitoramento permitirá acompanhar, 24 horas por dia, informações sobre correntes, marés, ondas, ventos, visibilidade e volume de chuva.
O trabalho também envolve ações de dragagem. Atualmente, a draga Njord realiza diariamente a manutenção do canal por meio da tecnologia de injeção de água, enquanto campanhas complementares com dragas de sucção são programadas conforme as necessidades identificadas nos levantamentos técnicos.

Segundo o superintendente do Porto de Itajaí, Artur Antunes Pereira, a estrutura permitirá tomar decisões com base em informações mais precisas diante das variações climáticas e hidrológicas.
“Diante dos desafios climáticos e dos efeitos das variações hidrológicas sobre o canal, precisamos de informações cada vez mais precisas para orientar nossas decisões. Essa estrutura fortalece a segurança da navegação e contribui para garantir a continuidade das operações portuárias”, destaca.





