Santa Catarina está prestes a entrar no mês mais crítico, historicamente, em épocas de El Niño: novembro. Ainda assim, há fatores que deixam o cenário um pouco menos preocupante, o que significa uma série de incertezas sobre a reta final deste 2026. Uma coisa, porém, é unanimidade nos modelos climáticos: a chuva deve cair acima da média, especialmente no Oeste.
O pico do super El Niño deve ocorrer até janeiro. Enquanto as águas ficam mais quentes em um trecho do Oceano Pacífico Equatorial e “caminham” para passar dos 3ºC acima da média até janeiro, os efeitos são sentidos no Sul do Brasil com extremos de chuva. As informações foram debatidas nesta quarta-feira (28) pelo Fórum Climático, grupo formado por meteorologistas de diferentes instituições, entre elas a Defesa Civil e Epagri/Ciram, que se reúne mensalmente para entender como deve ser o comportamento do clima em Santa Catarina no trimestre.
De acordo com a previsão, até o fim da primavera ainda é esperada a atuação de ciclones, frentes frias e massas de ar frio no Sul do país, que costumam provocar chuvas constantes. Com a chegada do verão, o cenário muda um pouco. Os temporais devem se tornar mais isolados e passam a estar associados ao aumento das temperaturas, e não mais à influência de ciclones e frentes frias.
Apesar de isolados, os temporais de verão costumam trazer chuva intensa em curto período de tempo, com potencial para provocar alagamentos e enxurradas. Por isso, historicamente, dezembro e janeiro concentram um alto número de ocorrências, o que exige atenção especialmente em um ano de El Niño.
Os perigos do El Niño na primavera e verão em SC
Um estudo inédito da pesquisadora Alice Grimm avaliou 75 anos de dados e concluiu que, apesar de um El Niño nunca ser igual ao outro, há uma perceptível “piora” durante outubro e novembro para o Sul do Brasil. Para se ter uma ideia, em meses de novembro com El Niño, as chances são 6,3 vezes maiores de eventos extremos, contra 1,2 em períodos de La Niña.
Porém, neste ano, uma oscilação que quando “casa” com o fenômeno potencializa os efeitos dele, a Madden-Julian, está em uma fase desfavorável para a precipitação. É como se uma força contribuísse para a formação das nuvens carregadas e outra não a incentivasse, o que deve amenizar a situação ao menos até o fim de novembro.
Mesmo assim, até por conta da primavera, que costuma ser a estação mais chuvosa no Oeste, a previsão é de precipitação acima da média em todo o estado no próximo trimestre. Com isso, a principal dúvida paira sobre a temperatura.
Os modelos divergem, mas diante da previsão de dias mais fechados, os meteorologistas acreditam que novembro será um mês com o termômetro dentro do esperado para o período ou até abaixo.
“As nuvens funcionam como um cobertor térmico, que bloqueia o calor que vem de fora e retém as temperaturas que já estão dentro, reduzindo a variação térmica”, explica o meteorologista da Defesa Civil, Caio Guerra.
O cenário muda em dezembro e janeiro, com episódios de mais calor que devem resultar em um bimestre com temperatura ao menos dentro da média.
El Niño até 2027
O El Niño deve atingir o pico até o começo do ano e continuará na categoria muito forte ao menos até fevereiro, indicam os modelos. Depois, começa a enfraquecer e persiste com menos intensidade até o outono. O monitoramento para confirmar essas projeções seguirá até lá.
Super El Niño
Desde que o monitoramento é feito no Oceano Pacífico, em 1950, a temperatura nunca havia chegado ao patamar em que está, mostram dados da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (Nooa). Já são pouco mais de 3ºC acima da média, o que significa um El Niño muito forte. O pico é esperado entre outubro e novembro, quando as anomalias podem atingir 3,5ºC. Pelas projeções, o El Niño deve se manter ao menos até o final do outono de 2027.
Na média, a anomalia é de 2,2°C, o que também ultrapassa o limiar de 2 °C utilizado para caracterizar um evento de intensidade muito forte.
As intensidades do El Niño
Fraco: 0,5°C a 1,0°C acima da média
Moderado: 1,0°C a 1,5°C acima da média
Forte: 1,5°C a 2,0°C acima da média
Muito forte: acima de 2,0°C acima da média
O que é o El Niño?
De forma simplificada, El Niño é o nome dado ao aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico, em um trecho perto do Peru. O vapor sobe para a atmosfera e, para além disso, há uma mudança nos padrões de pressão, ventos e sistema climático sazonal. Ou seja, a circulação atmosférica é alterada e o impacto é global.









