Um novo boletim divulgado, nesta segunda-feira (19), pelo Instituto Internacional de Pesquisa para o Clima e a Sociedade (IRI), ligado à Universidade Columbia, nos Estados Unidos, informou que o Super El Niño de 2026/2027 pode alcançar anomalias de até 3,5°C na temperatura da superfície do mar do Pacífico Equatorial.
O documento meteorológico aponta para um aquecimento excepcional, que conforme previsto pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), indicam riscos de efeitos severos no Brasil.
Entenda a nova previsão do Super El Niño em outubro
A atualização mais recente elevou as projeções de aquecimento em comparação com o boletim de setembro. As médias dos modelos estatísticos e dinâmicos subiram entre 0,1°C e 0,2°C, fazendo com que a média geral chegasse a uma anomalia de +3,5°C na região Niño 3.4, área do Pacífico Equatorial usada para monitorar o fenômeno.
De acordo informações publicadas pela Meteored, a mudança também indica maior convergência entre as diferentes categorias de modelos. No mês anterior, os modelos dinâmicos já apontavam para um pico próximo de +3,5°C, mas as projeções estatísticas e a média geral ainda estavam abaixo desse nível.
Outro aspecto relevante é a trajetória prevista para os próximos meses. Enquanto a atualização de setembro indicava que o aquecimento continuaria avançando até os períodos de outubro a dezembro e novembro a janeiro, os cálculos de outubro mostram valores próximos do pico desde o início da projeção, seguidos por uma tendência de queda nos trimestres seguintes.
Apesar do aumento da confiança nesse cenário, a projeção ainda não representa uma confirmação do valor máximo que será atingido.
Veja a intensidade do aquecimento ao longo dos meses
Segundo o índice Niño 3.4, utilizado para medir as anomalias da temperatura da superfície do mar nessa região, apresentou os seguintes valores:
- Julho a setembro: média de +2,46°C;
- Setembro: anomalia mensal de +2,84°C;
- Semana centrada em 14 de outubro: média de +3,3°C;
- Cinco semanas consecutivas: anomalias semanais acima de +3°C.
Os números mostram que o aquecimento não está restrito às projeções futuras. As observações mais recentes já registram temperaturas muito acima da referência climatológica, mantendo o índice em patamares elevados por várias semanas.
Como o Super El Niño pode afetar o clima no Brasil?
O Inmet aponta que condições de El Niño em estágio muito forte, caracterizadas por anomalias superiores a 2°C no Pacífico, como está previsto para este e os próximos meses podem favorecer padrões climáticos com consequências distintas entre as regiões brasileiras. As projeções destacam riscos relacionados à falta de chuva, ao excesso de precipitação e ao calor persistente.
1. Norte, Nordeste e Centro-Oeste: seca e risco de incêndios
A redução das precipitações pode ampliar as áreas afetadas pela estiagem e aumentar o número de municípios sujeitos a condições de seca moderada e extrema, especialmente no Norte e no Nordeste.
A combinação de chuvas abaixo da média com temperaturas elevadas também favorece condições de maior risco para incêndios no Cerrado, na Amazônia e em áreas do Nordeste.
2. Sul: cheias e inundações
Na Região Sul, o padrão atmosférico associado ao El Niño pode concentrar volumes elevados de chuva. Segundo os alertas apresentados pelo Inmet, a situação exige atenção para grandes cheias e inundações, sobretudo porque o período já começou com solos úmidos e saturados em algumas áreas.
Nessas condições, novas frentes frias e episódios de precipitação podem agravar os alagamentos e elevar o nível dos rios.
3. Brasil: temperaturas elevadas e ondas de calor
O aquecimento também aumenta a preocupação com temperaturas acima da média histórica em grande parte do território nacional. O cenário pode favorecer ondas de calor durante o segundo semestre e o verão, ampliando os efeitos da estiagem em regiões com pouca chuva.
Quais são os riscos para a agricultura?
A combinação entre excesso de chuva em algumas regiões e falta de umidade em outras pode afetar a produção agrícola, com os impactos variando conforme a cultura, o estágio de desenvolvimento das lavouras e as condições locais.
No Sul, a umidade elevada e a precipitação persistente podem favorecer doenças fúngicas e dificultar a circulação de máquinas nas áreas de cultivo. As projeções citadas nas informações técnicas do Inmet indicam possibilidade de perdas de até 80% no potencial produtivo do trigo e de 60% na aveia em estados como Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
Já no Centro-Norte e no Sudeste, a combinação de calor intenso e baixa disponibilidade de água pode prejudicar lavouras de soja e café, além de comprometer a manutenção de rebanhos.
O que é o El Niño?
O El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial. Esse aquecimento altera a circulação atmosférica e interfere nos padrões de chuva e temperatura em diferentes partes do planeta.
No Brasil, os efeitos costumam variar conforme a região. Tradicionalmente, o Sul registra aumento das chuvas e maior risco de enchentes, enquanto Norte e Nordeste enfrentam períodos de seca e calor intenso.









