Seis ondas de calor devem atingir Brasil em meio a El Niño, com seca e 560 cidades em alerta para incêndio

Fenômeno traz temperaturas máximas e mínimas acima da média em períodos de pelo menos três dias; último El Niño teve nove ondas

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Com El Niño, seis ondas de calor devem atingir o Brasil nos próximos meses (Foto: Banco de imagens)

Pelo menos seis ondas de calor devem atingir o Brasil até o fim do ano, segundo análise do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). Com a possibilidade de um Super El Niño, o cenário de calor e seca aumenta, ao mesmo tempo em que provoca chuvas intensas em diferentes regiões do país.

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No último El Niño, entre 2023 e 2024, foram registradas nove ondas de calor. O fenômeno é marcado por temperaturas máximas e mínimas acima do normal, ou seja, não há trégua do calor. A onda acontece quando há essa repetição por ao menos três dias.

A estimativa parte de uma pesquisa que analisou o histórico de 47 anos de registros de temperaturas observando o fenômeno em anos de El Niño. Segundo a pesquisadora responsável pelo levantamento, Mabel Calim Costa, doutora em ciências do Sistema Terrestre, a frequência pode ser ainda maior com a intensificação do El Niño.

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Essa é uma média, mas vimos no último El Niño o país viver nove ondas de calor, com dias extremamente quentes. Com as temperaturas dos oceanos subindo, pode ser que o cenário seja ainda mais intenso e isso traz consequências para o país.

Cuidados durante o calor

Ondas de calor aumentam risco de incêndios e colocam regiões em alerta

O calor tende a intensificar a seca. Menos nuvens significam mais evapotranspiração, com plantas e solo perdendo água para o ar. O cenário reduz a umidade do solo e agrava o quadro de estiagem. As informações são do g1.

De acordo com os dados do Índice Integrado de Seca, produzidos pelo Cemaden para o governo federal, 157 cidades no país já estão em seca severa. A maioria dos casos está no Norte e no Nordeste. Os estados com maior número de municípios nessa condição são Tocantins, com 50 casos, e Bahia, com 18.

“As regiões mais afetadas vão ser o Norte e o Nordeste, já estamos vendo isso com registros de chuva inferior ao esperado nessas regiões”, explica Ana Paula Cunha, pesquisadora e especialista em secas.

O calor também aumenta o risco de incêndios. Um levantamento conjunto do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC/INPE), do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) classifica os municípios brasileiros por nível de risco de fogo. 

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O levantamento considera atividade humana e condições climáticas. O resultado mostra que 560 municípios estão hoje em alerta alto, somando uma área de mais de 3 milhões de quilômetros quadrados. Isso representa mais de 35% do território nacional. A região mais vulnerável está entre a Amazônia e o Pantanal.

Super El Niño é incomum, mostram dados históricos

Oficialmente não existe a classificação de “super El Niño”, mas o termo é usado popularmente quando o aumento da temperatura do oceano ultrapassa os 2°C acima da média, patamar considerado elevado e pouco comum, explica o meteorologista da Defesa Civil de Santa Catarina, Caio Guerra.

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Para se ter uma ideia, desde 1950, dos 25 episódios de El Niño, cinco tiveram registros acima dos 2ºC, mostram dados da Noaa. O que o levantamento também indica é uma diminuição no intervalo de El Niños
de forte intensidade.

Entre a metade do século passado e meados do atual, foram mais de 10 anos entre um “super El Niño” e outro. Na história recente, esse tempo caiu para oito anos. E agora, se de fato o próximo aquecimento ficar acima dos 2ºC, a “pausa” será de menos de cinco anos.

As intensidades do El Niño

  • Fraco: 0,5°C a 1,0°C acima da média
  • Moderado: 1,0°C a 1,5°C acima da média
  • Forte: 1,5°C a 2,0°C acima da média
  • Muito forte: acima de 2,0°C acima da média