Os próximos três meses devem ter a temperatura acima da média em Santa Catarina, mostram diferentes modelos climáticos. Isso não significa, obviamente, que o inverno não terá frio, mas os termômetros podem marcar números um pouco mais elevados que o normal para o período; e isso tende a ser um indicativo do primeiro efeito da formação do El Niño sentido pelo Estado.
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A avaliação foi feita nesta quarta-feira (28) pelo Fórum Climático, grupo formado por meteorologistas de diferentes instituições, entre elas a Defesa Civil e Epagri/Ciram, que se reúne mensalmente para entender como deve ser o comportamento do clima do próximo trimestre.
Pela análise neste momento, a previsão é de que maio, junho e julho sejam meses com temperatura acima da média. Essa projeção vai ao encontro dos sinais já evidentes da formação do El Niño no Oceano Pacífico. O aquecimento das águas normalmente impactam primeiro as temperaturas em Santa Catarina, que ficam mais elevadas que o usual, como explicou o meteorologista da Defesa Civil, Caio Guerra.
Dias mais frios e com geadas, ainda que não durem muito, devem ocorrer novamente em maio. Nesta semana, cidades da Serra de Santa Catarina amanheceram “congeladas” e com temperaturas negativas, as menores de 2026 até agora.
Sobre neve, no entanto, ainda não há nada que indique a formação. Já sobre a previsão de chuva, os diferentes modelos analisados divergem. A princípio, maio deve ter precipitação abaixo da média em todas as regiões e junho e julho serão meses com chuva mais frequente. Mesmo assim, esse período normalmente não é de grandes acumulados, diferente da primavera e do verão.
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Quando se fala de El Niño, a preocupação dos profissionais da Defesa Civil e outras instituições de Santa Catarina para este ano é com a chuva na primavera, como já mostrou uma reportagem especial do NSC Total. Isso porque, a estação, que já é chuvosa, ganha um “turbo” com a influência do El Niño, que pode resultar em excessos pluviométricos capazes de causar enchentes e alagamentos.
Diferença entre El Niño e La Niña
O El Niño é o nome dado ao aumento na temperatura da superfície da água em um trecho do Oceano Pacífico Equatorial, perto do Peru, fazendo ela evaporar mais rápido. O contrário, o resfriamento dessas águas, é chamado de La Niña.
Os efeitos também são opostos. Enquanto no La Niña as chuvas caem em menor volume em Santa Catarina, o El Niño é conhecido por favorecer as instabilidades no Sul, onde as frentes frias e ciclones encontram ambiente mais favorável. O resultado: episódios prolongados de chuva e mais chance de temporais.
O efeito do El Niño em SC
No caso de Santa Catarina e da região Sul como um todo, Caio Guerra destaca que quando há a formação de um El Niño, a primeira consequência observada é na temperatura, que costuma ficar acima da média. No inverno, isso não significa ausência de dias gelados, mas episódios mais curtos, com frentes que não mantêm as massas de ar frio por muito tempo.
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— A partir de agosto aumenta o potencial para tempestades severas, com ocorrência de ventos fortes, granizo e outros eventos extremos. Na primavera, especialmente entre setembro e novembro, são comuns chuvas mais frequentes e volumosas. Esse cenário eleva o risco de alagamentos, enchentes e inundações — detalha o profissional.
Quanto maior o aquecimento das águas, maior a probabilidade desses episódios ocorrerem. Além disso, com o solo encharcado, também há o aumento no risco de deslizamentos. Em outras regiões do país, o comportamento é o oposto. O Norte e Nordeste, por exemplo, podem enfrentar estiagens mais severas.
Combo destrutivo
A previsão da chegada de um novo El Niño exige monitoramento e medidas preventivas, mas de forma alguma pânico, tranquilizam os meteorologistas catarinenses. Até porque, como explica Guerra, não há uma relação direta entre El Niño intenso e impactos mais severos. O ano em que Santa Catarina teve o maior número de eventos hidrológicos das últimas três décadas, por exemplo, foi em 2022, um período marcado pela atuação da La Niña.
Isso ocorre porque no tempo e clima um fato sozinho não dita as regras. O El Niño não é o único responsável pelo registro de desastres em Santa Catarina. Alice Grimm, cientista reconhecida internacionalmente por pesquisas sobre o tema, destaca em um artigo que, apesar do El Niño deixar o Sul do país ainda mais vulnerável para chuvas extremas, oscilações oceânicas e atmosféricas que mudam semanalmente, anualmente e até em décadas precisam estar alinhadas para que o pior aconteça.
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Foi o que ocorreu durante a catástrofe do Rio Grande do Sul em 2024, quando houve um combo de El Niño, oscilações favoráveis e impacto das mudanças climáticas.











