Depois das intensas tempestades que entre terça (28) e quinta-feira (30) atingiram a cidade de Lages, na Serra Catarinense, a Defesa Civil atendeu 13 ocorrências em diferentes bairros. As fortes chuvas afetaram 52 pessoas, com ocorrências como alagamentos e destelhamentos.
O momento mais crítico da tempestade convectiva foi na quarta-feira (29), durante a madrugada. Entre 3h20min e 19h foram registradas ocorrências nos bairros Dom Daniel, Guarujá, Cristal, Promorar, Santa Catarina, Chapada, Coral, Caroba, Gethal, Vila Nova, Penha, São Vicente, Cruz de Malta e Ferrovia.
De acordo com a Epagri/Ciram, o temporal foi marcado por rajadas de vento de até 48 km/h e cerca de 65 milímetros de precipitação em 48 horas. Não é a maior marca registrada no mês, mas afetou diversas áreas da cidade. Segundo o monitoramento da Defesa Civil, o nível do rio Carahá, chegou a 2,68 metros.
Foram cinco alagamentos, três destelhamentos, uma queda de árvore, uma queda de muro e três outras situações relacionadas. A Defesa Civil distribuiu 54 metros de lona para as famílias atingidas pelas fortes chuvas.
As ações durante os temporais visam a resposta rápida e o monitoramento constante dos eventos climáticos. “Seguimos monitorando os boletins emitidos pelos órgãos e instituições responsáveis, além das condições dos rios e dos pontos considerados mais sensíveis do município. As equipes permanecem em prontidão para atender qualquer nova ocorrência que possa surgir”, afirma o secretário executivo da Defesa Civil, Paulo da Silva Ribeiro.
Ações para enfrentar os riscos do El Niño
As ações da Defesa Civil de Lages visam a preparação e o enfrentamento dos efeitos do El Niño, que deve causar eventos climáticos extremos em 2026. O debate sobre o fenômeno incentivou treinamentos para a resposta rápida em situações adversas ocasionadas pelo clima.
O El Niño é o aquecimento acima da média das águas do Oceano Pacífico, que muda a dinâmica das estações no hemisfério sul, interferindo na circulação dos ventos e nas formações de frentes frias. O El Niño está associado à elevação do risco de chuvas intensas e tempestades.
Soluções a longo prazo
Nesta terça-feira (28), foi realizado em Lages o 4° Fórum Municipal de Drenagem Urbana, voltado para o debate de soluções para problemas como os alagamentos que ocorrem na cidade.
Lages passou por três fortes tempestades só no mês de julho, registrando ocorrências de alagamento em alguns pontos da cidade. O problema é resultado de décadas de expansão urbana, implementação de medidas sem planejamento e soluções sem longo prazo.
Um plano de drenagem municipal será elaborado com a participação de diversas secretarias a partir de estudos feitos por uma empresa contratada e pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC).
